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segunda-feira, 29 de maio de 2023

Nossa Senhora do Prado

 

Rafael Santi (1483-1520)
Kunsthistorisches Museum, Viena

Em 1504, o jovem Rafael chegou a Florença, onde Leonardo da Vinci e Miguel Ângelo dominavam a vida artística. Assim e sob a influência das composições de Leonardo, Rafael criou representações de Nossa Senhora, cuja Imagem vinha evoluindo, pois deixara de ser apenas tema religioso, transformando-se em ideal de tranquila beleza feminina. Neste quadro é evidente essa transformação, além da elegância e graça tão característica de Rafael ao retratar mulheres.   
Rafael ofereceu esta obra ao seu patrono, Taddeo Taddei. 
Em 1662 foi adquirida pelo Arquiduque Fernando Carlos do Tirol.

Segurando o Menino Jesus nas mãos, Nossa Senhora olha para S. João Batista. A cruz é ao mesmo tempo um brinquedo e um símbolo da Paixão. O grupo forma um triângulo que se mistura com a paisagem ao fundo para criar uma composição que cumpre com as exigências da Renascença de perfeita harmonia.




domingo, 28 de maio de 2023

Vermeer em foco...

 No Museu de História de Arte de Viena




Com a exposição sobre Vermeer ainda a decorrer no Rijksmuseum, em Amsterdão,  sem esta obra, que não foi emprestada, o Museu de História de Arte de Viena criou um foco de atenção especial para o quadro, anunciado logo na porta de entrada. Interessante esta concorrência directa entre dois grandes museus europeus.






Perspectivas Femininas sobre Vermeer tenta comparar as obras de duas artistas: uma contemporânea  de Vermeer e outra dos nossos tempos com a obra A Arte de Pintar...



 
Se bem que possa entender a ironia do desenho animado, vejo pouca relação do primeiro trabalho com a obra de Vermeer. Só se for mesmo para chegarmos à conclusão como Vermeer é genial....


Viena, 27 maio 2023


domingo, 21 de maio de 2023

Klimt. Inspired by Van Gogh, Rodin, Matisse...

 No Belvedere Inferior


Josef  Pembaur. Gustav Klimt (1890). 
Innsbruck (Tiroler Landesmuseum Ferdinandeum)

Este ano o Belvedere celebra 300 anos. Este palácio barroco, em Viena, construído para residència de Verão do príncipe Eugénio de Saboia está dividido em duas partes: Belvedere Inferior (1716) e Belvedere Superior (1723), o qual abriu as suas portas ao público, como museu em 1777 com o estabelecimento da Galeria de Pintura Imperial. Johann Lukas von Hildebrandt foi o arquiteto escolhido, que também planeou o Palácio Hof, perto da fronteira com a Eslováquia e o Palácio Schwarzenberg vizinho do Belvedere Inferior.


O Belvedere Superior situado na rua com o nome do príncipe (Prinz Eugen-Straße) é uma paragem obrigatória para qualquer turista, que visita a cidade. É a casa do famoso Beijo de Klimt, copiado em diversos artigos e vendido nas lojas de souvenirs.

A exposição que visitei ontem fica no Belvedere Inferior e a entrada faz-se pela Rennweg, para não se atravessar os extensos jardins, que cobrem aquela área.


As traseiras do Belvedere Superior e o Belvedere Inferior, onde está a decorrer a exposição. O nome Belvedere (Bela Vista, em italiano) foi dado pela Imperatriz Maria Teresa, que comprou o palácio aos herdeiros do príncipe e o ampliou.


A Sala de Mármore onde o Príncipe recebia as visitas antes do Belvedere Superior estar pronto.

A exposição Klimt. Inspired by Van Gogh, Rodin, Matisse... é dedicada a artistas que influenciaram o trabalho de Klimt; e foram cuidadosamente escolhidos trabalhos de vários como Alma-Tadema, MacDonald-Macintosh, Toorop, Whistler, Monet, Rodin, Van Gogh, Matisse e outros, onde se pode verificar um misterioso encontro entre os trabalhos desses artistas e os de Klimt. Ao todo são 90 quadros expostos, desenhos e esculturas, que nos dão essa visão. Pena só haver catálogo em alemão.

 


Franz von Stuck. Pecado. 1893 e Fernand Khnopff. Lábios Vermelhos. 1897


Gustav Klimt. Judite. 1901





Margaret MacDonald-Macintosh. Paineis bordados. 1902



Gustav Klimt. Cópia de Beethoven Frieze, do Edificio da Secessão (1901) no tamanho original


Gustav Klimt. Serpentes II. 1904




Théo Van Rysselberghe. Retrato de Laura Flé. 1988
Coleção privada









Gustav Klimt. Emilie Flöge. 1902. Museu de Viena

O seu vestido muito ornamentado, uma invenção de Klimt, não seguia os padrões de moda da época, daí que Emilie e as suas irmãs conhecidas como designers de moda não tivessem gostado do quadro.


John Singer Sargent. Estudo para o quadro Madame X. Tate London e Gustav Klimt. Retrato de uma Mulher. 1893. Belvedere. Emprestado de coleção privada, desde 2013

Gosto muito do quadro Madame X (Metropolitan Museum of Art) o qual não foi uma encomenda da Madame Gautreau, mas sim um pedido do pintor para fazer o seu retrato. Na versão original, uma alça do vestido caía sobre o ombro, dando-lhe um ar sedutor. O quadro foi mal aceite, acabou com a reputação da senhora e fez com que Sargent deixasse Paris. 


Sargent fez também o retrato de Isabella Stewart Gardner, uma mulher extravagante e patrona de arte, criadora do museu com o seu nome em Boston.


Gustav Klimt. Sonja Knips. 1897-8. 
Baronesa desde a nascença, foi umas das principais patronas de Klimt.


Monet. Art Institute of Chicago. 1897 e Klimt. Leopold Museum,Viena. 1899


Fernand Khnopff. Belvedere e Klimt. Margem do Lago. 1901. Coleção Privada


Seurat.Saint Denis. 1884. National Galleries of Scotland e Klimt. Papoilas em flor.1907. Belvedere

Van Gogh. Pomar em Flor.1889. Museu Van Gogh, Amsterdão e Klimt. Avenida para o Palácio Kammer. 1912. Belvedere 


Matisse. A Rapariga de Olhos Verdes. 1908 Museu de Arte de S. Francisco.
Rodin.Juventude Triunfante.1894. Viena


Edvard Munch.Noite de Verão na Praia 1904 e André Derain. 1904. Viena

É tão agradável ver belas pinturas....Excelente sábado em Viena!


segunda-feira, 18 de julho de 2022

O Museu do Mobiliário em Viena


Pouco conhecia do mobiliário austríaco, além do estilo Biedermeier, das cadeiras Thonet (curiosamente a primeira compra que fizemos nos EUA, num antiquário em Newport) e de umas outras que a minha avó paterna tinha e eram chamadas austriacas (ninguém se atrevia a sentar-se nelas, devido ao seu aspeto tão frágil). Encontrei tudo isso neste museu e muito mais...

O Museu do Mobiliário de Viena tem as suas 61.000 peças espalhadas por quatro andares. Há um grande foco dado ao período do século XIX, incluindo a maior coleção do mundo de mobília Biedermeier.

Tudo começou com a Imperatriz Maria Teresa (1717-1780), a qual fundou, em 1747, o Armazém do Mobiliário da Corte, onde eram guardadas as mobílias, que já não eram necessárias. Os seus inspetores eram responsáveis pelo inventário, armazenamento, manutenção e transporte de todos os materiais, que incluíam além do mobiliário, tapetes, tapeçarias, cortinados, candelabros, louças...

A família imperial mudava muito entre os seus diversos palácios usados para estadias de verão ou de inverno. Só o palácio Hofburg em Viena estava permanentemente mobilado. Os outros eram mobilados, segundo as necessidades, algumas semanas antes da chegada da Corte (lembro-me das memórias de Vital Fontes, mordomo real em Portugal e as peripécias que conta para a mudança da Família Real da Ajuda para Mafra...).

Em 1918, depois da abdicação do Imperador, o armazenamento de mobiliário passou para a tutela da recém formada República da Áustria e serviu para mobilar Embaixadas e departamentos governamentais.
Entre 1993 e 1998 foram compradas propriedades vizinhas para aumentar o espaço, que foi remodelado transformando-o do anterior Armazém de Mobiliário da Corte Imperial no moderno Museu do Mobiliário.
Hoje, a coleção do museu inclui não só peças da Corte, cujos exemplares mais antigos são do século XVI, mas também objetos do século XXI do movimento moderno de Viena. 


Nunca vi tantas cadeiras juntas....


das mais convencionais às mais estapafúrdias...


Cadeira de rodas da mãe da imperatriz Maria Teresa. A vida da mulher de Carlos VI ficou marcada pela necessidade de ter um filho para suceder ao trono. Ao seguir as normas médicas da época, que uma mulher «bem nutrida» teria mais facilidade em engravidar, submeteu-se a tratamentos, que a deixaram dependente desta cadeira de rodas para se mover...


Cadeira do Palácio Belvedere. Visita do Imperador Francisco José ao sobrinho e herdeiro do trono Francisco Fernando (assassinado em Serajevo).


Cadeira e sombrero utilizados pelo Imperador Maximiliano no México.




Cadeira da arquiduquesa Sofia, mãe do Imperador Francisco José. Cadeira de cabedal de José II, filho e sucessor de Maria Teresa

Trono e brasão de armas dos Habsburgos século XIX




Trono com a esfinge e patas de leão. Oratórios

 Mesa de jogo do século XVIII. Prenda de casamento dos pais de Maria Teresa. Trabalho do ebanista André-Charles Boulle, que deu o nome à técnica utilizada: incrustação de metais (liga de prata, estanho, latão)  com madre-pérola e marfim neste caso.

Esta peça é considerada uma das obras-primas da exposição
A secretária foi encomendada por Maria Antonieta e Luis XVI ao famoso artesão Adam Weisweiler

A história do seu aparecimento no museu é interessante. Quando a Revolução Francesa acabou com as encomendas da monarquia, Weisweiler continou a trabalhar para a família de Napoleão Bonaparte. Napoleão III ofereceu esta luxuosa peça a Charlotte da Bélgica, casada com Maximiliano do México. Ornamentava o palácio de Miramare, decorado ao gosto do casal que passou para o estado italiano no final da I Guerra Mundial. Através de uma troca de documentos foi autorizada a regressar à Áustria, onde nasceu Maria Antonieta.
Esta peça de um criador alemão é verdadeiramente europeia com Viena, Paris e Trieste no seu historial.


Oferta do Papa Pio VI ao imperador José II por ocasião da sua visita a Viena em 1782
O tampo da mesa mostra vistas de Roma e ao centro a catedral de S. Pedro.


Estas duas mesas estavam no Palácio Belvedere, que foi remodelado ao gosto do sucessor do trono Francisco Fernando



Trabalhos riquissimos dos finais do século XVI. Estavam no castelo Franzenburg


Amostras de chintz e biombo do Palácio Hof do príncipe Eugénio de Sabóia, um dos mais famosos generais do século XVIII aliado de John Churchill, 1.º Duque de Marlborough, nas grandes vitórias anglo-austríacas contra as tropas francesas de Luís XIV.

Secretária da Imperatriz Maria Teresa. Milão século XVIII.
Supostamente foram utilizadas mais de 80 diferentes qualidades de madeira

Camas do Palácio Laxenburg 

Cena de caça em Gödöllő

Cama da Sissi em Gödöllő


Cama onde o príncipe herdeiro Rudoldo foi encontrado morto
em Mayerling e postal de Mayerling

Secretária do Príncipe Rudolfo

Atravessamos partes do armazém, que não tem mobilia exposta

Podemos fazer uma viagem pelos filmes de Sissi realizados nos anos 50 e que tiveram grande sucesso com a atriz austriaca Romy Schneider, que representava a Imperatriz Elizabeth, chamada Sisi (só com um S). Como não podiam filmar dentro dos palácios, as cenas de interior eram feitas em estúdio com mobiliário original da época cedido pelo museu.



O armazém ainda fornece loiças e serviços de prata para banquetes de estado


Logo à entrada fiquei algo surpreendida por ver tantos cuspidores. Desde que Erasmo de Roterdão declarou que engolir a própria saliva era um hábito deplorável (apesar de no seu tempo os conterrâneos cuspirem para o chão) surgiram vários utensílios para onde as pessoas pudessem cuspir, sobretudo com o hábito de mastigar tabaco. Só a epidemia da gripe de 1918-20 acabou com esse hábito.



Gostei muito de visitar este museu muito bem organizado repleto de informações sobre as peças. A parte do século XXI foi vista a correr, pois já estava muito cansada.