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terça-feira, 17 de março de 2026

A Capela da Rainha Santa Isabel em Estremoz

 


A Capela da Rainha Santa Isabel fica situada num recanto da Praça D. Dinis, abrigada no vão de dois torreões da ala ocidental do Castelo de Estremoz.

A entrada da capela impressiona, com um portão de ferro seguido por uma bela porta de mármore, sobre a qual está o brasão real.

A cidade branca, assim chamada devido à cor das casas e às jazidas de mármore branco, o célebre “Mármore de Estremoz”, tem sempre rodapés pretos nos edíficios públicos, em sinal de luto pela morte da Rainha Santa, que morreu em Estremoz em 4 de julho de 1336.



Sobe-se uma escadaria de mármore, decorada com bonitos azulejos seiscentistas.

Pertencente ao conjunto monumental da Alcáçova de Estremoz, a capela foi mandada edificar por D. Luísa de Gusmão, viúva de D. João IV, em 1659. Transformou os antigos aposentos da Rainha num oratório em celebração da importante vitória na Batalha das Linhas de Elvas, durante a Guerra da Restauração.

No entanto, em 1698, uma explosão destruiu o paço medieval, então usado como armazém militar e, em 1715, o rei D. João V mandou construir o edifício atual.


 A capela é de uma só nave de planta retangular e as suas paredes estão revestido de belos painéis de azulejos  do século XVIII, ilustrando cenas da vida de Santa Isabel e os seus milagres e, segundo José Meco, atribuídos a Teotónio dos Santos (c. 1725). No teto, destaca-se uma pintura do século XVIII, representando a subida de Santa Isabel ao céu. 


O Milagre da Criança salva pela Rainha de morrer afogada


O Milagre das águas do Tejo que se apartam

A Paz de Alvalade que opôs D. Dinis ao filho D. Afonso

As telas a óleo, de André Gonçalves (c.1730), são também representativos da vida e imaginário lendário da Rainha Santa Isabel, nomeadamente os milagres que lhe são atribuídos e que são a causa da sua canonização em 1625 pelo papa Urbano VIII.

O Milagre das Rosas
Milagre da transformação do vinho em água
Tomada de hábito da Rainha Santa Isabel
Milagre da cura da criança cega
As Rainhas (D. Isabel e a nora, D. Beatriz) servem as freiras 
no Convento de Santa Clara a Velha
Milagre da Aparição da Virgem a Santa Isabel


O exuberante coro construído numa só peça em mármore branco exibe uma inscrição latina, de 1808, de agradecimento da população de Estremoz a Santa Isabel por tê-la protegido dos saques resultantes das Invasões Francesas. 



O espaço é enriquecido com as armas reais das Casas de Portugal e de Aragão, além de azulejos setecentistas, representando anjos e também as armas reais da Hungria, pois Santa Isabel da Hungria e Turíngia, (1207-1231). de quem se conta também o milagre das rosas, era sua tia-avó.

 

 

 No altar é patente a transição do barroco para o neo-clássico, com obras de cantaria artística em mármores das regiões de Estremoz  (branco), Sintra (rosa) e  de Viana (verde) .

Há três imagens do século XX: ao centro, a Rainha Santa Isabel, acompanhada por São Filipe Néri e São Lázaro.



Por detrás da tribuna do altar existe um pequeno espaço que, segundo a tradição, terá sido o local da morte da Rainha Santa Isabel.








Mais do que um simples monumento, esta capela é um lugar cheio de história e imperdível para quem visita Estremoz. Nunca a tinha encontrado aberta, mas agora aprendi na Pousada, que vamos ao Museu Municipal (que também vale a pena visitar) pedir que a abram e o senhor encarregado da chave é um orgulhoso local, que nos conta toda a história da capela.





segunda-feira, 16 de março de 2026

Museu Nacional Frei Manuel do Cenáculo


 

Álvaro Pires foi um pintor de origem portuguesa que trabalhou no norte da Toscânia, no início do século XV, assinando por vezes com referência à sua naturalidade de eborense. Esta pintura é de 1410, talvez a sua obra mais antiga.


Em 2018 o estado português adquiriu em leilão a pintura Anunciação do mesmo autor.

Em 2020 fui a uma exposição no MNAA  sobre Álvaro Pires de Évora, mas o catálogo não tinha ficado pronto a tempo. Comprei-o agora neste museu de Évora.

O museu tem o nome de Frei Manuel do Cenáculo (1724-1814), um franciscano que foi bispo de Beja e Arcebispo de Évora, doutorado em Teologia pela Universidade de Coimbra. Conseguiu reunir uma importante colecção de peças arqueológicas. Mais tarde, juntaram-se outras oriundas de extintas casas religiosas e ainda doações. Todo este conjunto constitui a base deste museu criado em 1915 e instalado no antigo Paço Arquiepiscopal.
O núcleo de pintura é o mais notável, agrupando o notável políptico gótico da catedral executado por mestres flamengos da Escola de Bruges.


Esta obra teve um profundo impacto no gosto artístico da época e contribuiu para a importação de pintura flamenga, que por sua vez influenciou a portuguesa.

Pintura flamenga:

Paisagem no Gelo (1620) de Hendrick Avercamp

Festa de Casamento de Bruegel (1620)

Só pelo que já mostrei valia a visita, mais há muito mais: Grão Vasco, Gregório Lopes, Josefa de Óbidos, Domingos Sequeira, Pedro Alexandrino...


 João Vaz (1859-1931) Anoitecer de 1915.

Este pintor naturalista, aluno de Tomás da Anunciação e Silva Porto, foi um dos fundadores do Grupo do Leão. Creio que a maior coleção de obras suas está na Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves, mas li recentemente que no Museu das Cruzes no Funchal também há uma obra sua pintada na Madeira, quando viveu na ilha por algum tempo. 

Recentemente renovado, o Museu Nacional Frei Manuel do Cenáculo dispõe de um belo e importante espólio, cujo edifício encontra-se mesmo no centro histórico, defronte do Templo de Diana. Regressei agora a Évora, porque no Verão não o tinha visitado. É sempre bom voltar à capital do Alto Alentejo. 





quinta-feira, 12 de março de 2026

Aniversário no Alentejo

 






Passei o meu aniversário no Alentejo em Estremoz na Pousada Rainha Santa Isabel. Soube-me bem estarmos sozinhos a passear. Fomos ao Museu do Azulejo, que já conhecia e tinha gostado muito. Um ambiente tranquilo com peças bonitas e música clássica. Fomos de carro até Elvas ver a igreja manuelina, que fora a capa do CD com cantigas do Cancioneiro de Elvas, editado quando o meu marido era Embaixador de Portugal em Caracas. O aqueduto está a ser limpo e estava lindo. Fiquei a saber que o novo Presidente da República faz anos no mesmo dia: 11 de março.


Havia muitas velas, mas não soprei nenhuma porque não gosto

Gostei muito de receber mensagens e prendas, claro...

No sábado será o almoço especial com filhos e netos. Haverá muita animação como em todas as reuniões familiares de três gerações, contrastando com a calma que gozámos apenas os dois no Alentejo. Excelente estarmos todos reunidos, nem que seja apenas durante um fim-de-semana a anunciar Primavera.
Em Lisboa:









Mobilidade Elétrica




Hoje, ao regressar de umas mini-férias no Alentejo fiquei satisfeita ao ver que estão a instalar mais postos de abastecimento para carros elétricos na estação de serviço de Vendas Novas. São todos ultra rápidos e depois de uma pausa para café o carro já estava carregado.

Se não tivesse encontrado um posto teria carregado em casa de maneira mais lenta, como faço habitualmente...





quarta-feira, 4 de março de 2026

O Retrato do Presidente Marcelo Rebelo de Sousa

 




Foi hoje revelado ao público e afixado na Galeria dos Presidentes do Museu da Presidência o retrato do Presidente Marcelo Rebelo de Sousa, que termina o seu segundo mandato na próxima segunda-feira, dia 9 de março, quando toma posse António José Seguro.

Sabia-se que o retrato ia ser muito original e algo irreverente, até pelo artista convidado Alexandre Farto (Vhils) e a imagem transmitida pelo próprio Presidente ao longo de dez anos. Seria também uma colagem com base no carvão acima reproduzido de uma foto do fotógrafo oficial do presidente, Rui Ochoa. Parece corresponder de facto às expetativas.

Gosto!

O Convento dos Cardaes

Recentemente visitei em Madrid o Convento das Descalzas Reales, fundado no século XVI por Joana de Áustria, filha de Isabel de Portugal e Carlos V. Em tempos o famoso quadro Anunciação de Fra Angelico embelezava o oratório deste convento, antes de ser transferido para o Museu do Prado, no séc XIX. Reflete claramente uma ideia de pujante riqueza a sua coleção de arte. Hoje em dia, ainda podemos observar entre as obras-primas expostas  O Dinheiro do César de Ticiano, obras de Bruegel, o Velho e tapeçarias tecidas sobre desenhos de Rubens, dos quais alguns se podem admirar no Museu do Prado.


Sala das Tapeçarias no Convento das Descalzas Reales, com base em cartões de Rubens...

Um tesouro em Madrid, que não conhecia...

Quando mostrei o meu post a uma amiga, ela disse-me que devia visitar o Convento dos Cardaes em Lisboa, na rua do Século, um pouco acima da casa, onde se julga que nasceu o Marquês de Pombal .

Convento das Descalzas Reales em Madrid
Convento dos Cardaes em Lisboa

Embora em termos de riqueza de espólio interior não se possa comparar com o convento de Madrid, ambos têm em comum uma fachada austera.


O convento foi construído em finais do século XVII por iniciativa de D. Luísa de Távora para a ordem das Carmelitas Descalças num terreno a oeste da muralha Fernandina, que pertencia à família da fundadora. As primeiras freiras entraram para o convento em 8 de dezembro de 1681. Dona Luísa de Távora também viveu no convento e aí foi sepultada, cuja lápide com o escudo dos Távora se destaca, durante a visita. As Carmelitas viveram no convento até a abolição das ordens religiosas no século XIX e, em 1877, foi entregue à Associação Nossa Senhora Consoladora dos Aflitos e às freiras dominicanas, que se mantiveram até à atualidade. Documentos do  Convento revelam que muitas freiras tinham elevado nível de instrução.

Os maiores tesouros do convento estão reservados para a ampla capela de uma só nave. Resistiu muito bem ao terramoto de 1755 e contrasta com a sobriedade da fachada. Ali encontramos talha dourada, embutidos de mármore ao gosto florentino, grandes pinturas da autoria de André Gonçalves e da escola de Vieira Lusitano, centradas em Nossa Senhora e um friso de azulejaria holandesa sobre Santa Teresa de Ávila. assinada pelo mestre Jan von Oort. Destaca-se também no espólio as belas e elegantes imagens religiosas dos séculos XVII e XVIII, a maioria, certamente, em madeira policromada.


O altar barroco

Os embutidos em mármore que fazem lembrar as igrejas de Florença e Siena





No hall de entrada as insignias das Carmelitas Descalças por cima de uma caixa circulatória, que comunicava com o interior.




Abastecimento de àgua diretamente do aqueduto.





No Coro Baixo, onde recebiam a comunhão através desta pequena janela.



Na sacristia azulejos portugueses em albarradas com representação de S. Joaquim, Santa Ana e São José.









Bonita imagem de Nossa Senhora do Loreto










A Sala do Capítulo foi a última a ser transformada, depois do terramoto. Azulejos Pombalinos e um bonito oratório ao fundo.


Coro alto com azulejos portugueses sobre a vida de Santa Teresa de Ávila


No refeitório pairava um agradável aroma de cozinhados, abrindo o apetite...



Seguimos a pé até à Rua do Alecrim, onde almoçámos.


Foi uma excelente manhã.