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sexta-feira, 14 de abril de 2023

Parabéns, Royal Savoy!

 


O Royal Savoy  faz 21 anos. Foi aqui, nas piscinas, que conheci o meu marido em 1976.


Nessa altura só havia um Savoy e no local de parte do hotel atual eram os balneários. Passei aqui umas excelentes mini-férias o ano passado, para comemorar o nosso 40º aniversário.

sexta-feira, 22 de abril de 2022

22 abril: dia do planeta TERRA

Preservem o nosso planeta! 




«Ele é o único que possui chocolate e livros!»... e vinho, diz a minha nora.


Fotos tiradas na ilha da Madeira em março 2022



sexta-feira, 1 de abril de 2022

Os 100 anos da morte de Carlos de Áustria

O último Imperador da Áustria morreu na Madeira a 1 de abril de 1922.

O Museu de Fotografia da Madeira - Atelier Vicente’s inaugurou a exposição temporária “Carlos de Áustria – Centenário do falecimento do Imperador” aberta  ao público a partir de ontem, 31 de março até 22 de abril de 2022, a qual reúne um conjunto de imagens captadas pelos Perestrellos Photographos entre 1921 e 1922, por ocasião da estadia de Carlos de Habsburgo (1887-1922) e família na ilha da Madeira.

Também na Sé do Funchal estão em exposição cartazes, que celebram a vida de Carlos de Áustria.


Carlos de Habsburgo foi o último Imperador da Áustria de 1916 até 1918, também Rei da Hungria e Croácia como Carlos IV e Rei da Boémia como Carlos III.


Ontem, às 21h, reallizou-se na Sé Catedral do Funchal um concerto em homenagem ao Imperador pela Orquestra Clássica da Madeira, uma iniciativa da Embaixada da Hungria. O maestro convidado foi Tibor Boganyi.



A autora do livro Carlos e Zita de Habsburgo, Elizabeth Montfort, esteve na Madeira para assistir ao lançamento da versão portuguesa.do livro

Carlos de Habsburgo ascendeu ao trono após a morte do seu tio-avô Francisco José I. Como já referi neste blog, Rudolfo, o herdeiro do trono, suicidou-se e  o seu tio, o Arquiduque Francisco Fernando foi assassinado em Sarajevo, pelo que coube a Carlos de Habsburgo ascender ao trono.
Lembro que a sua tia-avó, a Imperatriz Sissi  passou alguns tempos na Madeira, para recuperar de problemas de saúde: em  (1860-61) quando tinha 23 anos e mais tarde, em 1893, com 56 anos.



Da primeira estadia há uma estátua que representa a Imperatriz Sissi junto ao Casino, que se situa na antiga Quinta onde ficou instalada.






Com a dissolução do Império Habsburgo, o Imperador e a sua família viveram exilados na Madeira a partir de 19 de novembro de 1921. Inicialmente, hospedaram-se na “Villa Victoria”, quinta anexa ao Reid’s Palace Hotel, mas, em fevereiro de 1922, mudaram-se para a Quinta Rocha Machado, no  Monte (atualmente conhecida por “Quinta Jardins do Imperador").
A sua estada foi curta, em virtude de Carlos de Habsburgo ter adoecido com uma dupla pneumonia gripal, não tendo resistido a essa doença no dia 1 de abril de 1922, quando tinha apenas 34 anos. O imperador está sepultado na Igreja do Monte.

O facto de Carlos de Áustria ter vivido os últimos meses da sua vida em Portugal não é a ínica relação com o nosso país, ao qual estava ligado por razões familiares. Era neto da Infanta D. Maria Ana, filha da nossa Rainha D. Maria II e do Rei consorte D. Fernando II. O seu avô paterno foi casado com D. Maria Teresa de Bragança, filha de D. Miguel de Portugal. Por seu lado, pelo casamento com a última Imperatriz da Áustria, Zita,  estabeleceu mais uma relação de parentesco com Portugal, pois esta era filha do Duque de Parma e da sua segunda mulher, a Infanta D. Maria Antónia de Bragança, filha de D. Miguel e irmã de D. Maria Teresa de Bragança.

Em 3 de outubro de 2004, Carlos de Áustria foi beatificado pelo papa João Paulo II.

Os 8 filhos dos Imperadores Carlos e Zita




O filho mais velho, Otto (1912-2011) foi eurodeputado e temos o seu livro autografado e com uma dedicatória para o meu marido em português...










A fotografia de Carlos de Habsburgo na Sé do Funchal.

Tenho a certeza que se mostrassemos a sua fotografia a muitos madeirenses reconheceriam o último Imperador da Áustria. Para meu espanto, o mesmo não aconteceu em Viena, quando visitei a Karls Kirche, que mostrava num altar uma fotografia semelhante: nem a funcionária nem um padre sabiam a quem se referia aquele retrato tão visível e claramente diferente de outras imagens muito mais antigas. 

A área atual da Áustria corresponderá, em grande parte, aos territórios da Casa de Habsburg, uma das mais antigas dinastias reais europeias e que fez de Viena o centro do seu império e uma das cidades mais afamadas da Europa. Em 1918, o império austríaco deixou de existir e aquele país e a sua capital perderam a influência e também a velha aúrea que detiveram, durante séculos; entre 1938 e 1945 foi anexada pelo regime nazi. Apesar de já não ter o estatuto imperial, até porque é um país neutral, a Áustria vale a pena visitar e Viena, com muitos dos seus edifícios e palácos num estilo neo-clássico pesado e solene, mantém reminiscências desse passado.   


segunda-feira, 21 de março de 2022

Vestido histórico

Quando fiz 60 anos fiz um post com fotografias do vestido que usei nesse dia e disse que parecia um vestido para as décadas pois usara-o aos 30, 40, 50 e 60 anos.

Funchal 2022


Lisboa 2017
Chile 2007
Istambul 1990


Resolvi tirar o meu velho vestido do armário e levá-lo à Madeira.Tenho esta relação com alguma roupa - relaciono-a com acontecimentos importantes...e guardo-os sempre. Não me importo que pareçam antiquados...

quinta-feira, 2 de dezembro de 2021

Restauro dos Tetos da Sé Catedral do Funchal



A Sé do Funchal

Foi com enorme prazer que recebi fotografias do restauro dos tetos da Sé do Funchal. Construídos no século XVI, nunca tinham sido intervencionados. Estão uma beleza! 


Os tetos mudéjares (de tradição artística islâmica), em madeira de cedro da ilha




O Restauro
 

O retábulo do altar-mor


 Cadeiral


Pia batismal ainda no seu local de origem


Cruz processional em prata dourada, oferta de D. Manuel I à Sé do Funchal
 (Museu de Arte Sacra do Funchal)


Se não conhece a Sé do Funchal, aconselho o programa Visita Guiada



Iluminação de Natal 2021



Madeira 1419-2019 (600 anos)

sábado, 27 de fevereiro de 2021

Recordar Vergílio Ferreira

(foto de Júlio Soares)

"Uma língua é o lugar donde se vê o Mundo e em que se traçam os limites do nosso pensar e sentir. Da minha língua vê-se o mar. Da minha língua ouve-se o seu rumor, como da de outros se ouvirá o da floresta ou o silêncio do deserto. Por isso a voz do mar foi a da nossa inquietação" *


Vergílio Ferreira


*Excerto do texto «A Voz do Mar», lido por Vergílio Ferreira (1916-1996) em 1991, na cerimónia em que lhe foi atribuído o Prémio Europália em Bruxelas, pelo conjunto da sua obra literária.


Madeira 2016

quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

sexta-feira, 9 de outubro de 2020

Memórias de arte na Madeira.

Alguns nomes de artistas, cujas exposições visitei com a minha madrinha Adriana, quando era criança.

 




O meu retrato quando era criança por Adriana Pires







 
Mestre Arnaldo Louro de Almeida. Pescador (1947)

ARNALDO LOURO DE ALMEIDA (1926 – 2008) viveu vários anos na Madeira, onde foi professor. Esteve ligado à fundação da Secção de Belas Artes da Academia de Música e Belas Artes da Madeira, sendo o seu primeiro diretor.



A sua obra enquadra-se no movimento neorealista Português, pela temática e expressão.




Escultura do Mestre Anjos Teixeira (1908-1997) no museu de Sintra.

Foi perseguido pela PIDE. Em 1959, decidiu ir viver para o Funchal, onde exerceu atividades diversas: docente, escultor, músico, jornalista, entre outras.


CIDADE FUNCHAL
..............

Não quero dizer-te
palavras à toa
tão loucas cantigas
que o canto me doa.
Mas quero que saibas
por me ouvir cantar
ó minha cidade,
que te sei amar!
..............

.
RUAS DO FUNCHAL
.............

Verdes quintas sonolentas
no silêncio dormem nuas.
Maravilhas, Jasmineiro,
Ilhéus…E em cada canteiro
respira o corpo das ruas.


Cheiro a lilás e orquídea
Caminho Velho da Ajuda.
Atrás dos muros antigos
os quintais são os abrigos
da cidade que não muda.
Arca-mistério da infância
que a memória não ajuda.


Irene Lucília (1938) é uma escritora, poetisa e artista plástica portuguesa, natural da ilha da Madeira.

Ilha que é gente. Funchal: Secretaria Regional do Turismo e Cultura,


domingo, 4 de outubro de 2020

O último dia da Monarquia

 




No dia 4 de outubro de 1910, tinha terminado a visita oficial a Portugal do Presidente do Brasil, Hermes da Fonseca.
Logo depois do tenente Mendes Cabeçadas confirmar a hora combinada no seu relógio de bolso, ouvem-se tiros de canhão a partir do rio Tejo. 


A 5 de Outubro de 1910, José Relvas, na varanda da Câmara Municipal de Lisboa, proclamou a República em Portugal. Daí até hoje a vida da República não foi fácil, mas a monarquia nunca mais conseguiu voltar ao poder.

Resta-nos imaginar como é que teria sido o nosso futuro se em 1908, o Rei de Portugal e o Príncipe herdeiro não tivessem sido assassinados por republicanos ou se D. Manuel II se tivesse mantido no trono. Algo parece evidente, os nórdicos, como os britânicos, conservaram as suas monarquias. Naquela altura esses países deviam ter focos de pobreza semelhantes aos portugueses e, hoje em dia, são bastante mais prósperos, tendo mostrando notável estabilidade politica ao longo do século XX.  Em Portugal, ao contrário: os primeiros dezasseis anos republicanos foram extremamente conturbados, seguidos por uma ditadura de 48 anos e os últimos 46 marcados por graves crises financeiras e económicas, cujas resoluções implicaram intervenções internacionais.     



Quanto ao feriado de amanhã tenho sentimentos divididos. Enquanto que o meu pai era um fervoroso adepto da república e nasceu quando governava D. Manuel II, pois faria o mês passado 111 anos, a minha avó materna ainda chorava quando falava do Príncipe D.  Luís Filipe, que poderia ter sido Rei.






Em junho de 1901, o Rei D. Carlos e a Rainha D. Amélia visitaram pela primeira vez o arquipélago da Madeira e foram saudados com muito afeto pelos madeirenses.


Foi um marco histórico para a ilha, que tanto a minha avó como a do meu marido nos contaram. Interessante que a avó do meu marido (1900-1983) deve o seu primeiro nome à visita da Rainha à Sé do Funchal, onde foi baptizada a Maria Amélia Eugénia D`Affonseca Ornelas Vasconcellos Monteiro.

https://plataformacidadaniamonarquica.wordpress.com/2016/06/21/ha-115-anos-os-reis-na-madeira/

terça-feira, 8 de setembro de 2020

Morreu Vicente Jorge Silva aos 74 anos

Vicente Jorge Silva (1945-2020)
Vicente Jorge Silva nasceu no Funchal, oriundo de uma família de fotógrafos. O bisavô foi o fundador do Atelier Vicente fotógrafos, hoje em dia Museu de Fotografia da Madeira. 

Será talvez este ambiente onde morava, ao lado de máquinas e cenários, que lhe despertou o interesse pelo cinema. 
Começou por fazer crítica cinematográfica e, mais tarde, aventurou-se como realizador de cinema, porém foi através do jornalismo, que se tornou conhecido e jornalista de referência. Começou no Comércio do Funchal, o chamado "jornal cor-de-rosa", (devido à cor do papel) um dos jornais que mais criticou o regime de Salazar, que Vicente Jorge Silva deu os primeiros passos no mundo das notícias. Após o 25 de abril o jornal acabou por se extinguir, já depois de deixar a Madeira para trabalhar no O Expresso. Enquanto chefe de redação e diretor adjunto foi responsável pelo lançamento da revista daquele semanário.

Mais tarde foi co-fundador do jornal "O Público".

Foi uma das pessoas da minha terra que triunfou em Lisboa, que respeitava e admirava pelo seu desassombro e, na minha infância, convivi com as suas irmãs.

Numa entrevista que deu em 1997, Isabel Lucas perguntou-lhe como imaginava os seus últimos dias. “Numa cabana à beira-mar”, respondeu. “Imagino-me a escrever nos últimos dias e a morrer durante a noite, calmo. Imagino a minha mulher e os meus filhos. O Miguel, o Vicente e a Laura. Ouço o mar ao fundo. Como se fosse um filme.”

Morreu na última madrugada...


https://www.publico.pt/2020/09/08/sociedade/noticia/morreu-vicente-jorge-silva-19452020-jornalista-exigente-fez-historia-jornalismo-1930750

Expresso, 12 setembro 2020


quinta-feira, 27 de agosto de 2020

Trabalhos em petit point



Gosto muito de bordar em lã, sobretudo para fazer pequenos tapetes de Arraiolos. No entanto, quando comecei a bordar, por influência da minha mãe e da Gabriela Oliveira, uma vizinha amiga que morreu o mês passado, foi em petit point, como o nome indica, um trabalho mais difícil e que requer mais paciência, porque o ponto tem de ficar todo igual. É bordado na diagonal, com a agulha a apontar para baixo ou de lado, conforme as carreiras. 

A minha mãe não gostava de me ver sem fazer nada, portanto, nas férias arranjou-me o meu primeiro trabalho, que pagou e eu apliquei no exame de Cambridge. Foram os estofos para as novas cadeiras de casa de jantar, que mandou fazer. Ainda vieram para Lisboa, em 1976, mas depois estragaram-se. Guardo uma almofada feita de um dos estofos, ainda em condições.



Quando casei a Gabriela ofereceu-me uma tela pré-bordada,  para o estofo de uma cadeira, que eu preenchi o fundo e mandei aplicar em Ancara numa cadeira comprada de propósito para o efeito.



Quando fui viver para a Turquia tive necessidade de ter uma casa de jantar mais formal com 12 cadeiras. Nessa altura já não tive tempo de preencher os fundos. A tela bordada em petit point veio completa da Madeira e só tive de mandar fazer os cochins....






Tenho muito orgulho nestas cadeiras "austriacas" (eram assim chamadas), que pertenciam à minha avó Rosa (1883-1967). As almofadas em petit point são muito mais recentes do que as cadeiras já centenárias.


Só na Madeira é que fiz estes trabalhos. Os dois quadros de flores foram também uma oferta, que vinha com o desenho marcado: um estampado e o outro com o desenho traçado com a própria lã. Na Madeira vendiam-se muito estas telas para serem preenchidas e os estrangeiros apreciavam muito. Até os homens compravam, pois diziam ser um bom exercício para o reumatismo...


Este quadro fiz para o meu primeiro sobrinho, que nasceu em 1977





Fiz também umas almofadas em needlepoint, muito mais fácil. Essas ainda uso na minha casa.


Tenho outros trabalhos em petit point, mas esses foram oferecidos já prontos (eu também não conseguiria fazer as caras, com o ponto extra-pequeno).



Aprecio muito os trabalhos manuais. Nunca consegui foi aprender a bordar bordado Madeira, mas tenho bonitas toalhas e jogos individuais, que por serem dificeis de engomar, não utilizo com muita frequéncia.