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domingo, 17 de maio de 2026

A Última Rainha de Portugal

 

D. Amélia de Orléans e de Bragança (1865-1951)

Fotografia no Museu dos Coches, fundado pela Rainha

Trinta e cinco anos após a sua partida para o exilio (1910), a Rainha D. Amélia regressou a Portugal. Foi no mesmo mês que chegara, em 1886, para  casar com D. Carlos. Em 18 de maio de 1945 chegou a Lisboa e instalou-se no hotel Avis com a sua comitiva. Tinha 79 anos.


Nas seis semanas que aqui permaneceu teve oportunidade de recordar o seu passado, visitando os locais onde viveu e as obras de assistência que fundara.

Na despedida deixou 500 contos, que foram depositados no Banco de Portugal, para que o chefe do governo os usasse como achasse que seria conveniente ao país.

Aguarela sobre papel Palácio da Pena in Rainha D. Amélia Pintora e Mecenas do Património Histórico de José Alberto Ribeiro. Caleidoscópio 2025 


Regressou a França, ao Palácio de Bellevue, junto a Versalhes, onde viveu, desde 1922, até à sua morte em 1951. A casa foi deixada por testamento ao governo francês.
Em Portugal, todos os seus bens foram legados ao primogénito dos duques de Bragança, D. Duarte Pio, seu afilhado.
Acabei de ler a biografia de D. Amélia de José Alberto Ribeiro, baseada em todos os seus diários, que são propriedade da Casa de Orléans e estão depositados nos Arquivos Nacionais de França. Muito interessante.!


Aquarela de girassóis da Rainha D. Amélia pertencente à Fundação Medeiros e Almeida.

quinta-feira, 14 de maio de 2026

Citação 9

 


Pousada Convento Vila Viçosa

"Quando lá entrei (Paço de Vila Viçosa) pela primeira vez, havia lixo venerável do tempo da Restauração! Fui um vendaval que entrou...Arranquei as ervas que cresciam à solta desde El-Rei D. João IV, limpei, pintei, compus aqui e ali, e, sobretudo não destruí, como era moda então. Lembro-me até que as Santas freiras do delicioso Convento das Chagas me receberam. E como eu gabasse  muito aquele lindo claustrozinho, cheio de era e de poesia, dizendo que o viria pintar no dia seguinte, as piedosas senhoras, para me serem amáveis, perderam a noite a limpar tudo, a descascar todas as pedras dos musgos e das eras românticas, e caiaram elas próprias, irrepreensivelmente e duma forma imprevista, o pitoresco local...o claustro ficou irreconhecível e eu...é claro não o pude desenhar...-santos tempos"

Entrevista concedida por D. Amélia, última Rainha de Portugal a Leitão Barros em 1938.

(em 1951, pouco antes da sua morte dá uma outra entrevista, que pode ser consultada online)


Citação na obra Rainha D. Amélia: Pintora e Mecenas do Património Português de José Alberto Ribeiro. Caleidoscópio, 2025, pagina 85


D. Amélia a pintar. Desenho do marido, Rei D. Carlos pagina 78

domingo, 4 de outubro de 2020

O último dia da Monarquia

 




No dia 4 de outubro de 1910, tinha terminado a visita oficial a Portugal do Presidente do Brasil, Hermes da Fonseca.
Logo depois do tenente Mendes Cabeçadas confirmar a hora combinada no seu relógio de bolso, ouvem-se tiros de canhão a partir do rio Tejo. 


A 5 de Outubro de 1910, José Relvas, na varanda da Câmara Municipal de Lisboa, proclamou a República em Portugal. Daí até hoje a vida da República não foi fácil, mas a monarquia nunca mais conseguiu voltar ao poder.

Resta-nos imaginar como é que teria sido o nosso futuro se em 1908, o Rei de Portugal e o Príncipe herdeiro não tivessem sido assassinados por republicanos ou se D. Manuel II se tivesse mantido no trono. Algo parece evidente, os nórdicos, como os britânicos, conservaram as suas monarquias. Naquela altura esses países deviam ter focos de pobreza semelhantes aos portugueses e, hoje em dia, são bastante mais prósperos, tendo mostrando notável estabilidade politica ao longo do século XX.  Em Portugal, ao contrário: os primeiros dezasseis anos republicanos foram extremamente conturbados, seguidos por uma ditadura de 48 anos e os últimos 46 marcados por graves crises financeiras e económicas, cujas resoluções implicaram intervenções internacionais.     



Quanto ao feriado de amanhã tenho sentimentos divididos. Enquanto que o meu pai era um fervoroso adepto da república e nasceu quando governava D. Manuel II, pois faria o mês passado 111 anos, a minha avó materna ainda chorava quando falava do Príncipe D.  Luís Filipe, que poderia ter sido Rei.






Em junho de 1901, o Rei D. Carlos e a Rainha D. Amélia visitaram pela primeira vez o arquipélago da Madeira e foram saudados com muito afeto pelos madeirenses.


Foi um marco histórico para a ilha, que tanto a minha avó como a do meu marido nos contaram. Interessante que a avó do meu marido (1900-1983) deve o seu primeiro nome à visita da Rainha à Sé do Funchal, onde foi baptizada a Maria Amélia Eugénia D`Affonseca Ornelas Vasconcellos Monteiro.

https://plataformacidadaniamonarquica.wordpress.com/2016/06/21/ha-115-anos-os-reis-na-madeira/