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domingo, 17 de setembro de 2023

História de um quadro em arte aplicada


A minha mãe fez-me um trabalho em pano para decorar a cabeceira da nossa cama de casal pouco depois de casarmos. Nesta fotografia, onde escrevi "o primeiro ovo da Páscoa do Bernardo", no dia 30 de abril de 1984, encontrei o meu filho com 4 dias (realmente vê-se um coelhinho num ovo maior do que a sua cabeça...).


Em 1989, o mesmo painel ficou a decorar o quarto do meu filho, quando vivíamos em Ancara, na Turquia.

Quando regressámos a Portugal esteve guardado, mas, recentemente, em 2019, resolvi levá-lo para Bucareste e mandei emoldurá-lo para ficar protegido.


É uma recordação do trabalho da minha mãe e da minha sogra, a qual ajudou a bordar o interior das árvores. Agora está na casa do meu filho e nora, no corredor à saída do quarto de hóspedes, onde costumo ficar.

Muitos dos meus objetos de decoração têm um passado, que nos tem acompanhado ao longo da vida e por várias latitudes. Trazem-me à memória pessoas e lugares. Aquele painel já tem mais de 40 anos. Fiquei muito contente por estar bem conservado.

Era incapaz de viver numa casa minimalista. Felizmente, a minha vida tem sido cheia de excelentes recordações, porém já não tenho mais espaço.

Ah! Ninguém entender que ao meu olhar

Tudo tem certo espírito secreto!

Com folhas de saudades um objecto

Deita raízes duras de arrancar!


O Livro de Cesário Verde

Editorial Minerva 1977, pag 129

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Santa paciência…


O ano passado, durante as férias de Natal, mandei limpar um quarto de arrumações com caixas muito velhas, que ninguém se lembrava o que continham.

Foi então que encontrei este tapete e escrevi:


"Hoje lavei, com os pés, como aprendi a fazer na Turquia, este antigo e danificado tapete de Arraiolos, que encontrei guardado numa caixa. Quando estiver seco vou ver o que consigo fazer com ele..."

28 jan 2015


Um restauro em Portugal sairia caríssimo, pois estava muito danificado parece que devido às mordidelas de um ex-habitante desta casa, com quatro patas. (essa parte não está visível na fotografia tirada na altura).



Resolvi esconder as trituradas partes debaixo das camas num quarto de hóspedes, apesar de essa não ser a solução, mas dava para ser utilizado e visto, pois trata-se de uma peça bonita…Gosto muito de tapetes de Arraiolos e cheguei a fazer alguns para a minha casa e as dos filhos (Arraiolos Rugs)



Encontraram-me um restaurador de tapetes local, que o teve durante mais de um mês para chegar à conclusão que não o sabia arranjar nem tinha os materiais necessários (conversa muito habitual aqui). O problema é que chegou ainda mais danificado e já não dava para estar no chão…Portanto, definitivamente inutilizável. 



Lembrei-me então de fazer um painel para um corredor longo e vazio, onde as visitas habitualmente não vão. Atendendo às circunstâncias, talvez a solução para não me desfazer de um tapete antigo e bonito. Dobrei as partes estragadas e ainda sobrava uma porção considerável para levar para a frente o dito projeto.

A pessoa encarregada deste trabalho esteve meses com o tapete na sua posse. Após muitas insistências para que estivesse pronto para o meu regresso…deparei-me, ontem ( quase um ano depois de ter encontrado o tal tapete), com um painel cosido à máquina, sem estar esticado e pior…DO AVESSO.




Triste vida a de um tapete…

Santa Paciência…!