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terça-feira, 23 de outubro de 2018

Visita de estudo na Roménia



Cheguei ontem de uma "visita de estudo" de quatro dias ao noroeste da Roménia, organizada pelo MNE, procurando mostrar as suas diferentes características. Ao todo havia representantes de 28 países, que tiveram encontros com as autoridades locais de Cluj Napoca, Oradea, Arad e Timișoara. Ficámos a conhecer o potencial dessas cidades em termos culturais, de negócios e tecnológicos. Foi uma viagem agradável pelo convívio, pela hospitalidade, rica em conhecimentos, que não poderíamos obter sós, a explorar a região; mas também extenuante, pois os encontros sucederam-se sem descanso.

Estávamos mais perto de Budapeste, Viena ou Belgrado do que de Bucareste. Notam-se as influências arquitetónicas ao estilo do império austro-húngaro.

Viajámos de avião até Cluj Napoca e, depois, de autocarro até Timișoara, de onde regressámos a Bucareste passados quatro dias.

1º dia

Devido ao atraso do avião, o programa teve de ser encurtado e não visitámos o bonito centro histórico de Cluj Napoca.


O encontro com as autoridades locais deu-se na prestigiada Universidade Babeș-Bolyai. Gostei muito de conhecer o Presidente da Câmara Municipal, o Senhor Emil Boc, ex-Primeiro Ministro. Estava à nossa espera no aeroporto. Falou sempre em Inglês, sem ser necessário tradução simultânea  e a sua capacidade de expressão e exposição impressionaram-me, assim como os seus planos de renovação da cidade.


De seguida partimos para a fábrica Farmec, o maior produtor e exportador de produtos de beleza na Roménia. Desenvolveram a marca Gerovital, contendo uma fórmula anti-envelhecimento. E aqui se pode ver como já estou rejuvenescida...

No restaurante fomos recebidos por meninos vestidos à maneira tradicional, que nos deram as boas vindas com pão e sal, um costume da região. Depois assistimos às suas danças e cantares.



Visitámos as minas de sal de Turda. A última galeria (mina Rudolf) fica 13 andares abaixo do solo. Pode-se lá chegar de elevador.







A exploração de sal começou no século XIII. Hoje em dia é apenas uma atração turística muito visitada.
Durante a Segunda Guerra Mundial serviu de refúgio aos bombardeamentos.

Chegámos ao hotel em Băile Felix, uma estância termal, perto de Oradea, depois das 21.30h.



2º dia


Partimos para Oradea para um encontro com o presidente do distrito de Bihor. O encontro foi muito formal, com os diferentes representantes nacionais sentados numa grande mesa em forma de U e demorou cerca de 2 horas. Havia tradução simultânea para inglês.






Fomos à Câmara Municipal e ao centro histórico






As festas da cidade tinham sido há pouco tempo e ainda se mantinha um ar festivo com os principais edifícios embandeirados.








O multiculturalismo e a tolerância religiosa existentes em toda aquela região foram sempre aspectos muito focados e relevados pelos diferentes intervenientes romenos como motivo de orgulho. 

 E fomos recebidos em Igrejas de diferentes credos e numa Sinagoga:



A Basílica ortodoxa com lua                                            A Igreja grego-católica



A Sinagoga













O representante da comunidade judaica entusiasmou-se tanto a falar, que o presidente da Câmara simpaticamente disse-lhe que tínhamos mais compromissos naquela manhã.

Gostei muito de visitar o complexo barroco com a sua magnífica Igreja Católica.















Almoçámos no excelente restaurante Allegria, numa casa antiga recuperada. Seguimos para a bonita cidadela de Oradea, a terminar os trabalhos da primeira fase da sua restauração.











Ainda visitámos a universidade privada Emanuel, onde ouvimos o seu coro antes do jantar, algo tardio, no também excelente restaurante Spoon, com comida internacional e apresentação cuidada.



3º dia









Visitámos as instalações da parte do hotel de tratamento termal e com spa e partimos para Arad. O encontro com as autoridades locais realizou-se na CM Arad, no salão Ferdinand, em honra do Rei da União. Tinha ascendência portuguesa, pois era filho da princesa Maria Antónia de Bragança.




Assistimos a um concerto no Palácio Cultural tocado pela Filarmónica de Arad com a excelente exibição de uma jovem música, de 16 anos, a tocar xilofone.
















O palácio foi recuperado recentemente e talvez como prova do multiculturalismo mantém o brasão da monarquia húngara no teto. Aliás, a língua húngara é falada por muitos dos habitantes e ensinada em escolas oficiais. 
  




Entrega de coroas no monumento a Vasile Goldiș.














Em Miniș visitámos uma pensão típica, cuja casa foi reconstruída, após a queda do comunismo.

                              
Partimos para Păuliş. Almoçámos numa adega, onde nos ofereceram uma prova dos seus vinhos.

Saímos com destino a Radna. Aí visitámos o Mosteiro Católico Maria Radna. Já estávamos  bastante atrasados e admirei-me  ver as meninas com vestido tradicional ainda à nossa espera. Já fazia frio...


A igreja é lindíssima e fiquei muito comovida, quando o órgão começou a tocar ao entrarmos. Como alguém disse: parecia que os anjos tinham descido à terra.
Depois de ter visitado tantos mosteiros ortodoxos ultimamente- até digo ao meu marido a brincar que parece que vou preparar uma tese sobre o tema - soube bem estar num local mais familiar.













Pertenceu ao Império Austro-Húngaro, até ao final da I Guerra Mundial. A sua fama ultrapassa as fronteiras, pois fazem-se peregrinações anuais, no dia 15 de agosto.
No refeitório foi servido chá e gostei de ver as mesas muito bem decoradas e com guloseimas caseiras.





O padre disse que também tinham estado ali o Imperador José II e o Arquiduque Francisco Fernando.

Na despedida afirmou ter sido uma honra receber-nos e esperava o nosso regresso, palavras, aliás amavelmente repetidas pelas autoridades e representantes das diferentes instituições contatadas...Nós é que estávamos agradecidos com tamanha demonstração de hospitalidade.

Partimos para Timișoara, onde foi servido um jantar  buffet às 21.30h, mas estava já muito cansada e preferi ficar a descansar. 


4º dia

Partimos do hotel histórico Timișoara para uma reunião com as autoridades locais.


Havia na sede do distrito de Timiș, onde decorreu aquele encontro, uma pequena exposição de produtos locais




Visitámos, de seguida,  o centro de investigação de cancro ONCOGEN. Mais uma vez estava representado ao mais alto nível, incluindo professores e investigadores.




Partimos para Recaș e almoçámos numa propriedade vinícola, onde nos ofereceram mais uma prova de vinhos e antes assistimos a atuação do grupo folclórico local. Dancei um pouco também, quando vieram convidar o público a participar.


E fomos para Timișoara, pois já se fazia tarde. Assistimos a um pequeno concerto na sala barroca do Museu de Arte. Antes de anoitecer, consegui ainda tirar algumas fotos do bonito e recuperado centro histórico, onde decorrerão 10 encontros internacionais no âmbito da presidência romena da União Europeia, no próximo ano e, em 2021, será capital europeia da Cultura.

















Infelizmente não houve tempo para visitar a catedral, pois estava na hora de partir para o aeroporto, mas guardo a oferta de uma bonita reprodução.



Gostei muito do centro histórico. Tenho de voltar a Timișoara para a conhecer melhor.

Hoje fiquei em casa a rever o passeio, pondo em ordem as fotos e publicando este post. Pela primeira vez, desde a chegada no ano passado, não acompanhei o meu marido ao Dia da Áustria. Interessante, a Hungria e a república Checa também celebram os seus dias nacionais esta semana; porém tenho de curar a constipação para poder gozar os netos, a partir do próximo sábado.

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Banksy com uma mensagem mais politica

Parece que a imagem de um quadro com guilhotina, que se auto destruiu há duas semanas após ter sido vendido em leilão, tem despertado a imaginação de muita gente e sido aproveitado para enviar uma mensagem politica. O seu autor, Banksy,é um artista de rua britânico com trabalhos dominados por uma forte componente satírica, subversiva e de humor negro.



Podemos imaginar  o que virá com o Brexit...

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Museu de Arte Ocidental Antiga Eng. Dumitru Furnică Minovici




A coleção de arte deste museu consiste sobretudo numa variedade de vitrais do século XV ao XX, de origem alemã, suíça ou austríaca, que representam brasões de algumas cidades, cenas bíblicas, ou alegorias. Encontramos ainda peças de mobiliário, tapeçarias, armamento medieval e algumas pinturas e esculturas, assim como livros raros, no rés do chão desta mansão. Foi  construída entre 1941- 42, para o engenheiro Dumitru Furnică Minovici (1897-1982) pelo arquitecto Enzo Canella, em estilo Tudor, com inserções normandas. O hall/salão, biblioteca, casa de jantar e um pequeno jardim podem ser visitados gratuitamente.
Em 1945, a casa foi doada à Academia Romana para evitar a sua nacionalização, segundo as politicas levadas a cabo pelo regime comunista.





Dumitru e Ligia Minovici






O dono da casa era sobrinho dos conhecidos irmãos Minovici, a quem se deve o progresso cientifico na área da medicina (filho de uma irmã) e herdeiro da villa Minovici, que se encontra num terreno ao lado, na mesma rua. Após a morte do marido, a sua mulher, Ligia Minovici continuou a viver na casa até a sua morte, em 2004 e ficou encarregada de gerir as duas doações (desta casa e a do Dr. Nicolae Minovici).


A porta de carvalho da entrada é do século XVII, uma reprodução do castelo Hornby em Yorkshire. O baixo relevo é o brasão de S. Hubert, que se junta a muitos outros. O batente da porta é italiano.

A entrada da casa é impressionante não só pelas suas dimensões, como também pelo trabalho em madeira. A lareira  monumental em pedra esculpida foi trazida da Toscana, de uma aldeia perto de Florença, Fiesole. É do período final da Renascença italiana (século XVI).







E ainda encontramos algo que fez com que valesse a pena a visita só por isso, ao meu marido:


 
Uma HISTÓRIA DE PORTUGAL de 1603.

domingo, 14 de outubro de 2018

O Museu de Arte Popular Nicolae Minovici

O museu abriu em 1906 e funcionou de forma privada até 1937, quando o seu fundador, o médico Nicolae Minovici,  doou à cidade de Bucareste a sua coleção de arte popular, contendo peças de cerâmica, tecidos e roupa de diversas regiões da Roménia, assim como a casa que mandou construir para a instalar e expor. A mansão nunca serviu de habitação. Só para alguns encontros familiares e local de reunião de médicos especialistas.
Em 1982, a administração do museu passou para o ministério da Cultura. Fechou devido à falta de especialistas na área, passando a integrar o Museu das Aldeias. Em 1998, voltou a ser transferido para o Município de Bucareste e, finalmente, em 2016, reabriu ao público.


A casa foi construída em 1905 pelo arquiteto Cristofi Cerchez











Os aquecimentos, em terracota, são muito bonitos.





Gostei muito da casa de jantar: as cadeiras forradas em tecido de tapetes tradicionais e os pratos no teto, a substituir um candeeiro, ideia muito original. Também tem uma excecional coleção de ovos pintados das diversas regiões da Roménia. 









Quem era este Dr. Nicolae Minovici, que deu o nome a uma rua de Bucareste?

O seu avô Ștefan Mina, jovem comerciante de gado conta-se entre os primeiros macedónios, que chegaram à Roménia na altura da guerra Russa-Otomana no século XIX. 
Com um passaporte da Sérvia, cujas autoridades tinham começado a mudar os nomes étnicos, "Mina" passou a ser Minovici. Ștefan estabeleceu-se em Craiova, onde casou e teve quatro filhos, um deles com o mesmo nome do pai.

Em meados do século XIX, a sua atividade comercial intensificara-se, expandindo-se. Começou então a negociar cavalos na Áustria e na Prússia. Aos poucos os filhos integraram-se nos negócios do pai, à exceção de Ștefan, o qual, após a morte do pai, reclamou a herança a que tinha direito e mudou-se para Râmnicu Sărat, a leste dos Cárpatos. Aí chegou a ser presidente de câmara, casou e teve filhos: Mina, Ștefan e Nicolae, jovens de talento e determinados. A família mudou-se para Bucareste para os filhos continuarem a estudar.


Nicolae obteve o título de doutor em medicina, em 1898 com a tese "Tatoos na Roménia", publicada no mesmo ano. Viveu no estrangeiro, mantendo contacto com especialistas em Berlim e Paris. Em 1905, a par da construção da villa, publicou "Estudo do Enforcamento", que se mantém único acerca desse tema na Roménia. Exerceu diversos cargos no ensino da medicina e foi diretor do Instituto Forense. Criou o primeiro hospital com uma ala de emergência, em 1934 e, em 1936, uma escola. A população escolheu-o, sem se candidatar, como presidente da Câmara.  Nesse cargo, introduziu muitos melhoramentos. Morreu em 1941.
A sua divisa está gravada, em latim, na fachada da casa: Labor Improbus Omnia Vincit, "O trabalho conquista tudo" 

Interessante estes médicos, colecionadores de arte. À semelhança de Bucareste, há em Lisboa a Casa-Museu do Dr Anastácio Gonçalves com uma fabulosa coleção de quadros do pintor Silva Porto (1850-1893).


O último casamento no Castelo de Windor




A Família Real Britânica divulgou agora as fotografias oficiais do casamento da neta da Rainha, a Princesa Eugenie de York e o senhor Jack Brooksbank. 


Não segui o casamento, mas pelas imagens e videos, dos media, não percebo a razão pela qual a noiva escolheu não usar véu. Seria mais tradicional e elegante, próprio para estes casamentos aristocráticos, com muitos espectadores. 
Outra coisa que não entendi, foi a escolha da leitura de uma passagem do Great Gatsby, do escritor americano F. Scott Fitzgerald, que considero muito pouco adequada para um casamento. Foi lida pela irmã da noiva. Felizmente ninguém foi atropelado pela carruagem real... 
Estavam todos muito bonitos e desejo aos noivos uma vida muito feliz.


sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Dia de Espanha




Hoje foi a Festa do Dia Nacional de Espanha no Clube Diplomático de Bucareste. O Embaixador aproveitou para se despedir uma vez mais da Roménia. Já lhe tínhamos oferecido um jantar de despedida. A sua  receção de despedida  também foi em junho. Porém, teve de permanecer aqui mais tempo e só regressa a Espanha na próxima semana. 

Desejo-lhe e à sua mulher, que é também muito simpática, um feliz regresso.






Feliz Día de la Fiesta Nacional, España!


Almoço em casa com crítico de restaurantes




Hoje para o almoço tivemos como convidado um empresário romeno, cuja gastronomia e crítica de restaurantes constitui o seu principal passatempo. Evidentemente, decidi oferecer um prato tradicional português. Aliás, perguntou-me logo que foi convidado se a comida seria do nosso país.

Não sou grande fã de arroz de pato, mas estava muito bom. Em Caracas nunca o fiz, porque vi nas ementas ser dos pratos mais cozinhados e por isso preferi outras receitas.

Escolhi também este prato tipico, porque no ano passado, quando não estava cá, a cozinheira fez a sua versão e o meu marido não gostou. Assim, foi uma ocasião para lhe ensinar como gosto.











A última vez que fiz esta receita foi para os 80 anos da minha sogra, um almoço-buffet na casa da minha filha. Como o tempo passa...

Vamos todos votar

Não.... não é para as eleições do Brasil. Confesso que também estou muito preocupada, mas este blog não é sobre politica.

Segundo o semanário Mundo Português, a canção portuguesa mais votada para o EU SONGBOOK está a ser Foi Deus cantada por Amália Rodrigues, que participa ainda com Barco Negro .

Pode votar AQUI.



Esta canção madeirense que eu canto e danço com os netos, não está entre as selecionadas...



quinta-feira, 11 de outubro de 2018