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segunda-feira, 18 de maio de 2026

A Casa-Museu Bissaya Barreto

 

Bissaya Barreto (1886-1974). Aluno brilhante, formou-se em Filosofia e Medicina na Universidade de Coimbra. Republicano convicto, viveu intensamente os movimentos estudantis republicanos, que antecederam o fim da monarquia e a proclamação da república. Foi deputado à assembleia nacional constituinte pelo partido evolucionista liderado por António José de Almeida. Em 1915 doutorou-se e iniciou carreira como professor universitário na faculdade de Medicina de Coimbra até 1956, ano em que se jubilou.
Além de cirurgião esteve à frente da campanha de luta contra a tuberculose, a lepra e as doenças mentais. Criou uma notável obra social de apoio à infância, lares para idosos, institutos maternais, bairros económicos, campos de férias, colónias balneares e fundou o Portugal dos Pequenitos, a sua obra mais emblemática. 
Instituiu ainda a Fundação Bissaya Barreto, herdeira de todos os seus bens.




A casa museu foi durante quase 50 anos a sua residência. Foi projetada pelo arquiteto Fiel Viterbo (1873-1954). A construção começou em 1923 e foi inaugurada no Natal de 1925.


A mansão está situada em local privilegiado, junto ao aqueduto e ao jardim botânico da Universidade de Coimbra.


No hall de entrada somos recebidos com o busto do médico em mármore branco português de Raul Xavier. Os azulejos de "tapete" com motivo maçaroca são do século XVII e recuperados de edifícios demolidos. Sobre a lareira destaca-se a escultura de Soares dos Reis "Flor Agreste".



Sala de Estar com sofá e cadeiras forradas em tapeçaria Aubusson. Sobre a lareira o retrato do médico pintado por Malhoa. Azulejos originais, do século XX, e teto com medalhões representando palácios de Portugal.


Sala de Jantar com mobiliário em estilo Império inglês  Na parede uma gravura de Domingos de Sequeira (1813).


A Galeria Eduardo Malta tem o nome do pintor que fez as duas grandes telas, que estiveram expostas na Exposição do Mundo Português. Foi dos poucos quartos que foi remodelado (existiam 2 pequenos quartos de dormir para as suas irmãs, quando o iam visitar) dando lugar a uma divisão maior.

Achei interessante no quarto de dormir a escultura de um Buda aos pés da cama numa pequena mesa. O guia disse-nos que dava sorte. Na cómoda duas deusas da felicidade japonesas. O meu marido lembrava-se de ver na infância em algumas casas figuras orientais semelhantes.




A Galeria das Porcelanas da China não me entusiasmou, mas gostei muito dos quadros, uma natureza morta do pintor naturalista francês Corot  e uma miniatura a óleo de Josefa de Óbidos.



Na Sala da Faiança fiquei encantada com os dois famosos pratos "ratinhos"













No entanto foi a biblioteca o quarto da minha predileção. Encontramos aqui o quadro da Mãe do médico. Foi solteiro toda a vida.


O Gabinete de Trabalho, ao lado, onde costuma estar exposto o livro com a tese de doutoramento de Bissaya Barreto sobre a importância do Sol para a saúde.








No corredor com pintura portuguesa e bonitos azulejos, só reconheci Malhoa, João Reis (filho de Carlos Reis) e Roque Gameiro.


Escultura em bronze de Teixeira Lopes



Foi uma visita muito agradável com um senhor simpático.



Hoje, 18 maio, celebra-se o Dia dos Museus. Data importante para chamar à atenção para a relevância dos museus como forma de preservar e mostrar património.   

domingo, 17 de maio de 2026

A Última Rainha de Portugal

 

D. Amélia de Orléans e de Bragança (1865-1951)

Fotografia no Museu dos Coches, fundado pela Rainha

Trinta e cinco anos após a sua partida para o exilio (1910), a Rainha D. Amélia regressou a Portugal. Foi no mesmo mês que chegara, em 1886, para  casar com D. Carlos. Em 18 de maio de 1945 chegou a Lisboa e instalou-se no hotel Avis com a sua comitiva. Tinha 79 anos.


Nas seis semanas que aqui permaneceu teve oportunidade de recordar o seu passado, visitando os locais onde viveu e as obras de assistência que fundara.

Na despedida deixou 500 contos, que foram depositados no Banco de Portugal, para que o chefe do governo os usasse como achasse que seria conveniente ao país.

Aguarela sobre papel Palácio da Pena in Rainha D. Amélia Pintora e Mecenas do Património Histórico de José Alberto Ribeiro. Caleidoscópio 2025 


Regressou a França, ao Palácio de Bellevue, junto a Versalhes, onde viveu, desde 1922, até à sua morte em 1951. A casa foi deixada por testamento ao governo francês.
Em Portugal, todos os seus bens foram legados ao primogénito dos duques de Bragança, D. Duarte Pio, seu afilhado.
Acabei de ler a biografia de D. Amélia de José Alberto Ribeiro, baseada em todos os seus diários, que são propriedade da Casa de Orléans e estão depositados nos Arquivos Nacionais de França. Muito interessante.!


Aquarela de girassóis da Rainha D. Amélia pertencente à Fundação Medeiros e Almeida.

O Novo Edifício do Liceu Jaime Moniz faz 80 anos


Estudei no Liceu Jaime Moniz do 1º ao 7º ano (hoje em dia do 6º ao 11º ano- o 12º ano foi adicionado ao curriculum muito mais tarde), depois de fazer o exame de admissão na 4a classe.



A nossa viagem de finalistas foi às Canárias: Las Palmas e Tenerife. Ficámos no hotel Utiaca


Quando acabei o curso e já vivendo em Lisboa, regressei à Madeira por um ano, pois foi também naquele liceu que dei aulas pela primeira vez, tanto neste edifício como em instalações junto ao mercado (80-81).


Em 1999, voltei à Madeira desta vez com os meus filhos e, claro, não podia faltar uma passagem pelo Liceu, assim como em 2006-7  e  2015-16, quando lá passámos o fim do ano.
Em 2022 comemorámos os 40 anos de casados no Funchal; e, há dois anos, regressei à Madeira para celebrar os 50 anos de Setimanista


2024

sexta-feira, 15 de maio de 2026

quinta-feira, 14 de maio de 2026

Dia da Ascenção 2026: 14 maio




Hoje é o  Dia da Ascenção, celebrado no quadragésimo dia após o domingo de Páscoa (sempre uma quinta-feira). 
 Hoje também se celebra o Dia da Espiga

Citação 9

 


Pousada Convento Vila Viçosa

"Quando lá entrei (Paço de Vila Viçosa) pela primeira vez, havia lixo venerável do tempo da Restauração! Fui um vendaval que entrou...Arranquei as ervas que cresciam à solta desde El-Rei D. João IV, limpei, pintei, compus aqui e ali, e, sobretudo não destruí, como era moda então. Lembro-me até que as Santas freiras do delicioso Convento das Chagas me receberam. E como eu gabasse  muito aquele lindo claustrozinho, cheio de era e de poesia, dizendo que o viria pintar no dia seguinte, as piedosas senhoras, para me serem amáveis, perderam a noite a limpar tudo, a descascar todas as pedras dos musgos e das eras românticas, e caiaram elas próprias, irrepreensivelmente e duma forma imprevista, o pitoresco local...o claustro ficou irreconhecível e eu...é claro não o pude desenhar...-santos tempos"

Entrevista concedida por D. Amélia, última Rainha de Portugal a Leitão Barros em 1938.

(em 1951, pouco antes da sua morte dá uma outra entrevista, que pode ser consultada online)


Citação na obra Rainha D. Amélia: Pintora e Mecenas do Património Português de José Alberto Ribeiro. Caleidoscópio, 2025, pagina 85


D. Amélia a pintar. Desenho do marido, Rei D. Carlos pagina 78

quarta-feira, 13 de maio de 2026

O tempo de D. João VI



D. João VI e D. Carlota Joaquina, jovens
no Palácio de Queluz

Por ocasião do bicentenário da morte de D. João VI (1767–1826), o Palácio Nacional da Ajuda organizou um colóquio em 13 de maio, dia do nascimento do monarca, na Sala D. João VI.


O programa começava às 10h e terminava às 17h. Não consegui assistir depois do almoço. As cadeiras não eram confortáveis, sobretudo para quem, como eu, estava a sofrer ainda de dores nas costas, após uma grande queda na semana passada.

O colóquio começou com o Professor Miguel Figueira de Faria, que falou do escultor neoclássico João José de Aguiar (1768-1842) .

Referiu que estamos a assistir a um ressurgimento de exposições internacionais sobre o neoclassicismo, como a recente sobre Mengs, no Prado, que tive o prazer de visitar em janeiro.       (autorretrato)

Segundo aquele historiador, João José de Aguiar foi ofuscado por Machado de Castro e não encontrou, verdadeiramente, boas condições para desenvolver a sua arte. Em Roma, onde foi bolseiro, participou no círculo de Antonio Canova e colaborou na execução do monumento a D. Maria I, hoje em dia no Largo do Palácio de Queluz. 


É da sua autoria um conjunto de nove esculturas alegóricas, que decoram o vestíbulo principal do Palácio da Ajuda


A Perseverança no Palácio da Ajuda

A Professora Sofia Braga apresentou os projetos decorativos dos Palácios de D. João VI e também como foram afetados pelas complexas vicissitudes, que marcaram  a Regência e o Reinado daquele Monarca, em consequência das invasões francesas. O meu marido encontrou um livro, de que é autora, sobre Cyrillo Volkmar Machado (1748-1823), uma personalidade ímpar no mundo das artes do século XVIII português. Além de pintor, teórico e historiador de arte, o seu caráter empreendedor levou-o a instituir em Lisboa a primeira Academia de Desenho. Estamos a pensar encomendá-lo.


Depois de sair do colóquio fomos a Queluz, porque não me recordava do monumento a D. Maria I e como estou a ler sobre a Rainha D. Amélia, encontrei um belíssimo livro sobre a sua faceta artística, pelo mesmo autor da sua biografia e comprámo-lo.





terça-feira, 12 de maio de 2026

Feira de Arte e Antiguidades de Lisboa

 



Hoje fui à Cordoaria Nacional visitar a Feira de Arte e Antiguidades. Por cada bilhete duplo oferecem o catálogo.

A mostra está cuidadosamente organizada com os participantes a exporem de forma elegante as suas peças.  Falámos com vendedores muito simpáticos, em especial no stand de tapetes. Por coincidência o dono veio viver para Portugal, quando nós ainda vivíamos na Turquia e lembrava-se do nome da secretária da secção consular, pois nessa altura passou a ser necessário visto. Dispunha de bonitos exemplares, mas em todos os expositores vi belos objetos para decorar e colecionar: quadros, pratas, jóias. Haja dinheiro para gastar...

Gosto mais da exposição na Cordoaria, onde era há anos, do que no Beato para onde mudou depois e deixei de ir, até porque na maior parte das ocasiões não estava em Lisboa.