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segunda-feira, 15 de junho de 2026

A minha experiência marroquina


A comprar tâmaras a um tuaregue que já visitou Portugal

A viagem a Marrocos teve uma pequena alteração no início. Estava previsto partirmos na quarta-feira, dia 3 de junho, mas, na semana anterior, a agência de viagens contactou-nos para informar que teríamos de partir na véspera, pois o nosso voo para Casablanca fora cancelado devido à greve geral, Assim, seguimos numa outra companhia para Tânger e apesar de vermos tudo o que estava programado, houve alteração na ordem.

Esta viagem num grupo de 15 pessoas foi menos cansativa do que as grandes viagens que fiz recentemente à China, ao Brasil e ao Uzbequistão. Todas tinham em comum o gosto de viajar e eram já viajantes com muita experiência. Trocamos informações de viagens e fiquei curiosa de conhecer alguns países que visitaram e, por outro lado, rejeitei outros por incluírem atividades muito radicais.


O voo demora pouco mais de uma hora e em todo o percurso de norte a sul do país utilizou-se uma mesma camioneta de turismo confortável e com acesso à internet.


Em vez de termos um guia para cada grande cidade foi sempre o mesmo, que falava um portunhol compreensível. O motorista era cuidadoso na condução e tinha um ajudante, que fazia a distribuição de garrafas de água todos os dias, arrumava a bagagem e ajudava nas descidas.


Para mim esta experiência foi enriquecedora. Nunca tinha estado em Marrocos, que parece passar, desde há 14 anos, por um período de desenvolvimento acelerado. Gostei de observar as suas grandes diferenças regionais, quer na paisagem, fauna e flora quer na arquitetura, com um norte mais limpo e organizado e um sul algo caótico, tendo como expoente máximo Marraquexe.

Passámos de uma cidade que parecia europeia- Tânger com uma marina cheia de iates para as montanhas do Rif,  vimos barragens (até o nosso "colega" americano, que não falava português disse na brincadeira que era uma miragem e quando fosse revelar as fotos não estava lá nada) e o guia mencionou que são 144 as barragens existentes em Marrocos, que desempenham um papel crucial na gestão hídrica e na produção de eletricidade do país.





Passámos por barragens, deserto, oásis, vimos neve, muito ao longe, nas montanhas do Alto Atlas e chegámos à capital financeira de Marrocos: Casablanca. Uma viagem de contrastes inesquecíveis.

Marrocos é o único país que celebra 4 diferentes datas na passagem do ano. Segundo o calendário gregoriano estão em 2026; o hegir (muçulmano) em 1447; o hebraico (judeu) em 5755 e o Amzir (berbere) em 2973.

Porta azul de Chefchaouen

Muitas cidades têm à sua entrada uma grande escultura, que simboliza a atividade pela qual são mais conhecidas.

Os táxis mudam de cor nas diferentes localidades


 Verdes em Ifrane, vermelhos em Casablanca , amarelos em Marraquexe...


Gostei muito da comida tradicional marroquina e não fiquei farta depois de comer tagine, quase todos os dias.

A carne, peixe ou legumes são cozinhados lentamente numa panela de barro, que resiste a altas temperaturas.







Comprei dois livros para experimentar algumas receitas
Gosto muito de cuscuz, que na Madeira é acompanhamento do cozido à portuguesa 




Fiquei fã do chá de menta de Marrocos

É interessante uma passagem pelos souks (mercados tradicionais) situados nas medinas (cidades velhas muralhadas), mas não tenho paciência para o regatear de preços, que pode demorar interminavelmente. Aliás, não duvido que o comerciante fica sempre a ganhar. 
Gosto muito de roupa tradicional e já tenho muitos kaftans, mas acho que a melhor escolha são as boutiques dos grandes hotéis, que têm produtos mais originais, talvez mais caros, porém a preços fixos.




Este vestido marroquino em seda trouxe-me o meu marido há anos, quando fez escala em Casablanca. Fez muito sucesso no hotel em Tânger. Realmente não encontrei nenhum semelhante. Até a empregada do bar perguntou se podia tocar no tecido, que parecia de muita qualidade.













Adicionei mais um país à minha lista






terça-feira, 2 de junho de 2026

Viagem a Marrocos



Acredita-se que o nome do país deriva das palavras berberes amur (terra) e akush (Deus), resultando em "Terra de Deus"-

Localizado no Magrebe, a situação geográfica de Marrocos, com o oceano Atlântico a oeste, a África Subsariana a sul, a Europa a norte e o Mediterrâneo a leste confere-lhe um envolvimento geográfico único no mundo muçulmano e vantagens significativas nas ligações entre norte e sul do continente africano e das rotas atlânticas, assim como entre o Atlântico e o Mediterrâneo. Claro, representam ainda  vantagens relevantes na área do turismo. É um país montanhoso, destacando-se quatro grandes cadeias de montanhas: o Rife (no norte que se estende entre Tânger e Ceuta até â fronteira argelina), o Médio Atlas, o Alto Atlas e o Antiatlas.


RAZÕES PARA FAZER ESTA VIAGEM:

Visitar as quatro cidades imperiais de Marrocos as quais serviram, em diferentes épocas, como capitais dos reinos marroquinos.
Fez: A mais antiga, fundada em 789, mais conhecida pela sua medina medieval, a maior do mundo.
Marraquexe: Fundada em 1062, famosa pela vibrante praça Jemaa el-Fna e pelos seus souks (mercados tradicionais).
Rabat: A atual capital política, fundada em 1150, combina história com modernidade à beira-mar.
Meknes: E as suas impressionantes muralhas e portas monumentais, fundada em 1672.

Visita a Casablanca, a capital económica de Marrocos, fundada em 1515 pelos Portugueses, que a abandonaram definitivamente em 1755. A mesquita de Hassan II é a terceira maior do mundo, depois das mesquitas em Meca e em Medina.

E depois há sempre a lembrança do filme clássico... 

Casablanca (filme a preto e branco de 1942) mostra a cidade marroquina  durante a II Guerra Mundial, como lugar de passagem entre a Europa ocupada pelos nazis e a América, terra de liberdade. Destaca-se o "Rick's Cafe", o bar de Rick (Bogart) como ponto de todos os encontros. Aí aparece Ilsa Lund (Ingrid Bergman), acompanhada pelo seu marido, o ativista anti nazi Victor Laszlo . O encontro de Ilsa com Rick provoca recordações de um romance passado, que tinha terminado com a queda de Paris perante as tropas nazis. Assim, os dois temas: o político e o romântico aparecem interligados.

O filme foi realizado em tempo recorde em Hollywood e as gravações começaram, quando o argumento ainda nem sequer estava finalizado. Na sua biografia, Ingrid Bergman confessa que foi a situação política que ditou o seu sucesso. Uma resposta humilde, pois conta com excelentes interpretações de magníficos atores, a começar por ela e Humphrey Bogart, além do grande realizador de origem húngara Michael Curtiz. Atendendo ao enorme êxito do filme, é curiosa a confissão de Ingrid Bergman:

" In Casablanca I kissed Bogart but I never really knew him. He came out of his dressing room, did his scene, then fled away again. It was all very strange and distant"  Donald Spoto Notorious. The Life of Ingrid Bergman Harper Collins 1997 (pag 127).
Apesar de existir um Rick´s Cafe em Casablanca, só abriu em 2004 para criar na cidade um ambiente revivalista, algo semelhante ao filme. Tem música ao vivo e um ambiente requintado. O meu filho já lá esteve.

Visita a Tânger e Arzila

Visita a Essaouira, a antiga Mogadoiro portuguesa

Visita a El Jadida, a antiga Mazagão Portuguesa.

Visita a Chefchaouen, situada nas montanhas do Rif e fundada em 1471 para combater as invasões portuguesas. Na sua Medina as casas são pintadas de azul e branco.

Visita à cidade branca de Tétouan de forte influência andaluza.

Visita a Volubilis, cidade romana

Visita a um dos melhores preservados kasbahs (Kasbah de Télouet, por vezes também chamado Dar Glaoui). Os kasbahs (casbás) são construções fortificadas de origem berbere, encontradas principalmente no sul de Marrocos e fazem parte da identidade arquitetónica e histórica do país. Estes edifícios foram projetados para oferecer proteção contra invasões, tempestades de areia e climas extremos, como o frio intenso das noites desérticas. São construídos com adobe (mistura de argila, palha e estrume secas ao sol). Este material tradicional permite uma excelente regulação térmica e, quando bem conservado, pode durar séculos.
Testemunhar a grandiosidade do ksar Ait-Benhaddou (cenário eleito para diversos filmes como Lawrence da Arábia)
A principal diferença entre um kasbah e um ksar  reside na sua escala e função: um kasbah é uma residência fortificada individual ou palácio (para um chefe ou família nobre), enquanto um ksar é uma aldeia ou vila inteira fortificada, abrigando uma comunidade.

Passar por uma densa floresta de cedros  localizada na cordilheira do Médio Atlas, nas proximidades da cidade de Ifrane (a cidade tem um aspeto europeu, lembrando uma aldeia dos Alpes, o que está na origem do epíteto de "Pequena Suíça").

Passagem por El Kelaa M'gouna, capital da região marroquina das rosas.

Incursão no deserto marroquino para assistir ao nascer do sol no Erg Chebb, que é um dos dois grandes ergues (conjunto de dunas) do deserto do Saara de Marrocos; visitar as Gargantas do Todra .

A memória portuguesa em Marrocos:

Os Mártires de Marrocos (ou Marraquexe) foram cinco frades franciscanos italianos enviados por São Francisco de Assis, que foram martirizados a 16 de janeiro de 1220 em Marraquexe, Marrocos, após pregarem o cristianismo. O seu sacrifício motivou a entrada de Santo António de Lisboa na ordem franciscana.


Cofre-relicário dos Mártires de Marraquexe (Mosteiro de S. Vicente de Fora)

A Degolação dos Cinco Mártires de Marrocos é um dos dezesseis painéis do Políptico do Convento de São Francisco de Évora da autoria do pintor flamengo Francisco Henriques, a trabalhar em Portugal no séc. XVI. Encontra-se no MNAA.

A Igreja dos Santos Mártires, inaugurada em 1929, é uma igreja católica localizada no centro da cidade de Marraquexe. Situa-se em frente da mesquita de Gueliz  A proximidade dos dois lugares de culto de diferentes religiões torna o lugar um ponto de referência de tolerância religiosa..


D. Sebastião
Pintura no Mosteiro das Descalças Reais, Madrid
Escultura no Palácio da Ajuda

A Batalha de Alcácer Quibir, em 1578, conhecida como a Batalha dos Três Reis em Marrocos foi uma derrota esmagadora, pois o Rei de Portugal D. Sebastião foi morto no confronto e o seu exército foi eliminado pelas forças marroquinas em aliança com o Império Otomano. O rei aliado dos portugueses assim como o pretendente ou usurpador do trono marroquino morreram igualmente durante os combates. Teve consequências muito nefastas para o Reino de Portugal, mas tornou também impossível o avanço e eventual domínio dos otomanos em território marroquino.

De todos os programas sobre Marrocos, o que vamos fazer pareceu-nos o mais abrangente, até pelo nome: Marrocos Completo.

Partimos esta noite. Até daqui a duas semanas...



domingo, 31 de maio de 2026

Dia dos Irmãos e Irmãs


Hoje, 31 de maio, celebra-se o do Dia dos Irmãos – também referido, nas diferentes línguas, como Dia do Irmão ou Dia dos Irmãos e Irmãs – é bastante recente, ao contrário de outras celebrações de caráter familiar, como os antigos Dia da Mãe e Dia do Pai, que me recordo de sempre celebrar.

sexta-feira, 29 de maio de 2026

Avô babado

 

 

O Pedro foi hoje à pediatra, que lhe perguntou  "jogas à bola?" ... "sim".... "com quem?".... "com o Abô".




Por acaso das primeiras palavras que falou foi "Golo" do livro do Ursinho Tito, que o avô lia repetidamente.

quinta-feira, 28 de maio de 2026

28 de maio de 1926- Centenário

 


O golpe militar de 28 de Maio de 1926 chefiado pelo general Manuel Gomes da Gosta (à direita) derrubou a I República Portuguesa e instaurou a Ditadura Militar, abrindo caminho para a ascensão de Salazar e o Estado Novo, a partir de 1933, que perdurou até o 25 de abril de 1974.

Independentemente das tendências políticas dos historiadores, todos atribuem, com maior ou menor ênfase, a motivação e o sucesso para aquele movimento militar, às razões seguintes: constante instabilidade política; dificuldades económico-financeiras, sobretudo após a I Guerra Mundial, na qual Portugal participou militarmente enviando um corpo expedicionário de cerca de 50.000 homens para França em 1917; permanente agitação social; perseguições contra a Igreja; e os múltiplos confrontos entre grupos armados, destacando-se a intolerância e mesmo ferocidade dos militantes fanáticos do Partido Republicano (mais conhecido como partido  democrático) contra os monárquicos e outros agrupamentos partidários republicanos menos radicais ou conservadores.

terça-feira, 26 de maio de 2026

640 anos do Tratado de Windsor

 


Cortejo de despedida e embarque de Dona Catarina de Bragança em Lisboa
Dirk Stoop veio para Portugal a convite de D. João IV.
Convertido em pintor de corte, acompanhou D. Catarina de Bragança a Inglaterra,
por ocasião do seu casamento com o rei Carlos II, em 1662.


Imagem da gravura de Dirk Stoop Entrada de Carlos II e
 Catarina de Bragança em Londres, 1662


O Tratado de Windsor  de 1386 entre  D. João I de Portugal  e o Rei Ricardo II de Inglaterra  instituiu a mais antiga aliança diplomática do mundo ainda em vigor. Consagra e renova a Aliança Luso-Inglesa, assinada entre os dois Reinos em 1373, de paz, amizade e cooperação. Resultou também do importante apoio de um destacamento militar inglês, sobretudo arqueiros, que combateram ao lado dos portugueses na Batalha Real de Aljubarrota de 14 de agosto de 1385, na qual se confrontaram os exércitos do Rei português e do castelhano. A retumbante vitória portuguesa, apoiada por Inglaterra, contribuiu para garantir no trono de Portugal D. João I, aclamado nas Cortes de Coimbra em abril de 1385, o primeiro monarca da Casa de Avis, a segunda Dinastia portuguesa.
 
A consagração solene daquela aliança aconteceu com o casamento de D. João I com Filipa de Lencastre, filha do Duque John de Gaunt quarto filho do Rei Eduardo III de Inglaterra e fundador da Casa de Lencastre. Assim, Filipa era ainda a irmã mais velha de Henrique IV, o primeiro monarca da Casa de Lencastre no trono inglês e prima de Ricardo II, considerado o último Rei da dinastia Plantageneta.

Em 1943, falando no parlamento britânico, Churchill descreveu a Aliança Anglo-Portuguesa como "uma aliança sem paralelo na história mundial".

Sitio da Batalha de Aljubarrota em 2025
Mural baseado nas Crónicas de Inglaterra de Jean de Wavrin
representando o casamento de D. João I de Portugal com D. Filipa
de Lencastre em 1387



Livro publicado em Londres com palestras transmitidas pelo serviço português da BBC por ocasião dos 600 anos da Aliança Inglesa.


Os Príncipes Carlos e Diana estiveram em Portugal em fevereiro de 1987 para a celebração dos 600 anos do casamento (em fevereiro de 1387) do rei português D. João I com Filipa de Lencastre. O Presidente da República era Mário Soares.





Em 2011, O Príncipe de Gales, hoje em dia Rei Carlos III, regressou a Portugal. O Presidente da República era Cavaco Silva. Os temas em destaque foram as relações comerciais bilaterais, assuntos acerca do mar e as energias renováveis.



Este ano, entre 1 e 3 de junho, o Duque de Edimburgo e a Duquesa Sofia visitarão Portugal para a celebração dos 640 anos do tratado de Windsor.







A nossa Aliança Familiar com Inglaterra, que tem já descendência. Abril 2026