Recentemente visitei em Madrid o Convento das Descalzas Reales, fundado no século XVI por Joana de Áustria, filha de Isabel de Portugal e Carlos V. Em tempos o famoso quadro Anunciação de Fra Angelico embelezava o oratório deste convento, antes de ser transferido para o Museu do Prado, no séc XIX. Reflete claramente uma ideia de pujante riqueza a sua coleção de arte. Hoje em dia, ainda podemos observar entre as obras-primas expostas O Dinheiro do César de Ticiano, obras de Bruegel, o Velho e tapeçarias tecidas sobre desenhos de Rubens, dos quais alguns se podem admirar no Museu do Prado.
Um tesouro em Madrid, que não conhecia...
Quando mostrei o meu post a uma amiga, ela disse-me que devia visitar o Convento dos Cardaes em Lisboa, na rua do Século, um pouco acima da casa, onde se julga que nasceu o Marquês de Pombal .
Convento das Descalzas Reales em Madrid
Convento dos Cardaes em Lisboa
Embora em termos de riqueza de espólio interior não se possa comparar com o convento de Madrid, ambos têm em comum uma fachada austera.
O convento foi construído em finais do século XVII por iniciativa de D. Luísa de Távora para a ordem das Carmelitas Descalças num terreno a oeste da muralha Fernandina, que pertencia à família da fundadora. As primeiras freiras entraram para o convento em 8 de dezembro de 1681. Dona Luísa de Távora também viveu no convento e aí foi sepultada, cuja lápide com o escudo dos Távora se destaca, durante a visita. As Carmelitas viveram no convento até a abolição das ordens religiosas no século XIX e, em 1877, foi entregue à Associação Nossa Senhora Consoladora dos Aflitos e às freiras dominicanas, que se mantiveram até à atualidade. Documentos do Convento revelam que muitas freiras tinham elevado nível de instrução.
Os maiores tesouros do convento estão reservados para a ampla capela de uma só nave. Resistiu muito bem ao terramoto de 1755 e contrasta com a sobriedade da fachada. Ali encontramos talha dourada, embutidos de mármore ao gosto florentino, grandes pinturas da autoria de André Gonçalves e da escola de Vieira Lusitano, centradas em Nossa Senhora e um friso de azulejaria holandesa sobre Santa Teresa de Ávila. assinada pelo mestre Jan von Oort. Destaca-se também no espólio as belas e elegantes imagens religiosas dos séculos XVII e XVIII, a maioria, certamente, em madeira policromada.
No hall de entrada as insignias das Carmelitas Descalças por cima de uma caixa circulatória, que comunicava com o interior.
Na sacristia azulejos portugueses em albarradas com representação de S. Joaquim, Santa Ana e São José.
A Sala do Capítulo foi a última a ser transformada, depois do terramoto. Azulejos Pombalinos e um bonito oratório ao fundo.
Foi uma excelente manhã.



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