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domingo, 19 de fevereiro de 2017

Os 100 anos de Juan Vicente Torrealba




Juan Vicente Torrealba é um músico e compositor venezuelano. Faz 100 anos a 20 de fevereiro de 2017.

No dia de Portugal 2016, a Embaixada de Portugal em Caracas promoveu um concerto e patrocinou a gravação de um CD e DVD com música clássica portuguesa na primeira parte e tradicional venezuelana na 2ª parte, homenageando assim alguns compositores venezuelanos, entre eles Juan Vicente Torrealba e a sua magnífica criação Concierto en la Llanura.


Jantar na Embaixada da Índia



Hoje fui jantar à Residência da Embaixada da Índia. O traje era informal e o objetivo era juntar um grupo de pessoas num ambiente amigo.

A casa é grande e tem uma bela casa de jantar. Disseram-me que os anteriores donos eram ingleses, os quais deixaram muita mobília quando venderam a casa ao governo indiano. De facto, a casa de jantar tem um belo sideboard Georgeano e cadeiras Hepplewhite. A mesa estava posta como se fosse um jantar mais formal com toalha de linho branco bordada e ementas impressas. Desde as minhas últimas idas ao Reino Unido e, recentemente, ao oriente tenho experimentado muita comida indiana e gosto muito.



















A conversa muito informal foi simpática e variada, pois reuniu pessoas da Alemanha, Sibéria, São Salvador, Síria, Malásia e Japão. Normalmente nestes jantares fala-se de tudo e de nada. No meu lado, além de ter "ensinado" os básicos de bridge a uma senhora, que vai ver na próxima segunda-feira como é o jogo, falámos da minha há muito projectada viagem no Transiberiano de Moscovo à China. Fiquei então a saber da existência de outra rota até à Coreia e depois barco para o Japão... Achei engraçado o malaio me ter perguntado de onde era a blusa que tinha vestida. Respondi-lhe ser seda tailandesa. Observou-me que não conhecia esse tipo de batik, porque tanto a Malásia como a Indonésia têm batiks semelhantes e debatem qual foi o primeiro a criá-los. Uma senhora de São Salvador disse-me que a minha pronúncia em espanhol a fascinava, pois fazia-a lembrar a mulher do presidente deles, que por ser brasileira, falava assim como eu. Não foi um elogio, pois só sei falar portunhol, mas simpático. O japonês, ao meu lado, é que estava intrigado como eu me fazia entender tão bem e dizer que não falava a língua..(só percebia inglês- o jantar foi uma mistura de línguas) Falou pouco, mas como todos os japoneses que conheço não se esqueceu de dizer que os portugueses foram os primeiros europeus a chegar ao Japão. Gostava muito de números e perguntou.me quantos portugueses viviam neste país e no vizinho Brasil...Sou péssima em números e dizia-lhe "são muitos, milhares".

Ao longe ouvia o meu marido a falar de História. Quem já o conhece sabe que é dos seus temas favoritos. Mas tanto ele como eu tivemos uma conversa em comum: dar a notícia discretamente e com orgulho do nascimento do nosso neto Charlie, mostrando uma foto do telemóvel...

Carlos Lopes faz 70 anos





Em 12 de Agosto de 1984, Carlos Lopes venceu a prova de Maratona nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, tornando-se o primeiro português a ser medalhado com o ouro em Jogos Olímpicos. O tempo conseguido (2h 9m 21s) foi a melhor marca Olímpica até 2008.

Em 1984, ano em que nasceu o meu filho, a RTP transmitiu a corrida em direto. Devido à grande diferença horária era madrugada em Lisboa. Lembro-me perfeitamente da alegria e orgulho que sentimos.


O consagrado campeão Olímpico Português Carlos Lopes, com uma carreira desportiva extraordinária, faz hoje 70 anos. O jornal online Observador dedica-lhe um longo e merecido artigo.

Parabéns Carlos Lopes!!

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Feliz Dia de S. Valentim 2017 !


Amor à primeira vista...numa das muitas manifestações anti-Trump. Gostei ...

Têm sempre ideias originais os cartoons da revista New Yorker. Tenho alguns números desta revista com capas fantásticas...

domingo, 12 de fevereiro de 2017

A favor da Língua Portuguesa


As palavras

São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.

Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.

Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.

Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?

                   Eugénio de Andrade



Nestas minhas andanças pelo estrangeiro tenho ouvido muitas história de segregação das crianças que falavam português na escola. Eram alvo de bullying ou gozadas. Daí os pais de alguns deles, certamente pouco instruídos, tivessem abandonado a sua própria língua materna nas conversas com os filhos para utilizarem a língua inglesa ou castelhana ou outra qualquer, conforme os países para onde emigraram. Eles próprios precisavam de praticar os idiomas desses países e muitos nunca conseguiram tornar-se fluentes, porque não quiseram ou tiveram a oportunidade de as aprender de maneira correta. 
Quando vivi nos EUA ouvi essas histórias relativamente ao inglês e lembro-me perfeitamente de estar numa loja, que fazia molduras e a senhora vir com esse mesmo conto, que oiço em todo o lado: os portugueses valorizam muito a família, são muito trabalhadores e não se metem em problemas. Isto para mim não basta. Aliás, nas minhas estadias ao longo destes anos quer na América do Norte quer na do Sul, fiquei com a ideia que  a emigração portuguesa nada ter de original em comparação com os outros povos europeus, sejam eles originais do norte ou sul da Europa. 

Às vezes vinham mais uns comentários como este: "quanto à língua é que tiveram problemas, apesar de estarem a viver no país há tantos anos, não conseguem comunicar bem ". Eu devia estar nos dias com pouca pachorra e disse-lhe, apontando para um anúncio da loja em frente: "bem parece que não são só os portugueses. Aqui escreve-se muito mal inglês. Por acaso aquela loja é de portugueses? Sabe o plural das palavras nunca é feito com um apóstrofo...". E dei-lhe uma lição breve de gramática... Não me recordo do seu comentário, contudo, suponho, percebeu que comigo aquela conversa do "coitadinho" não pegava...

As festas da comunidade para as quais era convidada aos fins de semana mostravam um Portugal, que eu felizmente não conheci, apesar de grande parte das pessoas ter a minha idade ou pouco mais velhas. Recordo-me de um teatro em que as pessoas cantavam alegremente a lavar a roupa num tanque supostamente da aldeia... Sou do tempo antes da máquina de lavar, porém estas cenas só conhecia do cinema português antigo...bem, até é possível existirem ainda algumas raridades, quando muita da gente portuguesa emigrou...

Também uma senhora de origem irlandesa, da qual fiquei muito amiga, teve uma vez o descaramento de dizer que o seu apelido português era proveniente de um antepassado do marido, cujas origens eram holandesas e não dos Açores, de onde era a maior parte dos emigrantes portugueses daquela região. Na ocasião fiz uma pequena pesquisa. Foi então uma novidade para mim constatar que no século XV, a pedido do Infante D. Henrique, a irmã D. Isabel de Portugal, Duquesa da Borgonha, incentivara a ida de alguns flamengos para os Açores (a população portuguesa era escassa para dois arquipélagos e tanta ilha). Portanto essa realidade remontava há quase quinhentos anos e tinham sido poucos os flamengos a estabelecer-se nos Açores; além do mais uma pessoa ou família com determinado apelido podia tê-lo adotado por variadíssimas razões. Também bastantes emigrantes europeus que colonizaram, sobretudo, as Américas, África e a Austrália eram degredados cumprindo penas...as autoridades portuguesas como todas as europeias seguiram esse método, até ao século XX.

Há algum tempo, recebi um grupo simpático de senhoras de origem portuguesa. Todas com estudos superiores. Fizeram os mesmos comentários de terem tido dificuldade em aprender português, pois em casa tinham de praticar o melhor que podiam o castelhano para não serem alvo de bullying na escola. Agora, querem que os netos e jovens aprendam português. A propósito, disseram-me que já tinham ido falar com o coordenador dos estudos portugueses da embaixada de Portugal, o qual tem feito um ótimo trabalho. Sente-se assim que o Português e Portugal estão na moda. Talvez porque, aparentemente, somos um país moderno e quando o visitam as pessoas sentem orgulho na sua terra de origem.

Ainda a propósito de esteriótipos tontos. Lembro-me que no ano passado no cabeleireiro ouvi uma senhora local a contar uma história qualquer à cabeleireira. Atraiu-me a atenção, quando a ouvi falar dos portugueses. Estava a referir-se a alguém que tinha umas "pernas portuguesas". Fiquei intrigada, mas não interrompi. Na primeira oportunidade perguntei a uma senhora venezuelana, que tenho confiança,  o que era aquilo das "pernas portuguesas". Fiquei então a saber que a expressão se refere a pernas mal feitas e sobretudo muito gordas. Fiquei impressionada por essa ideia...na minha família somos todas portuguesas e ninguém tem esse tipo de pernas...



Este país pode ser conhecido por ter tido muitas mulheres  a ganhar prémios de beleza; porém, quando vamos à praia, ou ao cinema, o que encontramos é uma grande maioria de gente feia e obesa...como nos outros países da América do Sul e do Norte.





Voltando à visita e à conversa com aquelas senhoras: é de louvar o objetivo de promover o ensino e a aprendizagem da Língua Portuguesa. Realmente o Português  é dos idiomas mais falados no mundo. Pode ser sempre útil. Em qualquer estatística geral aparece como a quinta  língua em termos de utilizadores.




Tal como o inglês e o castelhano, o português é das línguas mais dispersas. Trata-se de uma língua oficial em cinco continentes: Europa, África, América, Oceania e Ásia. Por isso não me surpreendeu ver nos confins da Guiné-Bissau este cartaz...








O alemão é a língua mais falada na Europa, porque a Alemanha é o país com maior número de habitantes e, vá lá a Austria, o Liechtenstein, Luxemburgo e parte da Suiça dão uma ajudazinha para aumentar a estatística. No entanto, fora daquele continente não tem expressão.

O francês, outrora considerado a língua diplomática, tem vindo a perder o estatuto e a prova disso é o seu ensino nas escolas em Portugal. No meu tempo, não havia opção, era a primeira língua estrangeira que se aprendia. Todavia, hoje em dia, está longe de ser a primeira escolha dos alunos. E reduziu-se significativamente a própria influência cultural francesa. Algo não muito positivo, porque existe, na minha opinião, uma excessiva hegemonia da cultura anglo-saxónica, na maior parte das vezes uma forma de não se dizer "americana".  

Desde a nossa entrada na CEE, hoje UE, o Português tem ganho cada vez mais proeminência, sendo uma das línguas oficiais das instituições europeias. Os emigrantes que visitam Portugal, já não vêm o seu país de origem apenas como um parente pobre, mas sim como um que rivaliza com os demais, até na organização de eventos mundiais, como foi a Expo 98 ou o Campeonato da Europa de Futebol 2004 (teria passado bem sem eles e o seu elevado custo, mas lá que foram um sucesso, foram). Ainda a propósito daquele primeiro evento lembro-me do Mayor de New Bedford ter afirmado, que esperava encontrar um país com muitas mulheres vestidas de preto e lenço na cabeça e ficou muito supreendido e entusiasmado com a realidade portuguesa que deparou em 1998...

Com o Secretário-Geral António Guterres na ONU, espero que o Português se torne língua oficial daquela organização. Já não será sem tempo.


E por tudo isto decidi que, a partir deste ano, o meu blogue será quase só em Português...




sábado, 11 de fevereiro de 2017

Conhecem Nevada Hayes?



Eu não sabia quem era, mas acabei de ler a sua biografia. Não se pode chamar bem biografia, mas sim "romance histórico contado na primeira pessoa", uma condição para que a autora, Ana Anjos Mântua, licenciada em História e coordenadora da Casa- Museu Dr Anastácio Gonçalves, visse a sua pesquisa publicada pela editora Manuscrito (2017) com o título A Americana Que Queria Ser Rainha de Portugal.





Como a minha irmã sabe que gosto muito de ler biografias, um género literário pouco cultivado em Portugal e sou uma admiradora do pequeno museu, que mostra as coleções daquele médico oftalmologista, na sua própria casa (perto da MAC), resolveu comprar-me o livro. Gostei de ficar a conhecer Nevada Hayes, que se tornou duquesa do Porto, após o casamento com D. Afonso de Bragança, irmão de D. Carlos I e tio do último rei de Portugal, D. Manuel II.

Nevada Hayes (1870-1941) nasceu no Ohio oriunda de uma família humilde. Cedo ambicionou ter outro tipo de vida, nem que para isso tivesse de mentir, começando pelo próprio ano de nascimento, que dizia ser 1885. Do primeiro casamento teve um filho. Abandonou-o cedo, ainda muito criança, pois não se sentia preparada para ser mãe. Herdou uma fortuna do segundo marido bastante mais velho, o que lhe permitiu viver a vida que sempre sonhara, entre os Estados Unidos e a Europa. Começa a ser alvo dos caça-fortunas, como é exemplo o seu terceiro marido, com quem passa pouco tempo junto, pedindo logo o divórcio. Numa das viagens a Portugal conhece o Infante D. Afonso em Sintra, com quem vem a casar mais tarde (1917). No entanto, esse casamento não foi reconhecido pela Casa Real Portuguesa no exílio. Nevada era milionária e o marido não possuía fortuna. Talvez na sua ambição lhe faltasse um titulo, que veio a alcançar, o de duquesa do Porto. D. Afonso morre três anos mais tarde e Nevada Hayes inicia uma grande batalha para conseguir que o corpo do seu marido regresse a Portugal, como era seu desejo e  seja transladado para o Panteão dos Bragança. Mais tarde, acabou por herdar muitas jóias e quadros, provando pertencerem ao marido e não ao estado português.
Quando regressou aos Estados Unidos o seu primeiro marido estava muito doente e morreu pouco depois, mas deixou-lhe também avultada quantia em dinheiro, pois entretanto enriquecera ao registar a  patente de uma máquina, que dobrava jornais.
Nevada morreu na Florida. As peças antigas portuguesas, que faziam parte da sua herança, são, depois, dispersas e vendidas separadamente...por exemplo, uma delas, conforme a biografia, está atualmente no Museu Britânico.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Artigo






Estou a ler um artigo muito interessante da autoria de Bernardo Teles Fazendeiro sobre o Uzbequistão, país sobre o qual sei pouca coisa, que saiu este mês na revista International Affairs,  publicada pela Oxford University Press. 

Filme Hidden Figures


Hoje fui ao cinema ver o filme Hidden Figures. ADOREI! Há muito tempo que não saía de uma sala de cinema tão satisfeita.

O filme é baseado em factos veridicos. Katherine Goble, Dorothy Vaughan e Mary Jackson são 3 mulheres americanas matemáticas, que desempenham um papel muito importante na NASA, durante os anos sessenta....O que mais as une? Serem negras numa sociedade profundamente racista.

Não perca o filme....que é também uma homenagem a John Glenn, o primeiro astronauta a andar em órbita à volta da Terra e que faleceu o ano passado. 

Se já tivesse visto o filme teria gostado mais de visitar Cape Canaveral...

Talvez na realidade os factos não se tenham passado como no filme. Mas dá uma versão muito positiva de três mulheres de família, muito inteligentes, que graças a uma grande força de vontade e determinação são capazes de vencer os obstáculos de uma sociedade dos anos sessenta do século XX cheia de preconceitos sexistas e racistas.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Notas variadas




Depois do dia de ontem e também com a bela oferta do meu marido, que me ofereceu um conjunto para bridge com dois baralhos e dois "score pad", resolvi continuar... Também não vai ser por muito tempo, pois em março planeio ir à Escócia... 
Ontem, recomecei o bridge e passei uma boa manhã a jogar, a conversar e depois a almoçar com as minhas amigas, que não via desde o final de novembro. A minha parceira, a única com muita experiência, pois diz que anda a aprender há cinquenta anos- ela tem 94, fez um pequeno slam e eu, por minha vez, consegui acompanhá-la bem, atendendo à minha pouca prática e longo tempo sem jogar. Devo dizer que de manhã estive a estudar os meus apontamentos e  tentei manter-me sempre concentrada.
Já tinha avisado o meu marido que era capaz de desistir, não faço muito progresso (no cruzeiro nem me atrevi a ir ver os jogos de bridge, todas as tardes) e o grupo mudou muito desde o começo, em novembro de 2014. Temos menos 4 pessoas: a que nos ensinou o básico e jogava há muitos anos foi para o Azerbaijão e as outras, principiantes como eu, foram para a Áustria, Polónia e Índia (o equivalente a uma mesa de bridge). Nos últimos tempos senti a falta do grupo como era, sobretudo depois de uma senhora aparecer por umas duas horas, não para jogar, mas para dar ordens- é uma ex-campeã sul-americana e acha-se o máximo em tudo o que faz, tornando os nossos encontros muito stressantes, pois está sempre a deitar tudo a baixo: "devias ter jogado isto e não aquilo; tomem notas; escrevam..." num tom de professora para alunos. Ela realmente tem uma memória visual fantástica, apesar do seus 76 anos (não parece) e consegue decorar todas as cartas, que saíram e saber o que temos na mão. Ontem, jogou connosco para ensinar. O pior é que não se cala, além de ser pouco humilde. Contou que aprendeu bridge em 2 semanas e no final jogava melhor que a professora. Quando eu estava a jogar o meu contrato de 4 espadas, continuava imparável na sua conversa  e tive de lhe dizer que assim não me conseguia concentrar. Foi para a outra mesa e perdeu (menos dois). Devo dizer que fiquei satisfeita (pelo meu resultado- fiz mais um "trick" do que previa no contrato e pelo dela). Foi convidada uma vez para assistir às nossas reuniões e jogo (social bridge) e pelos vistos está a gostar...

 Infelizmente não sei alguns termos do bridge em português, pois aprendi-os em inglês.






Também tenho duas aulas de ioga por semana e uma de salsa.

Terminamos sempre o ioga com "NAMASTE"! 






Os professores são fantásticos e têm muita paciência. Como avisei a professora que não gosto daqueles exercícios de relaxamento de olhos fechados (que tentei na casa de uma amiga a quem ela também dá aulas) fez todo um plano novo para mim a que chama Tere-ioga). Traz sempre música diferente, porque não gosto de exercícios "a seco" e um dia até trouxe uns trajes árabes para dançarmos a dança do ventre. Diverti-me muito, mas disse-lhe que não era necessário tanto para o futuro e assim temos mantido as aulas com uma mistura de ioga e Pilates para fortalecer o meu braço e coluna. Realmente uma PT faz toda a diferença como me dizia a minha filha e genro.

O professor de salsa também tinha dito no início que só dava aulas se fossemos pelo menos duas alunas, mas como duas amigas (do bridge também) se foram embora, ele agora dá-me aulas só a mim. Tem a minha idade... Às vezes parecemos que estamos num grupo recreativo para a terceira idade, porém lá faço exercício e divirto-me... sempre gostei muito de dançar. Aprender salsa requer que a pessoa adopte uma postura totalmente diferente da europeia: na Europa dançamos da cintura para cima e aqui da cintura para baixo.

Chocolate quente em Portugal

Além destas atividades tenho lido uma biografia que a minha irmã me ofereceu na nossa despedida e tenho-me lembrado do nosso delicioso chocolate quente.
Chocolate quente na Suiça (Zurique)
Sobretudo ao compará-lo com o que tomei em Zurique recentemente. Pedi um chocolate quente, como estava escrito na ementa e fiquei escandalizada, quando o empregado me trouxe um copo de leite e um pacote de chocolate em pó... sem palavras.

Sei que é difícil manter o padrão preço-qualidade, como temos em Portugal, contudo isto num país conhecido pelo seu chocolate...

Outra decepção que apanhei na Suiça foi na compra de um relógio para oferecer ao meu marido. Custou-me bastante mais do que em Portugal. Pensei que estava fazendo uma ótima compra ao adquiri-lo no local de origem ...  falei disso a uma amigo suíço aqui (do chocolate fica para a próxima) e ele disse-me que tudo se deve ao custo dos produtos na Suiça, pois a renda de uma loja tem um preço exorbitante comparado com Portugal e 3.000 Euros o ordenado mínimo ... Eu é que não pensei nisso...


Voltando às comidas, o que não me faz falta aqui são pratos de bacalhau (que trago sempre, assim como papel higiénico e outros produtos, que não há cá e são os meus souvenirs das viagens), mas uma coisa muito simples, que nunca vi fora de Portugal- as nossas torradas. Não são as de pão caseiro, que também gosto muito,  mas sim as de pão de forma dos cafés e pastelarias portuguesas, principalmente aquela parte do meio, que até se curva com tanta manteiga... No meu passeio ao norte de Portugal, recentemente, logo que vi na autoestrada um anúncio de torradas parámos para tomar o pequeno almoço...

Com tudo isto quase me esquecia de dizer, que o que realmente me diverte muito é manter o meu blog atualizado e, nesta altura,  fazer também um trabalho em ponto de cruz. Qualquer dia mostro...

domingo, 5 de fevereiro de 2017

Festa das Fogaceiras 2017 em Caracas


A Festa das Fogaceiras celebra-se há mais de quinhentos anos na Cidade de Santa Maria da Feira, no norte de Portugal. Esta celebração ancestral é em honra e agradecimento a S. Sebastião, que salvou a população da peste.

Hoje, assisti à sua celebração em Caracas. O presidente lamentou que este ano pela primeira vez não tivesse vindo ninguém da vereação daquela cidade para a festa. Contudo, estavam presentes o embaixador e o cônsul-geral. Conforme foi dito pelo presidente da associação luso-venezuelana, o motivo evocado para essa ausência foi a falta de segurança. A inflação que persiste na Venezuela constou entre as razões apontadas na ponderação se este ano haveria festa ou não. Porém, como as pessoas são muito solidárias, houve apoios fundamentais, que o presidente agradeceu e permitiram a sua realização.

O Presidente da Festa




O Senhor Ernesto da Silva Cardoso  emocionado por ter recebido a honra de ser o Feirense do Ano. Ouviu palavras calorosas do Presidente da Câmara de Santa Maria da Feira através de um video e assistiu a outro video surpresa com uma filha e netos a felicitá-lo. E ainda outro video de uma filha a residir em Espanha, que não quis deixar de dar os parabéns ao pai.

























Os meus parabéns ao  homenageado,  ao presidente, à comissão organizadora e aos patrocinadores  pois realizar uma festa com esta qualidade não está fácil nos dias que correm.



Diário de uma visita à Tailândia




No Reino da Tailândia, antigamente conhecido como Sião, visitei a capital, Banguecoque e a ilha de Ko Samui. 


Visitar Ayatthaya, a anterior capital e as suas ruínas reconhecias pela UNESCO como património da Humanidade, terá de ficar para outra oportunidade.

A transferência e instalação de Banguecoque como nova capital deu-se em 1782, ano em que Rama I, o Grande chegou ao poder, iniciando assim a dinastia Chakri que governa o país, até hoje em dia. 



O presente rei é o décimo da dinastia.  Ascendeu ao trono em 2016 por morte do seu pai.

Outrora uma pequena vila piscatória, esta capital, relativamente nova, depressa se expandiu para se tornar a atual metrópole cosmopolita, no século XXI.

Do porto de Laem Chabang a Banguecoque são cerca de 2.30h, que fizemos de autocarro turístico com guia.

Achei muita piada o guia ter avisado, logo no início, ir encontrar-se muito trânsito e uma multidão de gente na cidade para visitar o túmulo do rei. Assim, era imperioso que decorássemos o número do autocarro e o cartaz que ele levava à frente, pois caso contrário depressa nos perderíamos e para os tailandeses, os americanos, australianos ou europeus pareciam todos iguais e até havia um nome para nos designar. Tirou-me as palavras da boca, porque já anteriormente só tinha fixado os guias correspondentes à nossa camioneta, vestidos de igual a outros da mesma companhia, pelos sapatos  que usavam...











Enquanto durou a viagem, deram-nos muita informação sobre o país. Disseram-nos também algumas palavras em tailandês, que nunca fixei, até porque tinha alguma dificuldade em perceber o inglês e depois era sempre cumprimentada por "Móniii, Madame". As autoestradas por onde passámos mostravam um país desenvolvido com muitos armazéns como temos, por exemplo em Alfragide, o que nada revelava estar num país que esperava exótico... foi uma decepção. A Tailândia sofreu um rápido crescimento económico, sobretudo a partir da década de oitenta do século passado, tornando-se um país industrializado e grande exportador. A indústria, agricultura e o turismo são os sectores que mais contribuem para a economia. Entre os dez países membros da Associação de Nações do Sueste Asiático (ASEAN), a Tailândia ocupa o segundo lugar em qualidade de vida. (O primeiro deve ser certamente Singapura) .
























Conforme nos aproximávamos de Banguecoque, aumentavam o número dos enormes cartazes com fotografias e citações do rei falecido há 3 meses e faixas de luto em edifícios. Quando chegámos a Banguecoque o choque foi ainda maior com milhares de pessoas de preto´a espera de ir ver o rei e comprar uma imagem sua, com um tempo de espera de 7 horas.. . Aí, sim, tive a sensação de estar de facto num país muito diferente

O Grande Palácio

O primeiro monumento visitado foi o belo conjunto de edifícios que forma o Grande Palácio, sem dúvida o mais impressionante da cidade. Começou a ser erigido quando a capital ficou estabelecida em Banguecoque, mas todos os monarcas têm adicionado novas construções, sendo hoje em dia formado por cerca de 36, no interior do muro que o cerca. Aqui vi a importância de ter um guia, pois passámos à frente de imensas pessoas, que esperavam para adquirir bilhete ou passar pelo scan de segurança, enquanto que havia uma secção especial para nós. Nunca visitei nenhum monumento com tanta gente entre os turistas e os nacionais. O Grande Palácio foi construído para residência real, mas aos poucos os diferentes monarcas preferiram usar para residência outros palácios. No entanto, ainda está muito em uso e muitos rituais reais são realizados aqui como as coroações, funerais, casamentos e banquetes de estado. Nos jardins do palácio encontram-se também escritórios e edifícios da casa real.

O local mais destacado é onde se encontra o Buda de Esmeralda, que apesar do nome não é talhado numa esmeralda, mas sim numa única peça de jade em cor esmeralda. A imagem mede 66 cm de altura a partir da base e 48 cm de largura. Reza a história que foi descoberto numa província no norte da Tailândia em 1464. Este santuário encontra-se na capela pessoal da família real. O Buda tem a particularidade de usar três hábitos, de acordo com a estação do ano. Só ao rei é tem a honra de mudar o fato do Buda.


É dos poucos edifícios que se pode visitar por dentro, mas não se pode fotografar. As fotos aqui são da net.



 Miniatura do templo Angkor, no Camboja


Esta mansão foi construída em 1903 em estilo europeu. Presentemente serve de residência a chefes de estado estrangeiros em visita à Tailândia.


Este edifício de 1877 é usado para banquetes de estado. É o único que mistura dois estilos, o europeu na fachada e o tailandês no telhado

 
Neste edifício encontra-se o túmulo do Rei e termina a longuíssima fila para o visitar.

Depois da visita ao Grande Palácio seguimos a pé até ao rio e fizemos um longo passeio pelos diversos canais. Banguecoque é conhecida como "Veneza do Oriente".




Almoçámos num restaurante junto ao canal e tivemos oportunidade de falar para casa, apesar das oito horas de diferença horária, pois a internet funcionava muito bem.


No final da visita ainda fomos ver a estátua do Buda dourado. No século XVIII foi disfarçado, pois ficou coberto com uma camada de gesso, para se tornar despercebido dos invasores e, em 1957, foi redescoberto. Constituiu uma agradável surpresa. 

Antes do regresso ao navio ainda tivemos tempo de fazer umas compras. As sedas são lindíssimas.

No dia seguinte fomos à ilha de Samui.

 Ko Samui

A ilha é especialmente conhecida pelas suas belas praias, mas como não estávamos para aí inclinados fomos ver mais uns Budas, para aumentar a nossa cultura (e vimos de todas as cores e feitios nestas férias) e como não podia deixar de ser, um passeio de elefante, o animal símbolo da Tailândia.