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domingo, 20 de julho de 2025

A Batalha de Aljubarrota


Batalha de Aljubarrota. Jean Froissart, Chroniques. Século XV

Jean Froissart é um dos mais importantes cronistas da França medieval. As suas Chroniques são fontes de grande relevância para o conhecimento da Europa, do século XIV.

Cronologia 

2-4-1383- Tratado de Salvaterra de Magos, onde se prevê o casamento da Infanta D. Beatriz, única filha do Rei D. Fernando e da Rainha D. Leonor Teles com o rei de Castela, D. Juan I.

Real de D. Beatriz. Prata. Século XIV
Museu de Lisboa

14 a 17-5-1383- Casamento de D. Beatriz e D. Juan de Castela, em Elvas e Badajoz


D. Fernando I. Reis de Portugal. Museu do Hospital, Caldas da Rainha

Velório do Rei de Portugal, D. Fernando I. Jean de Wavrin, Chronique d'Angleterre. Manuscrito do século XV

Túmulo de D. Fernando I, do Convento de S. Francisco de Santarém. Museu do Carmo

22-10-1383- Morte de D. Fernando. D. Leonor Teles assume a Regência de Portugal

6-12-1383- O conde Andeiro, fidalgo galego, conselheiro e acusado de ser amante de D. Leonor Teles é assassinado em Lisboa



1384- D. Leonor Teles é forçada a abdicar da Regência em favor da filha e do genro




6-4-1384- Batalha de Atoleiros, a primeira grande vitória de Nuno Ávares Pereira.

1384- Ínicio do cerco Castelhano a Lisboa. Devido à peste no acampamento dos sitiantes o cerco  tem que ser levantado e o Rei de Castela e as suas tropas regressam ao seu país.


Estátuas equestres de D. João I e Nuno Álvares Pereira
Museu de Lisboa

6-4-1385- As Cortes de Coimbra aclamam D. João, Mestre de Avis, filho bastardo de D. Pedro I, como rei de Portugal

Retrato póstumo, MNAA





6-1385- D. Juan I invade Portugal pela Beira, encaminhando-se na direção de Santarém- Lisboa.

Túmulo de D. Juan I na catedral de Toledo

Batalha de Aljubarrota (14 agosto 1385)
"Os Portugueses e Ingleses derrotam a vanguarda francesa do Rei de Castela"

14-8-1385- Batalha de Aljubarrota

Alguns vão maldizendo e blasfemando
Do primeiro que guerra fez no mundo;
Outros a sede dura vão culpando
Do peito cobiçoso e sitibundo,
Que, por tomar o alheio, o miserando
Povo aventura às penas do Profundo*,
Deixando tantas mães, tantas esposas
Sem filhos, sem maridos, desditosas.

* Inferno                                                         Lusíadas IV-44

Mestre Pêro. Cavaleiro Medieval. Século XIV Museu Machado de Castro


Frei Manuel dos Reis. D. João I invocando
Nossa Senhora da Oliveira na batalha de Aljubarrota
Estátua de D. Nuno Álvares Pereira no Restelo

 em Campo de Ourique

D. Nuno Álvares Pereira no arco da R. Augusta
(direita para esquerda: D. Nuno Álvares Pereira, Marquês de Pombal,
Vasco da Gama e Viriato)

1387- Casamento de D. João I com Filipa de Lencastre.
Decoração de parede com reprodução de Jean de Wavrin, Crónicas de Inglaterra sobre o casamento


Mosteiro da Batalha. Túmulo de D. João I e D. Filipa de Lencastre

1388- Ìnicio das obras do Mosteiro da Batalha, mandado construir por D. João I em comemoração da decisiva vitória na Batalha de Aljubarrota

 
O Convento do Carmo antes de 1755
O Convento na atualidade
Cópia do túmulo de Nuno Álvares Pereira


Estátua de D. Nuno Álvares Pereira à entrada do Mosteiro da Batalha


Fotografia de dezembro 2023




1389- D. Nuno Ávares Pereira funda o Convento do Carmo, onde, mais tarde, ingressará como religioso, doando os seus bens a esse mosteiro (na altura era um dos homens mais ricos de Portugal). O convento ficou em ruínas, após o terramoto de 1755. As obras de reconstrução iniciaram-se um ano após o terramoto, mas foram suspensas em 1834 aquando da extinção das ordens religiosas em Portugal.

31-10-1411- É finalmente assinado um acordo de paz entre Portugal e Castela em Ayton-Segovia.

Não sofre o peito forte, usado à guerra,
Não ter imigo já a quem faça dano;
E assi, não tendo a quem vencer na terra,
Vai cometer as ondas do Oceano....

Lusíadas, IV-48

E assim, como diz Camões, vencedores, os portugueses podem lançar-se para os Descobrimentos...

No ano que se comemora 640 anos da batalha de Aljubarrota, fomos ao Centro de Interpretação da batalha de Aljubarrota. Gostámos muito. Foi a segunda vez que o visitámos. A primeira, foi pouco depois da sua inauguração em 2008. A partir deste ano há dois filmes: um sobre a batalha e um novo sobre Nuno Álvares Pereira. Tanto os filmes (documentários dramatizados) como todo o local de exposição são excelentes. Saí a pensar, porque é que não se faz algo semelhante sobre os nossos Descobrimentos. O local já foi escolhido no passado, junto ao rio Tejo, no Museu de Arte Popular, que seria transferido para outro local mais pequeno. Só tem havido falta de visão e capacidade de decisão para se avançar.

O meu filho e eu no Centro de Interpretação, ontem
A minha filha em 2010 e o meu neto Charlie, ontem
O meu neto Theo, ontem

Referências:
Gouveia, Alexandre Patrício. D. Nuno Álvares Pereira. Prime Books, 2023
Monteiro, João Gouveia. Aljubarrota, a Batalha Real. Tribuna da História, 2025
Coleção de 20 Postais. Fundação de Batalha de Aljubarrota

domingo, 7 de agosto de 2011

Príncipe de Gales visita Portugal


O Príncipe de Gales visitou Portugal nos dias 28 e 29 de março de 2011. Os temas em destaque foram as relações comerciais bilaterais, assuntos acerca do mar e as energias renováveis.
As relações entre Portugal e a Inglaterra
Portugal e a Inglaterra têm um relacionamento muito antigo. Já no século XII, em 1147, cruzados ingleses apoiaram o exército de D. Afonso Henriques na reconquista de Lisboa aos mouros. Um dos relatos deste importante acontecimento foi escrito por Osborne, um militar inglês.
O apoio dos ingleses na batalha de Aljubarrota, em 14 de Agosto de 1385, foi de enorme importância. Essa derrota dos castelhanos pôs fim à crise, que surgiu após a morte de D. Fernando I. A principal consequência dessa grande vitória portuguesa foi a consagração de D. João I como rei de Portugal. A aliança com Inglaterra foi reforçada com o casamento deste monarca português com D. Filipa de Lencastre, a única rainha inglesa na História de Portugal.
Através do Tratado de Windsor (1386) Portugal e a Inglaterra estabeleceram um acordo, que constituiu a base para a Aliança mais antiga do Mundo em vigor. De facto, até aos dias de hoje, os dois países mantiveram laços em todos os domínios.

John Riley (1646-1619. D. Catarina de Bragança (ca 1670-74)
Casa-Museu Medeiros e Almeida

Em 1662 D. Catarina de Bragança, filha de D. João IV, casou com o rei inglês Charles II, tornando-se a única rainha portuguesa, na História de Inglaterra. Fazia parte do seu dote a cidade de Tânger, em Marrocos e Bombaim, hoje em dia Mumbai, na Índia, um porto estratégico muito importante para o desenvolvimento do império britânico no oriente.

O busto de bronze de Catarina de Bragança, assente sobre pedestal em pedra, obra da autoria do escultor britânico Tim Fargher, foi oferecida à cidade de Lisboa pela British Historical Society of Portugal, por ocasião da visita da rainha Isabel II a Portugal, e inaugurada no Paço da Rainha em 2002.
Fica para a história a sua introdução do uso do chá em Inglaterra. Essa bebida fora trazida da China pelos portugueses. A Rainha bebia-o frequentemente nos seus aposentos, hábito que foi divulgado na Corte e no país, tornando-se numa das imagens de marca das tradições britânicas em todo o mundo, o tão conhecido 5 o’clock tea.

Alguns coleccionadores portugueses mostram um fascínio pela rainha Catarina de Bragança. Assim, possuem nas suas casas museu peças da época, algumas utilizadas pela própria rainha. São exemplos:





 um fantástico relógio de noite iluminado por candeia de azeite




Espelho "Carlos II e Catarina de Bragança"










ou o espelho de quarto, expostos na Fundação Medeiros e Almeida, em Lisboa.








No Palácio da Bacalhôa, em Azeitão, encontram-se também algumas peças alusivas a Catarina de Bragança.







O tratado comercial de Methuen (1703), que ficou conhecido pelo nome do embaixador britânico em Lisboa, estabelecia que os portugueses comprariam os têxteis britânicos e os ingleses comprometiam-se a comprar os vinhos de Portugal.

Durante as invasões napoleónicas, as tropas luso-britânicas, comandadas por Arthur Wellesley mais tarde duque de Wellington, conseguiram expulsar de Portugal os franceses.
As relações entre Portugal e Inglaterra foram sempre próximas, mas também houve momentos difíceis entre os dois países. Talvez a mais delicada ocorreu em 1890, quando a coroa britânica exigiu que o território africano, entre Angola e Moçambique (conhecido como o “mapa cor de rosa”) não fosse anexado por Portugal. Este grave incidente politico-diplomático ficou conhecido na História de Portugal como o “ultimato inglês”.

Ao longo dos mais de seiscentos anos de aliança luso-britânica houve Visitas de Estado, que cimentaram a Aliança: a do rei Edward VII ficou para sempre recordada com a atribuição do seu nome a um parque em Lisboa- O Parque Eduardo VII; a rainha Elizabeth II visitou Portugal pela primeira vez em 1957, sendo curioso referir que se tratou da primeira transmissão directa da RTP, que fora inaugurada nesse mesmo ano.

A Rainha em Portugal com Craveiro Lopes