A minha Lista de blogues

sexta-feira, 19 de junho de 2026

Em Rabat






Quando Marrocos se tornou independente, em 1956, Mohammed V, o avô de Mohammed VI, o rei atual, optou por permanecer na capital escolhida pelo protetorado francês em 1912, mas ao longo da sua história Marrocos teve três outras capitais: Fez, Marraquexe e Meknes. geralmente chamadas de “Cidades Imperiais”.



Nós entrámos em Rabat por Salé, a cidade vizinha, separada da capital por um rio.


Passámos por uma enorme propriedade privada em Salé, com guarda marroquina nas suas diversas portas e o guia informou-nos que é o local onde habitualmente vive o monarca. Da camioneta só se vê arvoredo.




Rabat, a segunda maior cidade de Marrocos, depois de Casablanca é o centro governamental e administrativo e uma mistura entre tradição e modernidade.


A Torre Mohammed VI, com 250 metros de altura e 55 andares é o prédio mais alto de Marrocos e o terceiro mais alto de África, destacando-se na linha do horizonte tanto de Rabat como da sua cidade irmã, Salé. O projeto conta com a assinatura do arquiteto espanhol Rafael de La-Hoz, em colaboração com o arquiteto marroquino Hakim Benjelloun, depois de quase oito anos de construção. Enquadra-se no desenvolvimento estratégico do vale do rio Bouregreg, entre Rabat e Salé, numa zona próxima da sua foz no Atlântico.
Inaugurada em abril deste ano tornou-se o novo ícone da modernidade marroquina. Inclui apartamentos de luxo, os mais caros por metro quadrado de Marrocos, escritórios, restaurantes e um hotel da luxuosa  cadeia Waldorf Astoria.



Outro edifício moderno é o Teatro Real de Rabat, um dos últimos projetos da arquiteta Zaha Hadid, antes da sua morte em 2016. Foi inaugurado em 2024, mas só abriu ao público em abril de 2026.
Interessante...um foguetão e uma nave espacial a animar a contemporânea arquitetura de Rabat.

No entanto a primeira visita que fizemos foi ao Palácio Real. O guia não parava de dizer que ia rezar para que estivesse aberto e tanto falou no assunto, que pensei até, ironicamente, que o rei nos ia oferecer um chá;. e o meu marido comentou para mim o melhor é fazer-se um telefonema para se saber se haveria de facto a possibilidade de se visitar aquela residência principal do monarca marroquino. 

Ao chegarmos à porta, o motorista falou com o guarda e estava aberto!!!


Construído no século XIX o palácio está rodeado de uma muralha defensiva e revela-se um complexo urbano, incluindo uma cidade do governo, com ruas amplas, jardins, edifícios ministeriais e uma mesquita. Não se sente em nada a azáfama da capital. Possui uma grande entrada principal, que dá acesso ao pátio central, de onde podemos apreciar de longe o tal Palácio, que nunca está aberto ao público. Foi uma deceção, ou seja, a montanha pariu um rato e eu disse isso mesmo ao guia, quando ele me perguntou o que achava. Na Europa os palácios reais na maioria dos dias estão abertos ao público, mediante a compra de um ingresso.

A Mesquita



O anexo onde o Rei recebe os Embaixadores para apresentação de credenciais






Curioso, ao chegarmos ao hotel o meu marido ligou a televisão e estavam a dar imagens da apresentação de credenciais ao Rei. Foram muitos Embaixadores em conjunto, entre eles o Embaixador de Portugal.
Os funcionários do Palácio estão todos vestidos de fatos tradicionais brancos e babuchas amarelas. Em Portugal usa-se fraque.


A Torre Hassan é um dos mais prestigiados monumentos da cidade. A torre é o minarete inacabado da Mesquita de Hassan construída no século XII. As suas dimensões desproporcionadas para a população de Rabat da época sugerem que se destinava a ser maior do que a magnifica Catedral-Mesquita de Córdova, a antiga capital do Reino Islâmico do Ocidente. Contudo, após a morte do terceiro califa almóada Yacoub el-Mansour em 1199, a mesquita inacabada caiu no esquecimento e apenas a sua torre sobreviveu ao sismo de 1755.

Foi da Torre de Hassan que Mohammed V conduziu as primeiras orações de sexta-feira, após a declaração da independência.


Mausoléu de Mohammed V
Este majestoso edifício construído em mármore italiano em memória do pai da independência foi erguido pelo seu filho, Hassan II, pai do atual rei, Mohammed VI.
Junto encontra-se uma mesquita, que só pode ser visitada por muçulmanos e um museu dedicado à história da dinastia alauita, que reina em Marrocos desde o século XVII. 

A mesquita



Foi em Rabat que recebi a triste notícia do falecimento da minha amiga Sada. Quando me despedi dela em Caracas, em 2017, sabia que não a ia ver mais, pois já tinha 95 anos. Ela e a minha amiga japonesa  Hiroko  fizeram o seu melhor para me ensinar a jogar bridge. 

A Sada era uma americana de origem arménia, que vivia em Nova Iorque e era jornalista da Time. Conheceu o seu marido, um homem de negócios de origem arménia a viver na Venezuela  e numa semana resolveram casar. Era o ano do final da II Guerra Mundial. Na Venezuela, para onde foi viver criou uma Associação de ajuda a mulheres de fracos rendimentos para prosseguirem os seus estudos. Na residência da Embaixada teve lugar uma passagem de modelos organizada pela sua Associação.

A Sada era vaidosa e foi comigo algumas vezes à estilista, que me fez uns poucos vestidos, alguns com tecidos que a Sada insistiu em oferecer-me. Foi uma noticia triste, mas ela já tinha 104 anos e desde o ano passado o seu estado de saúde agravara-se. Escrevi-lhe a 31 de maio, pelo seu aniversário, mas já não me respondeu.



Recordando a Sada...

Passagem por Larache

 

Mapa de Larache do século XVII

Partimos de Arzila em direção à capital, Rabat. O almoço estava marcado em Larache, que fica a cerca de 40 minutos de Arzila e a 2 horas de Rabat.

Tivemos algum tempo livre e demos uma volta pelo centro. A cidade está em obras, incluindo a antiga fortaleza, que segundo li não foi construída por portugueses, mas sim pelo sultão para proteger a cidade, que ficara desabitada em 1471, quando a população fugiu, após as noticias da tomada de Tânger e de Arzila pelos portugueses.







O restaurante


quinta-feira, 18 de junho de 2026

Em Arzila

 

Na elegante Corniche de Arzila (passeio marítimo). 

Torre de Menagem e Porta do Mar na antiga alcáçova, que dominam a medina de Arzila e foram construídas pelos portugueses

 

Quando deixámos Tãnger em direção à capital, Rabat, seguimos por uma estrada nacional junto à costa e vimos bonitas praias quase desertas, antes de chegarmos a Arzila

Em 1471, Arzila foi conquistada pelos portugueses e tornou-se um centro de comércio com ligações  aos países mediterrânicos.



Desembarque em Arzila, Cerco de Arzila e Tomada de Arzila
As réplicas em tamanho real das tapeçarias de Pastrana encontram-se expostas no Palácio dos Duques de Bragança em Guimarães.

Três das quatro tapeçarias são sobre a tomada de Arzila. A outra é sobre Tânger. As tapeçarias de Pastrana são, acima de tudo, um instrumento de propaganda épica. Dom Afonso V, o Africano, figura nelas com proeminência.

"Quando Dom Afonso V penetrou sem luta no recinto amuralhado de Tânger, provavelmente no dia 1 de Setembro de 1471, completou-se um ciclo das campanhas marroquinas da coroa portuguesa. O monarca conquistara Arzila a 24 de Agosto após duros combates e impiedosa mortandade. As notícias correram céleres e a população de Tânger, atemorizada e sabendo que seria incapaz de resistir ao assalto dos quase vinte mil homens que o rei de Portugal trazia, preferiu fugir."

João Paulo Oliveira e Costa. Grandes Batalhas: Tânger e Arzila



A Cadeira de Estado de D. Afonso V no MNAA em Lisboa
A Princesa Santa Joana, filha de D. Afonso V no Museu de Aveiro


D. Afonso V era irmão de Leonor de Portugal (1434-1467), a primeira Imperatriz do Sacro Império Romano-Germânico da dinastia Habsburgo.










Assilah- Arzila     Habibi-Amigo

Um dos aspetos que distingue Arzila de outras cidades marroquinas é a quantidade de murais e pinturas, decorando as paredes da medina.



Muitas casas brancas com portas azuis ou verdes





Saímos pela Porta da Terra, também construída pelos portugueses no século XV

Visitar a magnífica Arzila é fazer uma viagem pela História de Portugal.