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domingo, 3 de dezembro de 2023

Passeio a Cascais

 





Visita Guiada ao Palácio da Cidadela de Cascais. Só o tinha visitado em 2011, quando foi inaugurado, depois de grandes obras de remodelação.






Fomos petiscar à Pousada mesmo ao lado


Depois visitámos a exposição

MEMÓRIAS DA PRAIA DA CORTE: D. LUÍS E D. MARIA EM CASCAIS










Na Casa Sommer vimos uma exposição sobre o caricaturista Augusto Cid (1941-2019)


Museu Condes de Castro Guimarães


A nossa visita a Cascais terminou com um pequeno passeio a pé até ao farol de Santa Marta e o Palácio O´Neill.

Mas que dia bem passado...E também me recordei, antes de me casar, que a minha sogra gostava de ir passear comigo a Cascais, quando o meu marido esteve no estrangeiro, no verão de 1977.



segunda-feira, 19 de julho de 2021

Oferta de Franz Liszt a D. Maria II







Na recente visita ao Palácio da Ajuda para ver a exposição sobre D. Maria II, não me recordo de ver referência ao grande interesse da família pela música.

Junto ao retrato de João Domingos Bomtempo de 1814 menciona-se que este pianista e compositor fundou em Lisboa a Sociedade Filarmónica e que foi nomeado mestre de música da rainha D. Maria II em 1833, cargo que ocupou até 1842 e, em 1835, criou o Conservatório de Música, sendo o seu primeiro diretor.

Apetecia-me saber mais, até pela grande tradição musical da Dinastia de Bragança e por isso hoje fui ao Museu da Música ver o piano que Liszt trouxe consigo em 1845, quando passou por Portugal e, depois, ofereceu a D. Maria II.
Piano Boisselot & Fils, Marselha, 1844



D. Maria II doou-o ao professor de música dos Infantes, Manuel Inocêncio dos Santos.








Gostei muito desta visita ao museu, que não visitava há muitos anos. A próxima vez será concerteza em Mafra, para onde se mudará em  três anos.
E como não podia deixar de ser também vi o violoncelo Stradivarius, que pertenceu ao Rei D. Luís.
 






E já agora que estamos a falar dos Bragança, a caixa de contrabaixo em madeira pintada, que pertenceu ao Rei D. Carlos.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

Rossini e a boa mesa

Gioachino Antonio Rossini 1792-1868 

O musicólogo e antigo diretor do Teatro Nacional de São Carlos, Paolo Pinamonti, foi o convidado da primeira tertúlia organizada pelo jornal Público e o restaurante Eleven, em 2011 e os participantes  descobriram que a ópera e a cozinha têm mais em comum do que se imagina.

"A ópera não é a soma aritmética dos seus elementos", disse Pinamonti. "É mais do que essa soma." É exatamente como a cozinha. "Se tentarmos fazer um tornedó limitando-nos a juntar os ingredientes, não resulta." Para quem ouve, ou para quem come, a emoção vem de algo inexplicável. Rossini sabia disso - no teatro e à mesa.

Tornedó à Rossini

Rossini nunca foi um cozinheiro, nunca inventou nada, mas há muitas anedotas e pequenas histórias, que o ligam à cozinha e que ele próprio sempre alimentou, explicou Pinamonti. "Ele era muito amigo de Casimir Moisson, jovem chefe do restaurante parisiense Maison Dorée, e estava sempre a fazer-lhe sugestões e a interferir com o trabalho de Moisson."

O jovem chefe não queria ser desagradável para com o grande maestro, mas um dia terá mostrado alguma impaciência, dizendo que tinha que voltar para a cozinha, ao que Rossini terá respondido: "Et alors, tournez le dos!" (Então, vire as costas!). O Tornedó à Rossini, diz-se, teria nascido aí, desse "tournez le dos".


Stracchino

Pinamonti revelou ainda que Rossini era um entusiasta de stracchino, um queijo de leite de vaca, amanteigado, típico da Lombardia e que escrevia ao pai a pedir que lhe mandasse stracchino de Itália para França.





Ária do risotto

Em 1813, quando a ópera Tancredo estreou no La Fenice, em Veneza (do qual Pinamonti foi diretor artístico entre 1997 e 2000), a cantora Adelaide Malanotte ter-se-á queixado de uma ária, que lhe parecia demasiado longa. "Havia a tradição de se comer risotto", contou Pinamonti, "que é um prato que não pode ficar no fogão, tem que ser cozido no tempo certo. Por isso só quando os clientes chegavam ao restaurante é que o chefe perguntava "Vado con il riso?" [Avanço com o arroz?]. Rossini escrevia muito rapidamente e conta-se que a nova ária fora escrita no restaurante no tempo que o arroz demorou a cozer".

Mas seria profundamente injusto reduzir Rossini a um apreciador de boa comida e ao homem retratado em anedotas gastronómicas, embora, como diz Pinamonti, ele quisesse claramente "contrastar com a imagem do artista romântico, magro e desinteressado das coisas mundanas". Rossini era, acima de tudo, um grande compositor de ópera.



D. Luís e Rossini

Num almoço oferecido por D. Luis, onde também estava presente Castelo Melhor,  foi servido Tornedó à Rossini e consta que D. Luís terá dito: "Não vos vou maçar com a história do Rossini e do tournedos, porque já conhecem certamente, mas vou vos contar outra ... quando estive em Paris, entre outras coisas, apareci de surpresa em casa do Rossini. Aqui para nós, que ninguém nos ouve - e ri-se mais enquanto mete na boca mais um pouco de pão, agora com molho do tornedó- eu já tinha tudo combinado com o Rossini, mas quis encenar a aparição de mais um músico naquela casa, onde também estava, imaginem, o grande Verdi. Toquei violino, e cantámos todos juntos. Diverti-me imenso e só no fim da soirée é que todos os presentes, exceto o Rossini, que já sabia, ficaram a saber que eu era o rei de Portugal. Ahahah! (Xavier, 37)

Na fotografia, D. Luís (1838-1889) com o seu violoncelo stradivarius 'Chevillard-Rei de Portugal', classificado como Tesouro Nacional, uma das ”jóias da coroa” do acervo do Museu Nacional da Música. É o único instrumento em Portugal com a assinatura do construtor António Stradivari (1644-1737). O anterior proprietário foi o violoncelista belga Pierre Chevillard (1811-1877), que manteve o instrumento musical até à sua morte. Pouco tempo depois, o violoncelo passou para as mãos do monarca português, que tinha uma pequena coleção de instrumentos e era violoncelista amador.


Referências:

https://www.publico.pt/2011/05/21/jornal/tornedo-e-opera-num--jantar-inspirado-por-rossini-22044845

Xavier, António. Histórias do Palácio Foz. Aletheia, 2019

Nota: VER a VERSÂO da NET para poder visualizar o vídeo deste post no telemóvel.