A Capela da Rainha Santa Isabel fica situada num recanto da Praça D. Dinis, abrigada no vão de dois torreões da ala ocidental do Castelo de Estremoz.
A entrada da capela impressiona, com um portão de ferro seguido por uma bela porta de mármore, sobre a qual está o brasão real.
A cidade branca, assim chamada devido à cor das casas e às jazidas de mármore branco, o célebre “Mármore de Estremoz”, tem sempre rodapés pretos nos edíficios públicos, em sinal de luto pela morte da Rainha Santa, que morreu em Estremoz em 4 de julho de 1336.
Sobe-se uma escadaria de mármore, decorada com bonitos azulejos seiscentistas.
Pertencente ao conjunto monumental da Alcáçova de Estremoz, a capela foi mandada edificar por D. Luísa de Gusmão, viúva de D. João IV, em 1659. Transformou os antigos aposentos da Rainha num oratório em celebração da importante vitória na Batalha das Linhas de Elvas, durante a Guerra da Restauração.
No entanto, em 1698, uma explosão destruiu o paço medieval, então usado como armazém militar e, em 1715, o rei D. João V mandou construir o edifício atual.
A capela é de uma só nave de planta retangular e as suas paredes estão revestido de belos painéis de azulejos do século XVIII, ilustrando cenas da vida de Santa Isabel e os seus milagres e, segundo José Meco, atribuídos a Teotónio dos Santos (c. 1725). No teto, destaca-se uma pintura do século XVIII, representando a subida de Santa Isabel ao céu.
O Milagre da Criança salva pela Rainha de morrer afogada
O Milagre das águas do Tejo que se apartam
A Paz de Alvalade que opôs D. Dinis ao filho D. Afonso
As telas a óleo, de André Gonçalves (c.1730), são também representativos da vida e imaginário lendário da Rainha Santa Isabel, nomeadamente os milagres que lhe são atribuídos e que são a causa da sua canonização em 1625 pelo papa Urbano VIII.
O Milagre das Rosas
Milagre da transformação do vinho em água
Tomada de hábito da Rainha Santa Isabel
Milagre da cura da criança cega
As Rainhas (D. Isabel e a nora, D. Beatriz) servem as freiras
no Convento de Santa Clara a Velha
Milagre da Aparição da Virgem a Santa Isabel
O exuberante coro construído numa só peça em mármore branco exibe uma inscrição latina, de 1808, de agradecimento da população de Estremoz a Santa Isabel por tê-la protegido dos saques resultantes das Invasões Francesas.
O espaço é enriquecido com as armas reais das Casas de Portugal e de Aragão, além de azulejos setecentistas, representando anjos e também as armas reais da Hungria, pois Santa Isabel da Hungria e Turíngia, (1207-1231). de quem se conta também o milagre das rosas, era sua tia-avó.
No altar é patente a transição do barroco para o neo-clássico, com obras de cantaria artística em mármores das regiões de Estremoz (branco), Sintra (rosa) e de Viana (verde) .
Há três imagens do século XX: ao centro, a Rainha Santa Isabel, acompanhada por São Filipe Néri e São Lázaro.
Por detrás da tribuna do altar existe um pequeno espaço que, segundo a tradição, terá sido o local da morte da Rainha Santa Isabel.
Mais do que um simples monumento, esta capela é um lugar cheio de história e imperdível para quem visita Estremoz. Nunca a tinha encontrado aberta, mas agora aprendi na Pousada, que vamos ao Museu Municipal (que também vale a pena visitar) pedir que a abram e o senhor encarregado da chave é um orgulhoso local, que nos conta toda a história da capela.