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quarta-feira, 22 de outubro de 2025
domingo, 4 de outubro de 2020
Obra inédita de Paula Rego
Só recebi a semana passada o semanário Expresso com uma edição comemorativa por ser o número 2500. Foi uma surpresa ver a capa da revista com a obra inédita de Paula Rego La Mano Muerta. Gostei de saber a história por detrás desta gravura, explicada pelo seu filho, Nick Willing:
"Quando disse à Paula Rego que o vosso tema era ‘Liberdade de Expressão’, ela imediatamente sugeriu ‘La Mano Muerta’. Isto pode não ser exatamente o que estariam à espera, mas tem uma história forte que ela considera apropriada. Em 1962, Paula fez uma gravura, no seu estúdio em Londres, contra os regimes fascistas de Franco e de Salazar. Depois, trouxe a gravura para Portugal para imprimir, mas foi avisada que o SNI a estava a vigiar por causa de outras pinturas e desenhos anti-Salazar que ela tentara expor. Quando soube que poderiam ir ao estúdio na Ericeira, ela escondeu a chapa na casa dos pais, no Estoril. Tanto quanto ela se lembra, nunca foram feitas provas dessa chapa, tendo esta desaparecido. Há algumas semanas, estive no Estoril a arrumar algum material e deparei-me com um velho embrulho perdido na garagem. Era uma chapa de gravura antiga (imagem à direita), enferrujada e cheia de marcas. Trouxe-a de volta para o Reino Unido e pedi a Mike Taylor, da Pauper’s Press, para a restaurar. O resultado é a gravura ‘La Mano Muerta’ — ‘A Mão Morta do Fascismo’ (imagem em cima). Nunca foi exposta... Que eu saiba, nunca foi vista até agora. O mundo mudou. Em vez de a esconder com medo da prisão ou da tortura, Paula quer agora mostrá-la como símbolo de desafio contra o fascismo.”
terça-feira, 8 de setembro de 2020
Morreu Vicente Jorge Silva aos 74 anos
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| Vicente Jorge Silva (1945-2020) |
Vicente Jorge Silva nasceu no Funchal, oriundo de uma família de fotógrafos. O bisavô foi o fundador do Atelier Vicente fotógrafos, hoje em dia Museu de Fotografia da Madeira.
Será talvez este ambiente onde morava, ao lado de máquinas e cenários, que lhe despertou o interesse pelo cinema.
Começou por fazer crítica cinematográfica e, mais tarde, aventurou-se como realizador de cinema, porém foi através do jornalismo, que se tornou conhecido e jornalista de referência. Começou no Comércio do Funchal, o chamado "jornal cor-de-rosa", (devido à cor do papel) um dos jornais que mais criticou o regime de Salazar, que Vicente Jorge Silva deu os primeiros passos no mundo das notícias. Após o 25 de abril o jornal acabou por se extinguir, já depois de deixar a Madeira para trabalhar no O Expresso. Enquanto chefe de redação e diretor adjunto foi responsável pelo lançamento da revista daquele semanário.
Começou por fazer crítica cinematográfica e, mais tarde, aventurou-se como realizador de cinema, porém foi através do jornalismo, que se tornou conhecido e jornalista de referência. Começou no Comércio do Funchal, o chamado "jornal cor-de-rosa", (devido à cor do papel) um dos jornais que mais criticou o regime de Salazar, que Vicente Jorge Silva deu os primeiros passos no mundo das notícias. Após o 25 de abril o jornal acabou por se extinguir, já depois de deixar a Madeira para trabalhar no O Expresso. Enquanto chefe de redação e diretor adjunto foi responsável pelo lançamento da revista daquele semanário.
Foi uma das pessoas da minha terra que triunfou em Lisboa, que respeitava e admirava pelo seu desassombro e, na minha infância, convivi com as suas irmãs.
Numa entrevista que deu em 1997, Isabel Lucas perguntou-lhe como imaginava os seus últimos dias. “Numa cabana à beira-mar”, respondeu. “Imagino-me a escrever nos últimos dias e a morrer durante a noite, calmo. Imagino a minha mulher e os meus filhos. O Miguel, o Vicente e a Laura. Ouço o mar ao fundo. Como se fosse um filme.”
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