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quarta-feira, 26 de setembro de 2018

Despedida do Embaixador do Japão

Com a mulher em Traje Tradicional Romeno (Maramureș)

Ontem foi a despedida dos Embaixadores do Japão, um casal muito ativo que encontravamos nos Dias Nacionais, concertos, jantares e que aproveitou bem a estadia neste país visitando a Roménia e muitos países europeus.





Imagem do concerto de ontem em que se ouviu Schumann e Brahms











Muitas Felicidades!!!

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Dia da Arábia Saudita


A celebração do Dia da Arábia Saudita costuma ser original: habitualmente só está o embaixador à porta a cumprimentar e não há discursos.

Hoje manteve-se essa tradição. Uma das coisas que não gosto das receções é ter todas as pessoas da embaixada na porta, pois com tanto aperto de mão fica-se com a mão suada e logo a seguir aparece um empregado com alguns petiscos para provarmos e daí só haver duas opções: ou provamos com a mão suada ou fazemos jejum. Também por vezes há discursos muito longos, que falam de toda a atividade de um ano e apontam prognósticos; e as senhoras, de pé com saltos altos, começam a dar sinais de cansaço, trocando o apoio das pernas, ora à direita ora à esquerda. Assim, é mais simpático, à maneira saudita: discrição e rapidez à entrada e austeridade nas palavras.

                               التهاني




Agora é Outono...



Now it's autumn...



Now it's autumn, leaves roam and scatter,

Again the wind flings heavy drops against the glazing;

And you're reading old letters, tattered and fading

And retrace a whole life-time in just one hour.




With sweet trifles you enjoy such time-wasting,

You'd hate to be disturbed by a tap on the shutter;

For when it's sleeting outside, it's so much better

To dream by the fireside, sleepily nodding.




So I stay in my chair, staring into the fire,

Dreaming of old tales and a fairy queen's sighs;

Around me the mist rises higher and higher;




Suddenly the rustling of silk makes me rise,

Steps so soft, barely touched by the old floor . . .

Then with slender, icy hands you hide my eyes.



Mihai Eminescu

Parque Copou, Iași, Roménia


Parque Ștefan cel Mare, Chişinău , Moldova


Mihail Eminescu (1850-1889) é o mais importante e conhecido poeta em Língua Romena. É o Poeta Nacional da Roménia e da República da Moldávia. 

domingo, 23 de setembro de 2018

Line of Duty



A série da BBC Line of Duty foi estreada em 2012. Em 2014, atingiu enorme popularidade e foram encomendadas mais duas épocas: a terceira, em 2016 e a quarta, em 2017.

Line of Duty foi incluída na lista das 50 melhores séries da BBC 2 e nas 80 melhores de sempre da BBC.

Estou muito satisfeita por ter visto este excelente thriller policial na NetFlix e contente porque, em 2019, será exibida a quinta época. Também estou, em especial, curiosa por saber qual será o núcleo de suspense da história dos próximos episódios, pois o primeiro mistério foi resolvido de maneira decisiva, tendo desaparecido dramaticamente algumas das principais personagens. 



Iași



Iaşi é uma cidade romena na região da Moldávia. E constitui um dos centros mais importantes da vida cultural, académica e artística da Roménia.





Foi capital do Principado da Moldávia entre 1564 e 1859, da União dos Principados entre 1859 e 1862 e, mais recentemente, a capital da Roménia durante a I Guerra Mundial, entre 1916 e 1918.


O primeiro centro universitário moderno da Roménia: a Universidade Ioan Cuza (1860).


Iași gaba-se de ter publicado o primeiro jornal e de ter estabelecido a primeira universidade (hoje em dia tem cinco universidades) no território romeno.


Possui mais de cem igrejas ortodoxas. Visitei algumas:



Igreja de S. Nicolau, data da época do reinado de Estevão o Grande, século XV.


     Igreja dos Três Hierarcas, século XVII










 A Igreja Metropolitana, (século XIX) dedicada a São Parascheva, está a ser restaurada.







A pequena basílica de S. Jorge
 ( século XVIII)





















A Torre e Mosteiro de Golia (século XVII). Em 2012, a conservação do Mosteiro foi galardoada com o Prémio da União Europeia para o Património Cultural / Prémio Europa Nostra.




E por último a igreja Bărboi (século XIX).











O bonito Palácio da Cultura estava muito animado quando o visitei, pois realizava-se um congresso de médicos ginecologistas. Dentro do palácio estão os museus de Arte, História e Etnografia. Visitei o Museu de Arte e gostei muito, sobretudo porque foi um rever de pintores que já conhecia das exposições em museus de Bucareste (Nicolae Grigorescu, Nicolae Tonitza, Ștefan Luchian, Camil Ressu, Theodor Aman, Theodor Pallady, Ștefan Popescu, Cecilia Cuțescu-Storck) e gostei de conhecer outros como:



Ştefan Dimitrescu (1886-1933) Retrato da Mulher do Artista


Constantin Stahi (1844-1920) Livro, óculos e lenço

 Museu da União (desde 1959)

Foi neste palácio que viveu o Príncipe Alexandru Ioan Cuza, entre 1859 e 1862, o primeiro Príncipe da União dos Principados e onde a Declaração da União foi proclamada, em 11 de dezembro de 1861.





Dei um pequeno passeio pelo magnífico jardim botânico. É o maior e o mais antigo da Roménia e merecia uma visita mais prolongada.













Gostei muito de visitar o parque Copou. Mihai Eminescu escrevia por baixo de uma árvore, a qual ainda existe, junto ao Obelisco dos Leões, o monumento mais antigo celebrando a unidade da Roménia, construído entre 1834 e 1841, dedicado às intituladas Leis Orgânicas. Este conjunto de diplomas, introduzido naquela mesma época pelas autoridades czaristas russas institucionalizando um regime de protectorado nos então Principados do Danúbio (Moldávia e Valáquia), tiveram não só efeitos modernizadores como vieram a revelar-se instrumentais no processo de unificação e de independência da Roménia.


A árvore de tília, com mais de 450 anos, no parque Copou, à sombra da qual o poeta Eminescu escrevia.

Estátua de Mihail Eminescu (1850-1889), o grande poeta da cultura romena


E foi com este toque de poesia, que me despedi de Iași.

terça-feira, 18 de setembro de 2018

Viagem a Quichinau




















Quichinau é a capital da República da Moldova (ou Moldávia), um país da Europa de leste "ensanduichado" entre a Roménia e a Ucrãnia.
A cidade está cercada por uma paisagem fértil, a base da agricultura, a principal atividade nacional, sobretudo a cultura vinícola.
Houve um rápido crescimento da população a partir da década de 1950, à qual a administração soviética respondeu através da construção de habitações do estilo "bom, barato e rápido ". Felizmente, para colmatar essa situação bastante infeliz do ponto de vista estético, há muitas zonas verdes.





Achei interessante este ministério todo verde,  perto do hotel onde fiquei.








A cidade é relativamente pequena e todas as atrações estão assim situadas perto umas das outras.



O "Arco do Triunfo", construído em 1840 para celebrar a vitória do Império Russo sobre o Otomano, é o mais pequeno que conheço. Está situado no passeio da grande avenida com o nome do herói nacional





Ștefan cel Mare (Estêvão o Grande), foi um príncipe moldavo, que governou entre 1457 e 1504. Ficou famoso em toda a Europa em virtude da resistência que ofereceu ao alargamento do Império otomano - travou 46 grandes batalhas e perdeu apenas duas.


O primeiro museu, que tentei visitar, foi a casa- museu do poeta russo Alexander Pushkin (1799–1837), onde passou três anos exilado e escreveu "O prisioneiro do Cáucaso". O que gostaria de ter visto era um retrato de Byron, na sua secretária, mas infelizmente ainda não tinha trocado dinheiro e eles não aceitavam cartões. Também a funcionária não falava uma palavra de inglês, o que tornou o diálogo, qualquer coisa surreal...




Gostei muito de visitar o recentemente renovado Museu Nacional de Arte. Fiquei a conhecer trabalhos muito interessantes de artistas moldavos.

Gostei muito desta escultura de YURIE HOROVSKY de 1985, Celebração.

Tenho um "complexo" relativamente a esculturas. Da primeira vez que estive em Caracas vi numa galeria de arte, uma belíssima escultura. Creio que se chamava maternidade. Como não era barata,  e muito pesada, não a compramos na altura. Fomos para casa pensando onde a poderíamos colocar e quando finalmente  resolvemos adquiri-la, já não se encontrava à venda. Muitos pintores e escultores venezuelanos emigraram e quando estive a viver no país pela segunda vez, a oferta de arte já não era a mesma...


O monumento Memorial da Vitória e Chama Eterna, um círculo com cinco pilares, representando os cinco anos do envolvimento da Moldávia na II Guerra Mundial tem grande dignidade. Construído na era soviética, tem uma chama ao centro que honra os solados desconhecidos mortos em combate também em 1992, na Guerra da Transnístria.


A visita às maiores caves de vinho de mundo foi muito agradável. Os vinhos estão armazenados em 55 km de caves. 






Podemos visitar de carro 5 km das mesmas. 







Há uma área de armazenamento onde os compartimentos (casa), podem ser alugados a 200 euros / ano. 



Gostei muito da prova...





Há outras caves muito conhecidas, em Cricova. Parece que Yurin Gargarin se perdeu aqui, tendo sido encontrado dois dias depois... Putin também celebrou em Cricova o seu 50º aniversário..



Os tapetes moldavos tradicionais têm motivos florais e cores muito garridas.





Tive o prazer de assistir à acreditação do novo embaixador de Portugal na Moldóvia (não-residente), numa cerimónia protocolar com revista à Guarda de Honra, ouvir o Hino Nacional muito bem tocado por uma banda militar e visitar o Palácio Presidencial.



Chișinău, 18 a 21 de setembro de 2018

Acordo de Geminação Cascais- Sinaia

No dia 18 de setembro, foi assinado em Sinaia um acordo de geminação entre os Municípios de Sinaia, na Roménia e Cascais, em Portugal.

Uma pessoa pode perguntar: mas o que têm aquelas duas cidades de parecido para se tornarem cidades gémeas?

Ambas foram escolhidas para local de veraneio pelas famílias reais dos seus países.


Cascais


A fortaleza da Cidadela de Cascais, construída logo após a Restauração de 1640, presenciou acontecimentos relevantes nacionais. No entanto, no terramoto de 1755 só as muralhas e a cisterna resistiram, ruindo os quartéis e a capela, que se encontravam entre muros. Foram precisos muitos anos para a sua reconstrução.



O Rei D. Luís, obrigado a desistir da carreira naval para suceder ao seu irmão o rei D. Pedro V, visitou aquela fortificação e encantou-se com a vista sobre a Baía de Cascais. Ordenou então que a casa do governador da Cidadela fosse transformada em Palácio de Verão.







Interessante notar que a fotografia oficial do atual Presidente da República, um amante do mar, também foi tirada naquele local, que tem uma vista privilegiada sobre a baía







A partir de 1870, Cascais, uma pacata vila de pescadores, nunca mais seria a mesma. A nobreza acompanha a família real. Iniciam-se então as construções de palacetes, muitos deles com fachadas mais imponentes, que as austeras muralhas da Cidadela. Cascais testemunha vários momentos festivos, como a introdução da luz elétrica em Portugal e a ligação a Lisboa por comboio.



O Rei D. Carlos continua a utilizar o palácio da Cidadela para lazer e como local de apoio nas suas pesquisas oceanográficas, introduzindo muitos melhoramentos.




Este monarca teve uma grande atividade diplomática, pelo que ficou na história com o cognome de “O Diplomata”. Recebeu em Portugal os mais importantes Chefes de Estado do seu tempo. Conta-se que o Presidente da França Émíle Loubet ficou tão encantado com Cascais e a sua baía, que pediu para que o comboio parasse no Estoril, para melhor poder guardar essa bela imagem.

Após a implantação da República, o Presidente Manuel de Arriaga também utilizou estas instalações. Ao que parece, a visão do oceano sem fim recordava-lhe a sua terra natal nos Açores. O Presidente Óscar Carmona viveu ali permanentemente com a sua família. Em 1930, a Capela do Palácio, que fora desativada e até servira de arrecadação ao destacamento do exército da Cidadela, foi devolvida ao culto por iniciativa da mulher do presidente, Maria do Carmo Carmona. Hoje em dia, pode visitar-se aquela pequena Igreja com um belo altar barroco e azulejos do século XVIII.

Nota: A Câmara Municipal de Cascais promoveu um programa de Roteiros de Património no Palácio da Cidadela, dando a conhecer momentos marcantes da história deste palácio, aberto pela primeira vez ao público em 23 de novembro de 2011, após uma profunda e cuidadosa reabilitação, abrangendo o interior e exterior do edifício. Tive oportunidade de assistir e escrever para o jornal da escola, no qual se baseiam estas informações (infelizmente todo o trabalho com o jornal foi em vão, pois todas as noticias foram apagadas pelo facto da sua  publicação não ter tido continuidade).

Referências:
Gaspar, Diogo, org. Palácio da Cidadela de Cascais. Lisboa: Museu da Presidência da República, 2011

Sinaia




O seu nome provém do mosteiro, fundado pelo Príncipe Mihai Cantacuzino em 1695 ao qual foi dado o nome de Sinaia, como o mosteiro no Monte Sinai.






Toda a cidade se encontra no sopé de grandes montanhas, que fazem fronteira com a bela região a norte da Valáquia, a Transilvania. Sinaia é especialmente conhecida pela sua arquitetura Neo-Renascentista alemã, onde se inclui o complexo de Peleș, na margem do riacho Peleș. 




O castelo de Peleș, é um palácio, não obstante o seu nome, mandado construir pelo rei Carol I em 1873 e completado em 1883 para servir de residência de verão à família real romena.




Os seus 160 quartos estão ricamente adornados com arte europeia, candeeiros de cristal de murano, vitrais alemães e mobiliário oriundo de vários países.
Enquanto foi construído a família real acomodava-se no mosteiro de Sinaia.


Interessante notar que foi o primeiro castelo na Europa dotado de eletricidade.


Além de notável bom gosto que as famílias reais de Portugal e Roménia mostraram ao escolherem um local de veraneio tão bonito: na entrada do oceano atlântico, em Portugal ou junto às montanhas, na Roménia, não nos podemos esquecer dos seus laços de parentesco.




D. Estefânia de Hohenzollern-Sigmaringen, rainha consorte de Portugal, após o seu casamento com D. Pedro V de Portugal, era irmã do primeiro rei da Roménia, D. Carlos I ( Carol I).







O Rei Ferdinand I da Roménia, o Rei da União, que este ano celebra 100 anos, era filho de uma princesa portuguesa, D. Maria Antónia de Bragança.




Em junho deste ano foi atribuído o nome de Rotunda da Roménia a uma rotunda no Estoril, numa cerimónia protocolar na Câmara Municipal de Cascais, por ocasião da visita da Primeira Ministra romena a Portugal.



Nota: Todas as fotografias em cima foram retiradas da internet.