Amália Rodrigues morreu no dia 6 de outubro de 1999, aos 79 anos. Eu tinha acabado de chegar aos EUA, onde fiquei a viver 5 anos e lembro-me das reportagens da televisão portuguesa, porque tinha a RTP internacional. Impressionante a multidão que saiu à rua em Lisboa na sua despedida.
Em agosto de 2002, vi o musical sobre a sua vida, de Flipe La Feria, no S. Luís e gostei muito. Pensava que a minha filha, ainda adolescente, não ia apreciar o espetáculo, mas enganei-me. Até pediu para lhe comprarmos o CD. Eu, é que de regresso aos EUA, tinha de lhe pedir que não ouvisse determinadas músicas com tanta insistência, sobretudo antes de ir para a escola...
Quando era adolescente não gostava de fado, mas aprendi a apreciar com o tempo e sem dúvida que o Fado ganhou extraordinária projecção com a voz e a presença de Amália.
Sempre me admirei, porque nunca fora publicada uma biografia da fadista portuguesa mais famosa; e apesar desse género literário não ser muito cultivado em Portugal, saiu uma este ano, que já me foi oferecida...
O Expresso dedicou-lhe, em junho de este ano, uma edição especial de comemoração dos 100 anos do seu nascimento e li esta semana que, em 1973, entre a sua casa em Lisboa e o seu refúgio no Alentejo, em Brejão, o escritor Manuel da Fonseca gravou 9.45 horas de conversas com Amália Rodrigues como embrião de um livro, que nunca foi escrito, a editar pela Arcádia.
Amália foi a primeira mulher a ter honras de ser sepultada no Panteão Nacional (2001).
Sophia de Mello Breyner Andresen (Porto, 6 de novembro de 1919 - Lisboa, 2 de julho de 2004) nasceu no seio de uma família aristocrática. Com o avô materno Thomaz de Mello Breyner (1866- 1933) médico da família real e 4º Conde de Mafra, Sophia aprendeu a recitar de cor mesmo antes de saber ler.
Como a autora, Isabel Nery, nunca conheceu Sophia pessoalmente, visitar todos os locais por onde a escritora passou tornou-se um dever, que a ocupou antes de começar a escrever o livro. Do Porto, onde Sophia nasceu, passando pelo bairro da Graça em Lisboa (onde Sophia viveu na Travessa das Mónicas, 57), cujo miradouro foi rebatizado em sua honra; a Praia da Granja, onde passava o verão na infância e juventude; Lagos onde tinha as férias com os filhos (os banhos de mar, as grutas, o mercado) ou até mesmo a pequena ilha de Föhr, no mar do Norte para descobrir o bisavô paterno Andresen, dinamarquês, que veio para Portugal no século XIX.
A Grécia surge frequentemente nos poemas de Sophia com o nome de lugares visitados, figuras históricas e mitológicas. Sophia esteve na Grécia em 1963 e, em 1986, fez parte da comitiva presidencial na visita do Presidente Mário Soares à República Helénica. Foi outro dos locais visitados por Isabel Nery antes de escrever a biografia- tentar talvez explicar o que levou a poeta ao fascinio pela civilização grega, a união perfeita entre os deuses e a natureza... é estranho mas a obra de Sophia nunca foi traduzida para grego...
O mar é outro elemento simbólico de grande importância em toda a obra poética de Sophia de Mello Breyner Andresen.
A Praia da Granja despertou-lhe a paixão pelo mar. Situa-se no concelho de Vila Nova de Gaia, distrito do Porto.
Teve origem no lugar da Granja, freguesia de São Félix da Marinha, com a construção de uma quinta, em 1758, denominada a Quinta da Granja, mais tarde Quinta dos Ayres e hoje conhecida por Quinta do Bispo. Pertencia aos frades crúzios do Mosteiro de Grijó, que a utilizavam como estância de convalescência e repouso. Tornou-se moda a aristocracia portuguesa passar os verões na Granja.
"De todos os cantos do mundo
Amo com um amor mais forte e mais profundo
Aquela praia extasiada e nua
Onde me uni ao mar, ao vento e à lua.
Há muito que deixei aquela praia
De grandes areais e grandes vagas
Mas sou eu ainda quem na brisa respira
E é por mim que espera cintilando a maré vasa".
Sophia de Mello Breyner Andresen
Praia de Lagos
«Quando morrer voltarei para buscar os instantes que não vivi junto do mar»
Sophia de Mello Breyner Andresen
É difícil ficar indiferente ao esplendor da Casa Andresen, anteriormente denominada Quinta do Campo Alegre
Passou para as mãos da família Andresen em 1895, quando o avô de Sophia de Mello Breyner a adquiriu a um brasileiro. A partir daí Joana e João Henrique Andresen iniciaram trabalhos para enaltecerem o espaço. Foram eles que terminaram a renovação da casa e dos jardins.
Foi aqui que Sophia nasceu e cresceu, num ambiente católico e culturalmente privilegiado, a brincar livremente pelos jardins na companhia do, também escritor, Ruben A. A influência da casa pode ser lida em muitas das suas obras. È onde fica o Jardim do Rapaz de Bronze, uma das mais conhecidas obras de Sophia de Mello Breyner. "A vida social era intensa na Casa Andresen, sendo frequente a presença de escritores, pintores e músicos, além dos homens de negócios. mas a maior festa do Campo Alegre era o Natal, permanecendo toda a vida a época favorita de Sophia" (pag 61)
Mudou-se para Lisboa, em 1937, para frequentar a Universidade de Lisboa (a Faculdade de Letras do Porto tinha sido encerrada durante a ditadura militar, em 1928) e começou a viver em casa dos tios no Campo Grande. No entanto, abandona o curso logo no ano seguinte e, sete anos depois, lança o primeiro livro Poesia.Em1946, casa com o advogado Francisco Sousa Tavares (1920-1993) com quem teve cinco filhos, que a motivaram a escrever contos infantis.
Influenciada pelo marido, inicia a actividade contra o regime de Salazar. Ficou para a história este seu poema cantado por Francisco Fanhais:
Vemos, ouvimos e lemos
Não podemos ignorar
Vemos, ouvimos e lemos
Não podemos ignorar
Vemos, ouvimos e lemos
Relatórios da fome
O caminho da injustiça
A linguagem do terror
A bomba de Hiroshima
Vergonha de nós todos
Reduziu a cinzas
A carne das crianças
DÁfrica e Vietname
Sobe a lamentação
Dos povos destruídos
Dos povos destroçados
Nada pode apagar
O concerto dos gritos
O nosso tempo é
Pecado organizado.
Depois do 25 de Abril, chegou a ser deputada, o que para a poeta era "uma agonia". Mário Soares convidou-a para ser Embaixadora em Paris, mas Sophia recusou. Em entrevista à RTP, em 1977, reconheceu "A realidade não cumpriu aquilo que eu esperava. A poesia estava na rua, mas tinha sido rapidamente empurrada para dentro de casa" (pag 207)
O casamento trouxe a Sophia muitos dissabores: a falta de dinheiro quando o marido foi preso (os filhos foram viver com familiares que tinham possibilidades para cuidar deles, como escreve Miguel Sousa Tavares no "Cebola Crua com Sal e Broa"), o vicio do marido em jogar bridge a dinheiro e as infidelidades, levaram ao divórcio litigioso de Francisco Sousa Tavares e Sophia de Mello Breyner Andresen, em 1986.
Não devia ser fácil lidar com Sophia: os humores, ironias e estilo de vida desorganizado. Como dizia a criada Luisa "Se não fosse eu comia-se poesia cá em casa" O seu ar um pouco altivo deve ter afastado o aparecimento de uma biografia da poeta, considerada uma das mais importantes escritoras portuguesas do século XX. Mas veio a tempo... a biografia de Isabel Nery, que se publicou este mês vem celebrar os 100 anos do nascimento de Sophia de Mello Breyner, que muito admiro, como já tive ocasião de manifestar noutro post. Estou agradecida por ter aprendido coisas novas, que provam que a marca de Sophia ficou para a história da literatura portuguesa.
Filme Sophia de Mello Breyner Andresen de J. César Monteiro, 1970
Nery, Isabel. SOPHIA de Mello Breyner Andresen. Biografia. A esfera dos livros. 1º edição. maio 2019.
Estive a ler um livro de memórias de Esteban Zarikian (1914-1999) escrito pela sua mulher, a minha amiga Sada Zarikian.
O titulo From Dust to Gold, Story of a Survivor é retirado de um ditado Arménio: "que a terra nas tuas mãos se transforme em ouro" usado pelo seu pai, quando descobriu que as libras trocadas para dracmas pelo filho, eram afinal de ouro.
Salvo do genocidio turco contra os arménios, os Zarikians fugiram de Esmirna, na Turquia, para a Grécia em 1922. Esteban tinha na altura 9 anos. Impossibilitado de ter uma educação formal, pois teve de trabalhar para ajudar os pais, as suas experiências de vida constituíram a sua educação. Contava-as vezes sem conta, pois queria que a sua família as conhecesse. Depois da sua morte, Sada Zarikian, que foi sua mulher, companheira de vida durante 53 anos e mãe dos seus três filhos, resolveu escrevê-las.
Antes da chegada de Steve, como a mulher o chamava, à Venezuela, ainda viveu na Colômbia, que lhe serviu para aprender outro idioma.
Em 1930, a família instala-se em Caracas e dedica-se aos têxteis. Com o objectivo de importar material para o negócio, vai a Nova Iorque em 1945. È nesta cidade que encontra a futura mulher, também de origem arménia, mas nacionalizada americana. A Sada trabalhava para a revista Time. Numa semana decidem casar-se. A mudança para Caracas não foi fácil de inicio, pois não dominava a língua, mas resolveu envolver-se em associações de fins caritativos, desempenhando sempre um papel de liderança e na construção de uma bela casa para a familia, escolhendo o local e os arquitetos.
Sada e Esteban em 1990
Interessante esta homenagem ao marido, que tal como diz o titulo, conseguiu muito sucesso nos diversos negócios em que participou. O seu nome continua ligado aos grandes empreendedores deste país, com participação nos têxteis, criação de um banco, seguros e, mais tarde, dono de uma das melhores redes de hotéis na Venezuela e em outros países.
Yesterday, Today, and Tomorrow is Sophia Loren's autobiography, revealing her personal life from the hardship of her childhood in Naples to her life as a Hollywood star, sharing stories of other actors, films, and her family.
When she met Cary Grant, who even proposed to her, Sophia and Carlo Ponti were together but couldn’t marry because he couldn’t get a divorce - the law in Italy at that time was extremely strict related to divorce. This was, of course, a very frustrating situation.
Today I was really shocked when I read this passage:
… I was just starting to relax [on the plane] when I let an innocent comment slip. Or maybe it really wasn´t that innocent.
“ Cary sent me a bunch of yellow roses before I left. Yellow for jeaulousy? He´s so adorable…”
Carlo turned toward me suddenly and slapped me in the face, in front of everyone. My face turned bright red with anger and shame, the white impression of his fingertips on my cheek stinging. I felt tears land one by one on my cheeks. I wanted to die, but inside I knew that I had somehow deserved it. And yet I still didn´t regret what I´d said…I knew that Carlo´s slap, which may be hard to understand today, was the gesture of a man in love, who had seen his love threatened by another man…This was the confirmation I had been seeking for a long time. Carlo loved me, I had made my choice, and it was the right one”.
(page 127)
NO COMMENTS !!!!!
However the story of her life evolved into a captivating, sometimes poetic narrative as elegant and beautiful as Sophia Loren herself.
The actress of A special Day (1977) couldn´t let me down:
There will always be a once upon a time for every little girl who looks at the world with big eyes and a lust for life
Portrait of Simón Bolívar by José Gil de Castro. 1824.
Collection of the Bolívar Museum. Caracas
Simón Bolívar (1783-1830) has been portrayed in many different ways. However it is said Bolívar considered this one, by the Peruvian artist, the closest to reality.
The different portraits of Bolívar. Bolívar Museum. Caracas
Bolívar as a young man and one of his last pictures
A recent reconstruction of his face after the exhumation of his remains in 2010
Register of his baptism in the Cathedral of Caracas.
Bolívar Museum. Caracas
Baptismal font where Bolívar was baptized. It is 400 years old (upper part) and belonged to the Cathedral of Caracas.
Bolívar Museum. Caracas
Simón Bolívar was born on July 24 1783, in Caracas. His parents were D. Juan Vicent Bolívar and Concepción Palacios y Sojo. The Bolívar surname came from an aristocratic family in Spain who settled in Venezuela in the 16th century.
The ethymology of his name means millstone in Basque.
Coat of arms of his family in an old piece of furniture and in a 1920 painting
Simón Bolivar´s family was devoted to the Holy Trinity. This altarpiece is from San Francisco church (18th century). The painting is by Tito Salas, as most of the paintings in his house.
Bolivar´s house opened as a museum in 1921. The furniture is from the 18th and 19th centuries. Except for a few pieces, it didn´t belong to this house- it was donated to the museum.
The wealth of his family came from estates, a sugar plantation and mines. The size of his house, some old furniture and decorations reveal the richness of his family.
This wardrobe belonged to his sister Maria Antonia who always remained faithful to the Spanish crown
Picture of his cousin painted by the famous painter Tovar y Tovar
China imported from Europe
Huge mirror from his mother
This litter that was carried by 4 slaves also belonged to his mother
A palia used in the process of sugar production can be seen in Bolívar´s birthplace in Caracas, now a museum.
Simón Bolívar was soon after his birth entrusted to the care of the family's slave la negra Hipolita. He received private lessons from Andrés Bello and Don Simón Rodriguez, who later became Bolívar's friend and mentor.
He had short stature and his shoes were size 36
Following the early deaths of his parents, Bolívar travelled to Mexico, France and Spain. In Madrid he met and married his only wife, María Teresa Rodríguez del Toro y Alaiza. Less than a year after returning to Venezuela with her, she died from yellow fever. Bolivar would later refer to her death as the turning point of his life, as the recent Venezuelan/ Spanish production of El Libertador tried to show:
Detail of a painting about his wedding. It is rather curious to note that Bolívar is the one holding the bouquet of flowers. According to tradition it was the youngest who should carry the flowers and his wife was older than him.
Detail of a painting by Tito Salas Battle of Araure in which Bolivar was named El Libertador
In 2008 I visted the historical centre in Trujillo, Casa de Guerra e Muerte, where Simón Bolivar signed the famous document on 15th June 1813.
Here we could also see some objects he used when he slept in this house.
As a man of the military, Bolívar was instrumental in South America, in the fight against Spanish rule and became the leader of their independence. Caracas was retaken in 1813 and Bolívar was hailed as El Libertador. Afterwards he entered Bogotá in 1814, recapturing the city. 1821 saw the creation of the Gran Colombia, under his leadership. This federation included much of what is now Venezuela, Colombia, Panama and Ecuador. In 1824 he became leader of Peru, and Bolivia, named after Símon Bolívar, was created in 1825.
A ball was staged at Quinta de Anauco in Caracas in honour of Simón Bolívar’s last night in his hometown, in July 1827: he was never to return alive.
It is very interesting to visit Bolívar´s House and Museum in Caracas, where you can find many obects that belonged to him:
A pair of tiny pistols that he carried in his sleeves
A neck protector
Beautiful this mini suitcase bar. The bottles have the shape of books.
The rim of this kitchen utensil is sharp so that the slaves could not taste the cacao
Bogotá, Colombia.
Museo Nacional
Quinta de Bolívar, Bogotá, is a country mansion that was donated to Simón Bolívar in gratitude for his services. He used it as a retreat on various occasions. It is now a museum furnished in the style of Bolívar´s time filled with some of his possessions.
Bolívar´s room. Quinta Bolívar. Bogotá
Jose Palacio´s bedroom
Jose Palacio was a freed slave born in 1770. At the age of 22 he vowed to Bolívar´s mother, on her deathbed, that he would accompany and look after her son, Simón, who was then only 9 years old and he fullfilled his promise. Bolívar left him the sum of 8000 pesos in his will as a compensation for his services.
Bolívar died at the Quinta de San Pedro Alejandrino in the island of Santa Marta, Colombia in 1830 and was repatriated to Caracas in 1842.
Bolivar´s name was given to some of the most important plazas in the capitals of South American countries he helped to make free from the Spanish rule.
Plaza Bolivar, Caracas
Plaza Bolívar, Bogotá
Plaza Bolívar Panama
If you travel in Venezuela, you will find many cities with beautiful statues of their hero riding his horse Paloma.
Plaza Bolívar, Mérida Plaza Bolívar, Cordero
I particularly like this painting by Tito Salas where Simón Bolivar is portrayed as a civilian. Perhaps the idea was to show his human side.
This is when my family and I met someone impersonating Simón Bolivar in Caracas Famous Quotes:
"The continuation of authority has frequently proved the undoing of democratic governments. Repeated elections are essential to the system of popular governments, because there is nothing so dangerous as to suffer power to be vested for a long time in one citizen. The people become accustomed to obeying him, and he becomes accustomed to commanding, hence the origin of usurpation and tyranny".
"The first duty of a government is to give education to the people"