A minha Lista de blogues

sábado, 25 de novembro de 2017

Marcas portuguesas em Bucareste



A rua Lisboa  fica num bairro antigo com casas muito bonitas. Todas as ruas têm nomes de cidades.
Longe deste local fica o excelente restaurante Dancing Lobster. Abriu o ano passado e apesar do nome em inglês é especializado em comida tradicional portuguesa. É possível comprar peixe fresco vindo de Portugal e levá-lo para casa ou saborear no restaurante um dos seus deliciosos pratos. Todos os meses pode-se ouvir fado com artistas vindos de Portugal.





Por último visitei uma loja que vende porcelana da Vista Alegre, cristal Atlantis e faqueiros da Cutipol, juntamente com outras marcas de prestigio...

Não resisti a comprar uma decoração de natal (belga) para o meu neto colocar com cuidado na sua primeira árvore de natal...
E vou continuar a minha pesquisa ...

Ion Bitzan- uma retrospetiva

Ion Bitzan (1924-1997) foi um dos fundadores da arte contemporânea romena. Durante o comunismo foi um artista do estado, com trabalhos que celebravam o regime. No entanto, em privado criava obras expressando a sua visão de liberdade.
No dia 23, o MNAC ( Museu Nacional de Arte Contemporânea) de Bucareste, inaugurou uma exposição com uma retrospectiva do seu trabalho: "Prisioneiro da Vanguarda". Gostei de conhecer o seu ecletismo: algumas pinturas, instalações e esculturas integram-se no movimento do realismo socialista e outras são já representativas do modernismo,

O MNAC, fica situado numa das alas do Palácio do Parlamento, o projecto megalómano de Ceausescu, que o ditador não chegou a ver terminado.  O museu abriu em 2004, onde nos planos iniciais se previa a construção de apartamentos para o ditador, um espaço muito amplo com quatro pisos.

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

A internacionalização do "Toucinho do Céu"

Fotografia retirada do google


Vou participar num projeto de receitas de diversos países, as quais deverão sair em livro na primavera. Foi um trabalho de grupo. Escrevi a receita do Toucinho do Céu, tal como a faz a cozinheira romena, que conhece bem a receita. Como não sei romeno, ela traduziu-me do francês e fez para eu provar. É quase igual aquela que tenho. Gostei muito da sua versão. Aliás, em tempos tinha participado em programas de televisão romenos de culinária, mostrando vários pratos de bacalhau. Depois pedi a um romeno funcionário da Embaixada de Portugal, que a traduzisse e falasse com a cozinheira para ver se estava bem explicado, como ela me dissera. Escrevi à minha nora para traduzir a receita para inglês, pois a o livro será bilingue, nas línguas romena e inglesa.



Este projeto conta com importantes patrocínios, quer na Roménia quer internacionalmente. Darei mais pormenores, quando o livro for publicado. Além de ser escrito em romeno e inglês, inclui fotografias por um fotógrafo profissional, para a edição ter homogeneidade. 



Cada receita será acompanhada pela sua história de maneira sintética, pois há limite de palavras... 



Aqui vai...




Toucinho do Céu


Ingredientes:

400g de açúcar

1 chávena de água
250g de amêndoas
10 ovos
1 colher de sopa rasa de farinha
1 colher de chá rasa de canela

Junta-se o açúcar com a água e faz-se uma calda até ficar em ponto pérola. Retira-se do lume e junta-se as amêndoas, com pele, previamente moídas. Volta ao lume até que as amêndoas fiquem coladas ao açúcar. 
A parte, numa batedeira, juntam-se 8 gemas e 2 ovos inteiros. Bate-se muito até que as gemas fiquem com uma cor muito clara.
Aos poucos fora do lume, adiciona-se as gemas à mistura .
Depois regressa ao lume, mexendo sempre, até estar tudo bem ligado. Quando se vê o fundo da caçarola ao mexer com uma colher de pau (faz estrada) junta-se 1 colher de sopa rasa de farinha e 1 colher de chá rasa de canela.
Vai ao forno, previamente aquecido a 180º, numa forma forrada com papel vegetal e untada com manteiga durante 30-35 minutos. Deve ficar com uma cor dourada. 


O Toucinho do Céu é um dos doces mais antigos e tradicionais portugueses. Desconhece-se quem o criou. Sabe-se que terá nascido em algum convento de freiras, talvez em finais da Idade Média. A abundância dos seus ingredientes ( ovos, amêndoas e açúcar) em quase todas as regiões do território português ajudou a espalhar a receita por todo o país. 
A propósito dos três produtos básicos, recorde-se: os ovos, dos quais a clara chegou a ser utilizada principalmente para goma de engomar roupa como as grandes toucas das freiras, pelo que sobravam muitas gemas; as amêndoas, as quais no Algarve originaram a lenda que um rei para fazer feliz a sua mulher, uma princesa do norte da Europa que se sentia infeliz porque tinha saudades da neve, mandou plantar amendoeiras, cujas flores brancas ao despontar no início da Primavera a encheram de alegria e felicidade; e o açúcar, que se vulgarizou bastante cedo em Portugal, pois logo no início do século XV a cana-de-açúcar começou a ser plantada de maneira intensiva na Madeira. Há, assim, versões regionais com diferenças pontuais. Outras receitas da doçaria conventual têm por base os mesmos ingredientes. Muitas das mais famosas e praticadas sobremesas portuguesas tiveram a sua origem em Abadias femininas. 
Todavia, para saborear o toucinho do céu no dia a dia, no Natal, em casamentos , baptizados ou mesmo em banquetes de estado e em todos os restaurantes tradicionais em Portugal basta ter apetite e gostar de doces... 






Toucinho do Céu (‘Bacon from Heaven’)

Ingredients:

400g sugar
1 cup water
250g ground almonds (with skins)
10 eggs
1 level soup spoon of flour
1 level teaspoon of cinnamon


Method
1. Line and grease a tin in advance and pre-heat the oven to 180 degrees.
2. Combine the sugar and water and thicken over the heat into a syrup. Remove from the heat and add the ground almonds. Return to the heat until fully combined.
3. To one side, mix 8 egg yolks and 2 whole eggs in a blender. Blend them well until the yolks are very light in colour.
4. Bit by bit and away from the heat, add the eggs to the almond mixture.
5. Next, return it to the heat, stirring constantly, until well combined. When you can make a ‘road’ with the wooden spoon (i.e. the bottom of the pan is visible), add the flour and cinnamon.
6. Transfer the mixture to your lined, greased tin and bake in the pre-heated oven for 30-35 minutes. It should be golden in colour when done.




Toucinho do Céu (‘bacon from heaven’, a misnomer as no bacon is involved) is one of the oldest traditional Portuguese desserts. Its true creator is unknown, although it is known to have come from a monastery, perhaps towards the end of the Middle Ages. The abundance of its ingredients (eggs, almonds and sugar) throughout the land helped to spread the recipe across the entire country. Regarding the three basic ingredients, here’s a little history… Egg whites were initially used as starch for ironing clothing such as the large hoods worn by monks, resulting in a lot of leftover yolks. As for almonds, which originated in the Algarve, legend has it that the king’s wife, a northern-European princess, was sad because she missed the snow, so he ordered almond trees to be planted so that their white flowers blossoming with the arrival of Spring would fill her with joy. Lastly, sugar became popular quite early in Portugal, since sugar cane was planted intensively in Madeira right at the beginning of the 15th century. As such, there are regional variations on the recipe, but other versions of this monks’ confectionary ask for the same basic ingredients as their foundation. Many of the most famous and well-rehearsed Portuguese recipes find their origin in abbeys.
Whether sampling a Toucinho do Céu in day-to-day life, at Christmas, weddings or baptisms, from state banquets to your everyday traditional Portuguese restaurant, suffice to be a little bit hungry and like sweet things…






Toucinho do Céu (Slănina Cerului)


Ingrediente:


400g zahăr
1 cană de apă
250g migdale
10 ouă
1 lingură (de supă) rasă de făină
1 linguriță rasă de scorțișoară

Se amestecă zahărul cu apa și se pune pe foc până siropul devine perlat. Se scoate de pe foc și se adaugă migdalele cu pieliță, mărunțite (măcinate) anterior. Se pune din nou pe foc până când migdalele se lipesc de zahăr.
Separat, într-un bol, se bat cele 8 gălbenușuri și 2 ouă întregi. Se bat mult până când gălbenușul se deschide la culoare și compoziția devine cremoasă.
Se ia de pe foc și se adaugă compoziția de ou puțin câte puțin (în fir).
Se pune din nou pe foc , amestecând în continuu, până când totul se leagă (compoziția de ou se integrează în cea de migdale). Se adaugă lingura (rasă) de făină și lingurița rasă de scorțișoară. Atunci când se vede fundul cratiței în timp ce mesteci cu lingura de lemn (se vede ca o stradă), se răstoarnă compoziția în forma pregătită (se pune hârtie cerată și unsă cu unt).
Se pune în cuptorul preîncălzit. la 180º unde va sta 30-35 minute. Trebuie să devină aurie.



Toucinho do Céu este unul dintre deserturile tradiționale cele mai vechi din Portugalia. Nu se cunoaște cine l-a creat. Se știe doar că s-a născut într-o mânăstire de maici, probabil spre sfârșitul Evului Mediu. Abundența ingredientelor sale (ouă, migdale și zahăr) în aproape toate regiunile Portugaliei a dus la răspândirea rețetei în toată țara.
Referindu-ne la cele trei produse de bază, amintim următoarele: ouălele, ale căror albușuri se foloseau în principal la apretarea veșmintelor cum ar fi bonetele călugărițelor, din acest motiv rămânând nefolosite multe gălbenușuri; migdalele, care au dat naștere în regiunea Algarve legendei că un rege, pentru a-și face fericită soția, o prințesă din nordul Europei care se suferea de dorul zăpezii, a ordonat plantarea de migdali, ale căror flori albe care se deschid la începutul primăverii au umplut-o de bucurie și fericire; și zahărul, care s-a popularizat destul de devreme în Portugalia, astfel că imediat la începutul secolului XV, trestia de zahăr a început să fie plantată intensiv în Madeira. Există, astfel, versiuni regionale cu diferențe punctuale. Multe alte rețete ale cofetăriei mânăstirești au la bază aceleași ingrediente. Multe dentre cele mai faimoase deserturi portugheze și-au avut originea în Abațiile feminine.
Totuși, pentru a savura toucinho do céu acasă, de Crăciun, la nunți sau botezuri și în orice restaurant tradițional din Portugalia, este suficient să ai apetit și





segunda-feira, 20 de novembro de 2017

O Palácio Primavera










O Palácio Primavera,  em Bucareste, situado na rua com o mesmo nome, era a residência privada da família Ceausescu:  o ditador Nicolae, a mulher Elena e os três filhos - Valentin, Zoe e Nicu, entre 1965 e 1989.

A casa, com cerca de 80 quartos, abriu ao público em 2016 e é possível fazer uma visita guiada, em inglês, com marcação prévia. Divide-se em  quatro apartamentos para a mulher e os três filhos, cada um deles com sala, escritório, quarto de dormir e casa de banho privada. Além dessas divisões individualizadas da família presidencial comunista, tinha várias áreas comuns: um pequeno parque com pavões, um jardim interior de inverno, um gabinete de tratamentos, adega, sala de cinema (era a parte da casa favorita de Nicolai Ceausescu apreciador de westerns) e uma piscina interior com o comprimento de 40 metros. Nesta visita em grupo não mostram os túneis anti-atómicos, mas estes podem ser visitados, assim como mais divisões da casa mediante uma quantia, que acho excessiva (cerca de 45 Euros por pessoa). 




A sala de cinema foi transformada em sala de exposição de fotografias.




O ditador Ceausescu tinha uma reputação favorável na Europa Ocidental e nos Estados Unidos, resultante do facto de ter condenado a invasão da Checoslováquia pela URSS, em 1968. Visitou Portugal em 1975 e foi  recebido pela Rainha Isabel II no Palácio de Buckingham. O Presidente francês De Gaulle e o Presidente   Nixon estiveram na Roménia. Na casa, agora museu, estão em exibição presentes oferecidos por alguns dos visitantes mais ilustres, que vieram à Roménia e outros foram trazidos para Bucareste, após viagens ao estrangeiro do casal Ceausescu.  


Porcelana holandesa, uma oferta da Rainha da Holanda, personalizada com pavões, animais que o ditador muito apreciava.






Uma coleção de pratos oferecidos pela Rainha de Inglaterra.






Dois grandes vasos oferta do Chefe de Estado francês.













Tapetes persas oferecidos pelo xá do Irão Reza Pahlavi






Vaso chinês oferta de Mao Tsé-Tung











Peças em marfim oferecidas por Mobutu, durante a primeira visita de Ceausescu a África.





O palacete foi decorado para impressionar, mas era sobretudo uma casa de família. Atendendo ao seu tamanho, tinha apenas 10 empregados, entre eles: um nutricionista responsável pela dieta de Ceausescu (era diabético), um só cozinheiro, duas empregadas de limpeza e uma costureira, que copiava os modelos em moda no Ocidente. Contava ainda com dois técnicos responsáveis pela manutenção. Considerando o tamanho da casa e o cargo em regime comunista, o pessoal doméstico era relativamente reduzido, o que seria motivado para manter no maior sigilo a vida privada familiar.

No Palácio Primavera o estilo da decoração era bastante variado. A sala de família, por exemplo, foi imaginada após uma visita a Versalhes.  Encontramos os estilos renascentista, barroco, o já referido Luís XIV, Luís XV, o estilo inglês, mais sóbrio e até Art-Deco.


Gostei muito dos tapetes romenos mandados fazer numa fábrica da Transilvânia, que já não existe e de alguns quadros, que são património do Museu Nacional de Arte. O soalho em madeira também era bonito.

Ao contrário do que se disse na altura da revolução romena em 1989, não havia torneiras em ouro maciço. A extravagância não chegou a tanto. Há sim folheados a ouro nos azulejos da casa de banho da mulher e na decoração de alguns quartos.

Nicolae chegou a Bucareste aos 11 anos só com a quarta classe. Os pais eram camponeses pobres. Veio para a capital para ser aprendiz de sapateiro. Contudo, era naturalmente inteligente e perseverante e a sua opção política pelo comunismo acabou por revelar-se acertada para realizar as suas ambições, subindo rapidamente na hierarquia do partido (na prisão, ainda jovem, tornou-se amigo do principal dirigente comunista romeno Gheorghe Gheorghiu-Dej, o qual viria ser o líder estalinista que, apoiado pelas tropas soviéticas, instaurou o comunismo na Roménia, após o fim da II Guerra Mundial).
A sua mulher chegou à capital também com a escolaridade mínima, mas igualmente muito ambiciosa pretendia tornar-se professora de química, o que só veio a conseguir durante o regime comunista, obtendo o doutoramento com trabalhos que não eram seus.  Os três filhos tiveram uma educação cuidada e o único ainda vivo, Valentim, é professor universitário, agora na reforma, gozando de prestigio.


 

 
 




















Neste canapé dormiam os dois cães oferecidos pela rainha de Inglaterra







A piscina, que serve, hoje em dia, para sala de exposições temporárias e a sala de tratamentos.

Assim, durante este último fim de semana, aprendi bastante acerca da história recente da Roménia sob o regime comunista. No sábado visitei a casa onde residiu Ceausescu e, no domingo, o Palácio do Parlamento, o seu projeto megalómano.