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quarta-feira, 17 de junho de 2026

Em Tânger

No Petit Socco, o coração do centro histórico de Tânger

Tânger é diferente de todas as outras cidades marroquinas. Tem ar mais europeu. A sua história moldou-a o mar e a sua localização estratégica no estreito de Gibraltar.


Em 1471 foi tomada pelos portugueses, que a mantiveram na sua posse até 1661, ano em que foi oferecida a Carlos II de Inglaterra, parte do dote pelo seu casamento com a filha de D. João IV, a Infanta D. Catarina de Bragança (o dote incluía também Bombaim- Mumbai-na Índia), cimentando a Aliança Luso-Inglesa em plena Guerra da Restauração (1640-1668). Os ingleses acabaram por ser expulsos em 1684, mas antes arrasaram a cidade e o porto.

 Hoje em dia o porto de Tânger é o maior de Marrocos.


Tapeçarias de Pastrana. A entrada em Tânger (as chamadas Tapeçarias de Pastrana são um conjunto de tapeçarias de grandes dimensões, que celebram episódios da conquista das praças marroquinas de Arzila  e Tânger por D. Afonso V, em 1471). As suas réplicas, em tamanho real, encontram-se expostas no Palácio dos Duques de Bragança em Guimarães.

"Tânger marca algumas humilhações nos impulsos militares, já que os contingentes portugueses foram ali derrotados em 1437 e em 1463. O filho mais novo de Dom João I, D. Fernando, foi entregue como refém, após o desastre de Tânger em 1437. Os marroquinos propuseram a sua troca pela devolução de Ceuta, mas a coroa portuguesa não aceitou. O Infante morreu na prisão em 1443. O seu corpo foi resgatado e sepultado no Mosteiro da Batalha".
João Paulo Oliveira e Costa  Grandes Batalhas: Tânger e Arzila

Henri Matisse (1869-1954) A Baía de Tânger. Museu de Grenoble
Matisse viveu algum tempo em Marrocos.



Gostei muito do hotel onde ficámos três noites com uma bonita vista sobre a baía e a marina 




Ao fim da tarde, sabia-me bem nadar na piscina e depois ir tomar uma bebida ao último andar com vista deslumbrante sobre toda a baía de Tânger.





No caminho para o Cabo Espartel, o ponto mais a noroeste do continente africano visitámos as Grutas de Hércules, onde supostamente o semideus grego dormiu, antes de realizar os seus 12 trabalhos.



Cabo Espartel. No horizonte pode-se observar a união das águas quase turquesas do mar mediterrâneo com as águas mais escuras do oceano atlântico.

O farol do Cabo Espartel (1864)




Museu Ibn Battuta dedicado à celebração da vida e viagens deste explorador marroquino do século XIV
Ibn é um prefixo comum no árabe que significa "filho de".



O Kasbah da medina de Tânger







 




Tânger merece ser reconhecida como "Capital do norte".

segunda-feira, 15 de junho de 2026

A minha experiência marroquina


A comprar tâmaras a um tuaregue que já visitou Portugal

A viagem a Marrocos teve uma pequena alteração no início. Estava previsto partirmos na quarta-feira, dia 3 de junho, mas, na semana anterior, a agência de viagens contactou-nos para informar que teríamos de partir na véspera, pois o nosso voo para Casablanca fora cancelado devido à greve geral, Assim, seguimos numa outra companhia para Tânger e apesar de vermos tudo o que estava programado, houve alteração na ordem.

Esta viagem num grupo de 15 pessoas foi menos cansativa do que as grandes viagens que fiz recentemente à China, ao Brasil e ao Uzbequistão. Todas tinham em comum o gosto de viajar e eram já viajantes com muita experiência. Trocamos informações de viagens e fiquei curiosa de conhecer alguns países que visitaram e, por outro lado, rejeitei outros por incluírem atividades muito radicais.


O voo demora pouco mais de uma hora e em todo o percurso de norte a sul do país utilizou-se uma mesma camioneta de turismo confortável e com acesso à internet.


Em vez de termos um guia para cada grande cidade foi sempre o mesmo, que falava um portunhol compreensível. O motorista era cuidadoso na condução e tinha um ajudante, que fazia a distribuição de garrafas de água todos os dias, arrumava a bagagem e ajudava nas descidas.


Para mim esta experiência foi enriquecedora. Nunca tinha estado em Marrocos, que parece passar, desde há 14 anos, por um período de desenvolvimento acelerado. Gostei de observar as suas grandes diferenças regionais, quer na paisagem, fauna e flora quer na arquitetura, com um norte mais limpo e organizado e um sul algo caótico, tendo como expoente máximo Marraquexe.

Passámos de uma cidade que parecia europeia- Tânger com uma marina cheia de iates para as montanhas do Rif,  vimos barragens (até o nosso "colega" americano, que não falava português disse na brincadeira que era uma miragem e quando fosse revelar as fotos não estava lá nada) e o guia mencionou que são 144 as barragens existentes em Marrocos, que desempenham um papel crucial na gestão hídrica e na produção de eletricidade do país.





Passámos por barragens, deserto, oásis, vimos neve, muito ao longe, nas montanhas do Alto Atlas e chegámos à capital financeira de Marrocos: Casablanca. Uma viagem de contrastes inesquecíveis.

Marrocos é o único país que celebra 4 diferentes datas na passagem do ano. Segundo o calendário gregoriano estão em 2026; o hegir (muçulmano) em 1447; o hebraico (judeu) em 5755 e o Amzir (berbere) em 2973.

Porta azul de Chefchaouen

Muitas cidades têm à sua entrada uma grande escultura, que simboliza a atividade pela qual são mais conhecidas.

Os táxis mudam de cor nas diferentes localidades


 Verdes em Ifrane, vermelhos em Casablanca , amarelos em Marraquexe...


Gostei muito da comida tradicional marroquina e não fiquei farta depois de comer tagine, quase todos os dias.

A carne, peixe ou legumes são cozinhados lentamente numa panela de barro, que resiste a altas temperaturas.







Comprei dois livros para experimentar algumas receitas
Gosto muito de cuscuz, que na Madeira é acompanhamento do cozido à portuguesa 




Fiquei fã do chá de menta de Marrocos

É interessante uma passagem pelos souks (mercados tradicionais) situados nas medinas (cidades velhas muralhadas), mas não tenho paciência para o regatear de preços, que pode demorar interminavelmente. Aliás, não duvido que o comerciante fica sempre a ganhar. 
Gosto muito de roupa tradicional e já tenho muitos kaftans, mas acho que a melhor escolha são as boutiques dos grandes hotéis, que têm produtos mais originais, talvez mais caros, porém a preços fixos.




Este vestido marroquino em seda trouxe-me o meu marido há anos, quando fez escala em Casablanca. Fez muito sucesso no hotel em Tânger. Realmente não encontrei nenhum semelhante. Até a empregada do bar perguntou se podia tocar no tecido, que parecia de muita qualidade.













Adicionei mais um país à minha lista