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terça-feira, 31 de março de 2026

João Vaz no Museu da Marinha

 


Hoje os avós levaram a neta mais velha ao Museu da Marinha, onde encontrei várias obras de João Vaz (1859-1931), um dos membros do Grupo do Leão, aluno de Silva Porto e Tomás da Anunciação (professor de pintura e desenho do Rei D. Carlos I), um pintor que me tem chamado a atenção ultimamente.



Muleta do Barreiro



Um Dia Turvo (1916)


Canoas Regressando da Pesca



Praia de Buarcos (1900)



Barcos Varados na Praia



Os belos quadros de João Vaz com momentos onde mar e rios se fundem com o horizonte dão-me sensação de calma, talvez porque cresci na ilha da Madeira, onde ele também viveu e pintou.  


segunda-feira, 16 de março de 2026

Museu Nacional Frei Manuel do Cenáculo


 

Álvaro Pires foi um pintor de origem portuguesa que trabalhou no norte da Toscânia, no início do século XV, assinando por vezes com referência à sua naturalidade de eborense. Esta pintura é de 1410, talvez a sua obra mais antiga.


Em 2018 o estado português adquiriu em leilão a pintura Anunciação do mesmo autor.

Em 2020 fui a uma exposição no MNAA  sobre Álvaro Pires de Évora, mas o catálogo não tinha ficado pronto a tempo. Comprei-o agora neste museu de Évora.

O museu tem o nome de Frei Manuel do Cenáculo (1724-1814), um franciscano que foi bispo de Beja e Arcebispo de Évora, doutorado em Teologia pela Universidade de Coimbra. Conseguiu reunir uma importante colecção de peças arqueológicas. Mais tarde, juntaram-se outras oriundas de extintas casas religiosas e ainda doações. Todo este conjunto constitui a base deste museu criado em 1915 e instalado no antigo Paço Arquiepiscopal.
O núcleo de pintura é o mais notável, agrupando o notável políptico gótico da catedral executado por mestres flamengos da Escola de Bruges.


Esta obra teve um profundo impacto no gosto artístico da época e contribuiu para a importação de pintura flamenga, que por sua vez influenciou a portuguesa.

Pintura flamenga:

Paisagem no Gelo (1620) de Hendrick Avercamp

Festa de Casamento de Bruegel (1620)

Só pelo que já mostrei valia a visita, mais há muito mais: Grão Vasco, Gregório Lopes, Josefa de Óbidos, Domingos Sequeira, Pedro Alexandrino...


 João Vaz (1859-1931) Anoitecer de 1915.

Este pintor naturalista, aluno de Tomás da Anunciação e Silva Porto, foi um dos fundadores do Grupo do Leão. Creio que a maior coleção de obras suas está na Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves, mas li recentemente que no Museu das Cruzes no Funchal também há uma obra sua pintada na Madeira, quando viveu na ilha por algum tempo. 

Recentemente renovado, o Museu Nacional Frei Manuel do Cenáculo dispõe de um belo e importante espólio, cujo edifício encontra-se mesmo no centro histórico, defronte do Templo de Diana. Regressei agora a Évora, porque no Verão não o tinha visitado. É sempre bom voltar à capital do Alto Alentejo. 





quinta-feira, 3 de julho de 2025

O Museu José Malhoa

 Nas Caldas da Rainha





Foi o primeiro edifício a ser projetado para fins museológicos em Portugal e exibe o maior número de obras de José Malhoa (1855-1933), nascido nas Caldas da Rainha. 





A criação do museu deveu-se à iniciativa de um grupo de personalidades regionais, tendo António Montês como principal figura, pois foi o fundador e primeiro diretor.







O acervo inclui também obras de outros artistas naturalistas.

Paisagem de Carlos Reis

João Vaz (1859-1931). Peniche

Alfredo Keil. Paisagem. 1879

Artur Alves Cardoso. Uma Paragem Forçada. 1913

O museu, há pouco tempo, foi sujeito a obras, reabrindo ao público em 2023 e além de um interior amplo e bem iluminado, dispõe de salas para exposições temporárias. E prolonga-se nos jardins no parque D. Carlos, onde está inserido, com esculturas de vários artistas.

Tomás de Anunciação. O Sendeiro, 1856

Silva Porto. A Salmeja.1884

José Malhoa foi dos poucos pintores naturalistas, que não estudou no estrangeiro. Embora influenciado no inicio da carreira pelo seu professor Tomás da Anunciação (1818-1879) ainda da escola romântica, começou a olhar e a entender de forma diferente a paisagem sob influência de Silva Porto. Este último  trouxe de Paris e da Escola Barbizon os fundamentos da pintura naturalista ao ar livre para o chamado Grupo do Leão, ao qual José Malhoa também pertencia.


D. Carlos. Casario numa rua. 1885. Museu José Malhoa
Roque Gameiro. Retrato de D. Carlos. Palácio de Mafra 

Em Lisboa, onde frequentou o Curso de Belas Artes, mandou construir a Casa Malhoa em 1904, que lhe servia de residência e atelier e onde recebia visitas como D. Carlos e D. Amélia. A casa foi adquirida em 1932 pelo Dr Anastácio Gonçalves, que a transformou em Casa-Museu, onde depositou as suas coleções de arte.

Em Figueiró dos Vinhos podemos visitar o Casulo de Malhoa, onde viveu e morreu. Aqui o campo e as suas gentes inspiraram os cenários e os modelos da sua pintura de costumes retratando um país rural aparentemente simples.



Ao longo da sua longa carreira, Malhoa retratou quer o povo, quer a burguesia ou ainda a nobreza e mesmo a realeza, como os magníficos retratos do Rei D. Carlos e do Príncipe D. Luís Filipe testemunham. Realizava os retratos pintados ao vivo ou a partir de fotografia ou da sua imaginação.


Fez 2 autorretratos


E foi retratado por outros artistas


Malhoa é um artista notável e termino com um quadro que gosto muito: os bêbados.


Na sala de exposições temporárias, os trabalhos de uma das suas últimas discìpulas, sobre a qual um dia destes farei um post


segunda-feira, 30 de junho de 2025

A Casa-Museu Dr Anastácio Gonçalves


A Ceifa de Silva Porto, o "divino mestre" do naturalismo português.
Obra emblemática considerada Tesouro Nacional


A Praia de João Vaz.
Nos dois quadros nota-se claramente como a figura humana está inserida na paisagem

Retrato do Dr Anastácio Gonçalves no roteiro da Casa-Museu (janeiro 2002).

A pintura de Malhoa de 1932 foi retirada para restauro.

O Dr. Anastácio Gonçalves nasceu em Alcanena em 1888. Era oriundo de uma família endinheirada, proveniente da indústria de curtumes. Sempre foi um brilhante aluno, interessado por diversas matérias. Adorava viajar sobretudo para visitar museus. Fez muitas viagens à volta do mundo. Só não conhecia a América do Sul e a Austrália. Tinha uma rica biblioteca, pois era culto e bem informado. Lia os autores clássicos na língua original. Licenciou-se em medicina em 1913 e especializou-se em oftalmologia.

Serviu na Grande Guerra e foi condecorado por valiosos serviços prestados nas trincheiras e por se ter distinguido na Batalha de La Lys pela sua coragem e dedicação.

A prática de medicina levou-o ao contacto com reconhecidas individualidades do mundo da ciência, literatura e arte como Ricardo Jorge, Aquilino Ribeiro e Ferreira de Castro. Também era seu cliente Calouste Gulbenkian, que morava muito perto, no Hotel Aviz e visitava a sua casa para ver as novas aquisições do médico. Consta que este foi dos poucos portugueses que visitou Gulbenkian na sua casa em Paris, na Avenida Iéna 51 e ficou deslumbrado com a coleção de arte que encontrou.

Em 1965, solicitou autorização à PIDE para visitar a Rússia pela segunda vez. Da primeira vez a excursão a Leninegrado para visitar o museu Hermitage calhou num dia feriado e não conseguiu concretizar o seu objetivo. No dia 14 de setembro realizou o seu sonho, mas o seu coração não resistiu à emoção e morreu nessa noite no quarto de hotel.


O Herrmitage


(felizmente nós já não precisámos de pedir autorização à PIDE para visitar São Petersburgo)

Em testamento legou ao estado português a casa onde residia, assim como a coleção de arte. Era sua ideia que fosse criado um pequeno museu como o Soane de Londres, o que veio a concretizar-se só em 1980 (a burocracia é pesada)...

A Casa-Museu Dr Anastácio Gonçalves foi adquirida em 1932. Foi mandada construir pelo pintor Malhoa, em 1904. 

O plano é do arquiteto  Norte Júnior, a quem se deve igualmente o projeto de vários palacetes, prédios e moradias das Avenidas Novas, nomeadamente na 5 de outubro, que vai da Maternidade Alfredo da Costa até à Cidade Universitária. Em 1905 recebeu o Prémio Valmor.

A Coleção

O espólio da Casa-Museu compreende pintura, escultura, porcelana chinesa, mobiliário e ourivesaria.


Mário Augusto (1895-1941) O Rio Jamor. 1926

A maior coleção de pintura é portuguesa e naturalista, sendo Silva Porto (1850-1893), um dos fundadores do Grupo do Leão, o mais representado, a par de Malhoa, Columbano, João Vaz, António Ramalho, Carlos Reis...

Maria Lucília Moita. Cadeira Vermelha (1928-2011)


Carlos Reis (1863-1940) Azenha

António Ramalho. Pintor Silva Porto


A bela escultura arte nova Eva de João da Silva (1890-1960)


Porcelana Chinesa. Aquários Século XVIII

A história destes dois aquários do século XVIII, é muito interessante. Como disse o colecionador, "colecionar é um vicio" e uma obstinação. Um dia em visita à Quinta das Baldrucas, em Azeitão, o Dr Anastácio expressou o desejo de comprá-los para a sua coleção de porcelana chinesa, mas o proprietário recusou o pedido. Disse que o que estava á venda era a propriedade com o seu recheio e não a venda de peças isoladas. O que fez o Dr, Anastácio? Comprou a quinta e trouxe os aquários, como queria. Esta história foi contada na primeira visita que fiz há anos, antes das intervenções de fundo na moradia e foi confirmada ontem.


O interior do aquário, para os peixinhos se sentirem acompanhados...





Destaque-se a beleza e raridade desta papeleira miniatura do século XVIII. Conhece-se apenas um outro exemplar semelhante em Inglaterra.

E este contador pintado na Holanda por um discípulo de Rubens

Sendo uma apreciadora de tapetes, gostei muito deste Bucara no escritório





E para terminar este Evangeliário do século XVIII da Ucrânia
(latão prateado e dourado)





 Referências:

O Programa Visita Guiada de Paula Moura Pinheiro com Ana Mântua

O Roteiro da Casa-Museu