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sexta-feira, 17 de novembro de 2023

Igreja de Nossa Senhora da Conceição Velha

 



Igreja da Conceição Velha na rua da Alfândega em Lisboa

Edificada no estilo manuelino, por artistas da escola dos Jerónimos, com um belo portal ladeado por duas janelas alongadas, muito semelhantes às dos Jerónimos, foi mandada construir por D. Manuel I, a pedido da rainha D. Leonor como Igreja da Misericórdia, a qual abriu ao culto em 1534.

Os Jerónimos em Belém, Lisboa

Para assinalar o êxito dos Descobrimentos Portugueses, D. Manuel I ordenou a construção de uma obra monumental, em 1502, no lugar da Ermida de Nossa Senhora do Restelo da Ordem dos Freires de Cristo: o Mosteiro dos Jerónimos.

Aqueles freires D. Manuel ofereceu um terreno, onde hoje em dia se cruzam as ruas dos Douradores e da Conceição, tendo sido aí construída a Igreja da Conceição. Em 1682, outro templo foi mandado construir perto ao qual deram o mesmo nome, passando a primeira igreja a chamar-se de Conceição Velha.
Com o terramoto de 1755 estas igrejas ficaram profundamente danificadas. A da Misericórdia, na rua da Alfândega ficou só com uma capela, que tinha sido mandada construir por uma senhora timorense muito rica, D. Simôa Godinho, que se dedicava ao comércio do açúcar. Em 1770, os religiosos da Igreja da Conceição dos Freires passaram para a antiga Igreja da Misericórdia reconstruída, passando esta a chamar-se Conceição Velha; a da Misericórdia foi transferida para S Roque.

Em 1834, com a extinção das ordens religiosas foi abandonada e esteve em perigo de ser adquirida por particulares...

A atual igreja é apenas um terço da que existia antes do terramoto, sendo o altar-mor, o antigo altar da capela do Espírito Santo. Apesar de ser uma igreja pequena de uma só nave, o seu interesse histórico é muito grande. No século XXI foi requalificada com um grande investimento, que lhe devolveu a sua beleza. 


O portal continua a ser o seu cartão de visita. Nossa Senhora da Misericórdia acolhendo sob o seu manto toda a sociedade, clero, nobreza e povo. Em todo o conjunto sobressai a riquíssima decoração.












O teto em estuque pintado, apresenta um baixo-relevo com o Triunfo de Nossa Senhora da Conceição.
















Os nichos que ladeiam o arco triunfal contêm as imagens de São Pedro e São Paulo, atribuídas à oficina de José de Almeida. Parecem ser de pedra, mas na realidade são em madeira.

Capela-mor da igreja da Conceição Velha e a do Santuário da Luz

A capela-mor é uma obra do maneirismo, notável pelas pilastras, nichos e almofadados em mármores polícromos, provavelmente da autoria de Jerónimo de Ruão, o arquiteto incumbido de fazer a traça da capela-mor do Santuário da Luz, daí que se note algumas semelhanças.






No entanto, o retábulo da igreja da Conceição Velha, pouco elaborado, é uma obra mais tardia. No centro, sobre o trono, a bela imagem da padroeira, em madeira policromada, esculpida entre 1730-1740 por José de Almeida.
















No coro, ao centro da balaustrada, uma  imagem setecentista de Cristo Crucificado, que se terá salvado do Terramoto. O órgão de tubos da igreja é oriundo do Palácio das Necessidades.




Na pintura gostava de salientar Nossa Senhora da Pureza de Joana do Salitre, das poucas mulheres pintoras na época e A última Ceia de Joaquim Manuel da Rocha.


Nossa Senhora da Atalaia é designada também por Nossa Senhora das Alfândegas 


Contudo, a visita não estaria completa se me esquecesse de mencionar a belíssima imagem de Nossa Senhora do Restelo, do século XV, a qual veio com os freires da Ordem de Cristo da ermida em Belém, onde os navegadores portugueses rezavam, antes de partirem para as Descobertas. A imagem foi restaurada para a grande exposição da Europália de 1991, na Bélgica.
Em 2021, esteve na exposição do MNAA sobre D. Manuel: Vi o Reino Renovar

quinta-feira, 16 de novembro de 2023

O Santuário da Luz em Carnide


O Santuário e a Igreja de Nossa Senhora da Luz, cuja fachada faz lembrar
 o ditado "Quem vê caras não vê corações"





A Fonte do Machado era anterior à construção da ermida. Em 1311, já aparecia em documentos. A sua água, dizia-se, era tida como benéfica para diversas doenças.

Quando Pêro Martins encontrou a imagem da Virgem iniciou a construção de uma ermida para a colocar e foi assim que, em 1464, começou a devoção e romagem popular ao sítio de Nossa Senhora da Luz. No dia 8 de setembro, festa da Natividade de Nossa Senhora, a imagem foi introduzida na capela. Foi criada uma confraria ou irmandade, que tinha como objetivo a conservação da ermida e pagar as despesas da festividade. D. Afonso V foi dos primeiros alistados, sendo depois seguido por muitos nobres. (em 1566 D. Sebastião inscreveu-se como irmão assim como a rainha D. Catarina)

Imagem de N. Senhora da Luz como recordação.




Azulejos hispano-árabes, que decoram a parede da escada da mina, são do tempo da primitiva ermida


O portal manuelino e a cruz de pedra, assim como as peças em azulejo são da primitiva ermida. O escudo com a cruz da Ordem de Cristo é posterior, quando D. João III entregou aos freires da Ordem de Cristo o seu projeto de construção de um mosteiro.

Foi a Infanta D. Maria, filha de D. Manuel e D. Leonor e devota de Nossa Senhora da Luz, quem mandou construir uma capela luxuosa em sua honra.


Neste retábulo de S. Bento dando a Regra aos monges, de autor desconhecido, a jovem infanta D. Maria ocupa o primeiro plano, à direita.




A construção da igreja começou em 1575 e a Infanta incumbiu-se de colocar a primeira pedra. No entanto, morreu em 1577 antes que estivesse acabada, o que só aconteceu em 1596. O seu corpo foi provisoriamente depositado na Igreja da Madre de Deus, em Xabregas até a Igreja de Nossa Senhora da Luz estar pronta.


Lápide da Infanta D. Maria






Com o terramoto de 1755 a igreja desabou, resistindo apenas a belíssima capela-mor revestida de mármores brancos e rosa da Arrábida  e o arco-cruzeiro. É desde 1910 monumento nacional.

O que nos chama logo a atenção, quando entramos, é o retábulo maneirista com pinturas de Francisco Venegas, artista espanhol, que Filipe II nomeou pintor régio. Das oito telas, quatro estão assinadas pelo artista e as restantes de Diogo Teixeira.



Escultura em madeira do final do século XVI conhecida como Bom Jesus da Luz




A Infanta D. Maria,  doou todos os seus bens ao Santuário da Luz e determinou a construção de um novo hospital com capacidade para 63 doentes. Tendo a Infanta falecido em 1577, as obras para o novo hospital só arrancaram em 1601 e prolongaram-se até cerca de 1618, data da inauguração. Hoje em dia é onde está instalado o Colégio Militar, cujos alunos são conhecidos como "os meninos da Luz".













Referência:
António de Sousa Araújo, O Santuário da Luz- glória de Carnide, Lisboa 1977








quarta-feira, 15 de novembro de 2023

Passeio por Lisboa


Estação do Rossio. Para mim um dos edifícios mais bonitos de Lisboa e do mundo



Com temperatura primaveril e sol não podíamos ficar em casa. Fomos conhecer algumas igrejas com grande valor histórico na capital e passeámos, calmamente, pela Baixa.



O castelo de S. Jorge



A primeira paragem foi em Carnide para conhecermos o Santuário de Nossa Senhora da Luz. Depois, estacionámos nos Restauradores e fomos até a Rua da Alfândega visitar a Igreja de Nossa Senhora da Conceição Velha.


Igreja de Nossa Senhora da Luz em Carnide



Elevador de Santa Justa



Igreja de Nossa Senhora da Conceição Velha








No regresso ainda parámos na Igreja da Madalena: portal manuelino proveniente da Igreja da Conceição dos Freires, retábulo no altar mor de Pedro Alexandrino e duas imagens de Santa Madalena e Santa Marta atribuídas a Machado de Castro e A Sagrada Família do escultor José de Almeida.



Igreja de São Domingos. Esta é uma igreja que me deprime com o seu interior nu como testemunha do grande incêndio de 1959. Uma igreja com tanto valor histórico, tão ligada à História de Lisboa e Portugal, onde se realizaram grandes cerimónias religiosas, casamentos e batizados reais estar naquele estado e na cor das cinzas, faz com que não consiga entrar além da primeira fila...




Entrámos em algumas lojas, fomos à Nacional, com o seu atendimento sempre simpático... ah... e aqueles bolos...não conheço outro país com maior variedade de doces...todos saborosos...


A bonita calçada portuguesa


O Rossio e Av. Liberdade

O que não gostei de ver foram as decorações de Natal, de uma pobreza franciscana e falta de imaginação. Ainda me recordo da Avenida dos Aviadores em Bucareste toda iluminda com aviões, uma beleza... Outro aspeto que me desagrada é a internacionalização de tudo, sobretudo nos restaurantes para turistas "crie o seu próprio bowl" de salada. Já não há taças? Até as pessoas a pedir se internacionalizaram com escritos a dizer homeless, triste...

Das igrejas de Nossa Senhora da Luz e Nossa Senhora da Conceição Velha, tenciono explorar o seu bonito interior com artigos mais detalhados...