A comprar tâmaras a um tuaregue que já visitou Portugal
A viagem a Marrocos teve uma pequena alteração no início. Estava previsto partirmos na quarta-feira, dia 3 de junho, mas, na semana anterior, a agência de viagens contactou-nos para informar que teríamos de partir na véspera, pois o nosso voo para Casablanca fora cancelado devido à greve geral, Assim, seguimos numa outra companhia para Tânger e apesar de vermos tudo o que estava programado, houve alteração na ordem.
Esta viagem num grupo de 15 pessoas foi menos cansativa do que as grandes viagens que fiz recentemente à
China, ao
Brasil e ao
Uzbequistão. Todas tinham em comum o gosto de viajar e eram já viajantes com muita experiência. Trocamos informações de viagens e fiquei curiosa de conhecer alguns países que visitaram e, por outro lado, rejeitei outros por incluírem atividades muito radicais.
O voo demora pouco mais de uma hora e em todo o percurso de norte a sul do país utilizou-se uma mesma camioneta de turismo confortável e com acesso à internet.
Em vez de termos um guia para cada grande cidade foi sempre o mesmo, que falava um portunhol compreensível. O motorista era cuidadoso na condução e tinha um ajudante, que fazia a distribuição de garrafas de água todos os dias, arrumava a bagagem e ajudava nas descidas.
Para mim esta experiência foi enriquecedora. Nunca tinha estado em Marrocos, que parece passar, desde há 14 anos, por um período de desenvolvimento acelerado. Gostei de observar as suas grandes diferenças regionais, quer na paisagem, fauna e flora quer na arquitetura, com um norte mais limpo e organizado e um sul algo caótico, tendo como expoente máximo Marraquexe.
Passámos de uma cidade que parecia europeia- Tânger com uma marina cheia de iates para as montanhas do Rif, vimos barragens (até o nosso "colega" americano, que não falava português disse na brincadeira que era uma miragem e quando fosse revelar as fotos não estava lá nada) e o guia mencionou que são 144 as barragens existentes em Marrocos, que desempenham um papel crucial na gestão hídrica e na produção de eletricidade do país.
Passámos por barragens, deserto, oásis, vimos neve, muito ao longe, nas montanhas do Alto Atlas e chegámos à capital financeira de Marrocos: Casablanca. Uma viagem de contrastes inesquecíveis.
Marrocos é o único país que celebra 4 diferentes datas na passagem do ano. Segundo o calendário gregoriano estão em 2026; o hegir (muçulmano) em 1447; o hebraico (judeu) em 5755 e o Amzir (berbere) em 2973.
Porta azul de Chefchaouen
Muitas cidades têm à sua entrada uma grande escultura, que simboliza a atividade pela qual são mais conhecidas.
Os táxis mudam de cor nas diferentes localidades
Verdes em Ifrane, vermelhos em Casablanca , amarelos em Marraquexe...


Gostei muito da comida tradicional marroquina e não fiquei farta depois de comer
tagine, quase todos os dias.
A carne, peixe ou legumes são cozinhados lentamente numa panela de barro, que resiste a altas temperaturas.
Comprei dois livros para experimentar algumas receitas
Gosto muito de cuscuz, que na Madeira é acompanhamento do cozido à portuguesa
Fiquei fã do chá de menta de Marrocos
É interessante uma passagem pelos souks (mercados tradicionais) situados nas medinas (cidades velhas muralhadas), mas não tenho paciência para o regatear de preços, que pode demorar interminavelmente. Aliás, não duvido que o comerciante fica sempre a ganhar.
Gosto muito de roupa tradicional e já tenho muitos kaftans, mas acho que a melhor escolha são as boutiques dos grandes hotéis, que têm produtos mais originais, talvez mais caros, porém a preços fixos.
Este vestido marroquino em seda trouxe-me o meu marido há anos, quando fez escala em Casablanca. Fez muito sucesso no hotel em Tânger. Realmente não encontrei nenhum semelhante. Até a empregada do bar perguntou se podia tocar no tecido, que parecia de muita qualidade.
Adicionei mais um país à minha lista