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quarta-feira, 23 de abril de 2025

O museu B-MAD


O museu B-MAD, Berardo - Arte Deco abriu as suas portas há quatro anos. Está situado em Alcãntara, num edificio que data do século XVIII e foi a segunda residência do Marquês de Abrantes, também proprietário do Palácio de Santos, hoje em dia a Embaixada de França em Lisboa.

No século XX, a casa foi adquirida pelo médico António José Pereira Flores (1883-1957) neurologista, psiquiatra e professor, braço direito de Egas Moniz durante vários anos. Nessa altura o edificio já possuía 3 andares.


Quem passa na rua 1º de Maio não imagina que neste espaço podem ser admiradas várias obras da coleção Berardo, ilustrando os movimentos Arte Nova e Arte Deco. 









A renovação do edifício de forma a adaptá-lo a museu está excelente. As peças estão expostas num contexto de residência citadina. Os papéís de parede nas diversas salas correspondem a cópias de originais. Também gostei muito das cores utilizadas.

São diversos os artistas representados. Além dos poucos que conhecia como Mackintosh, Lalique, Gallé, Thonet, o guia conhece todas as peças, origem e artistas. (Só é possível fazer visita guiada marcada com antecedência, para não acontecer como da primeira vez que lá fui e já não havia vaga para esse dia).



Vimos móveis, pintura, escultura, vidros. Um fascínio para quem se interessa pela época. Disse ao guia que tinham mais Laliques do que a Gulbenkian e ele respondeu-me ser verdade, mas não tinham jóias...


Realmente algumas jóias Arte Nova encantam-me...



Recomendo a visita, pois vale realmente a pena para admirar dois estilos que tanto marcaram o quotidiano das primeiras décadas do século XX. 







Malhoa
Bordalo








No final da visita, para quem quiser, oferecem uma pequena prova de vinhos da companhia Bacalhôa

O catálogo da exposição encontra-se no sítio online do museu para consulta gratuita (bmad.pt).


domingo, 6 de junho de 2021

Passeio em Viena


Tapetes romenos na feira de antiguidades de Naschmarkt em Viena


Ontem, regressámos a Viena, porque ainda temos muito para conhecer. Da primeira vez, privilegiei os museus mais relacionados com a Sissi, que sempre ouvi falar na minha infância, na Madeira. Fui ao palácio de Schönbrunn e ao de Hofburg (na Hungria já tinha visitado Gödöllő).

Por curiosidade, Sissi visitou a ilha da Madeira em 1860, conhecida então como estância terapêutica, com um clima favorável ao tratamento de diversas doenças. Não sei se saiu curada, pois as suas doenças eram mais do foro psicológico, não se sentido bem em nenhuma parte e se estava algum tempo junto à corte ainda piorava. Também era conhecida a sua obsessão em manter-se muito magra, razão pela qual se alimentava mal; contudo, a sua beleza e elegância mantiveram as lendas de Sissi vivas, como num conto de fadas, ajudadas, muito mais tarde, pelos filmes protagonizados por Romy Schneider...
Da primeira vez também visitei o museu Belvedere, para ver o célebre Beijo de Klimt, mas saí um pouco desapontada.

Há duas semanas, quando abriram as fronteiras entre a Eslováquia, onde vivo, e a Áustria tive a oportunidade de conhecer o museu Albertina e a sorte de estarem em exibição obras que não costumam ser mostradas permanentemente e gostei imenso.

Ontem, o programa incluía outro museu, o mais visitado em Viena, O Museu da História de Arte e um passeio à feira de antiguidades de Naschmarkt, que acontece todos os sábados, das 6 da manhã às 14h.



Saímos do metro em Karlplatz, junto à sala de concertos Musikverein. Decidimos pedir o programa para este mês e informar-nos sobre o Concerto de Ano Novo. Não há hipótese de comprar as entradas na bilheteira. A venda é através de um sistema de lotaria e depois ter sorte...




Fomos a pé de Musikverein, até ao fim de Naschmarkt, que começa como uma praça de produtos frescos e, depois, têm outros com aromas mais exóticos e termina na feira de antiguidades. Estava sol e fazia já muito calor e muitos feirantes estavam já a arrumar ao meio-dia. 
Não comprei nada. Vi coisas engraçadas, mas só isso. 

Gostei muito de admirar os prédios na Linke Wienzeile, depois do edificio da Secessão (concluído em 1898 como um manifesto arquitetónico de um grupo de artistas rebeldes, que se separou da instituição de Belas Artes, há muito consagrada e criou o movimento da Secessão de Viena, liderado por Klimt), muitos em Arte Nova.
Esse novo estilo influenciou a arquitetura na Roménia (Palácio da Cultura em Târgu Mureș) e na Eslováquia ( Igreja Azul).


A divisa do grupo da Secessão: "A cada era a sua arte, a cada arte a sua liberdade", escreveu Klimt.



Adorei as cores destas azeitonas e das especiarias fechadas em recipientes plásticos...









No final, apanhámos um táxi para a Praça Maria Teresa no quarteirão dos museus, onde fica o de arte, que visitámos. Fiquei estoirada e no museu já arrastava os pés. Almoçámos perto e, às 18 horas, já estavamos em casa. Foi um dia muito bem passado.
Agora só devo regressar depois das férias, em Portugal.

Aufwiedersehen, Wien!

terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

A Igreja Azul de Bratislava

 




A igreja conhecida como Igreja Azul, devido à sua cor, foi construída em estilo Arte Nova entre 1910-1913 e dedicada a Santa Isabel da Hungria e da Turíngia (1207-1231).


A estátua de Santa Isabel junto ao castelo de Bratislava


Santa Isabel nasceu no verão de 1207, no castelo de Bratislava. Casou com apenas 14 anos com o soberano da Turíngia (na Alemanha) de quem enviuvou aos 20 anos. Antes da sua prematura morte aos 24 anos, Isabel era conhecida pelas suas obras de caridade e dedicação aos pobres.

O mais famoso milagre narrado a seu respeito foi o chamado Milagre das Rosas. Conta-se que uma vez, ao levar pães para os pobres nas dobras de seu manto, encontrou-se com o marido, que voltava da caça, o qual estranhou o seu comportamento, pois parecia que ela escondia qualquer coisa e perguntou-lhe "O que levas no avental, Isabel?" Ao que a jovem princesa respondeu, trémula: "São rosas, meu senhor!" e abrindo o manto nada mais encontraram do que belas rosas frescas.

Interessante que da sua sobrinha- neta, a mulher de D. Dinis, a Rainha Santa Isabel de Portugal ( 1271-1336) conta-se uma lenda muito semelhante.


Gostei muito desta igreja, muito original. Ao lado encontra-se uma escola secundária de 1908 construída pelo mesmo arquiteto húngaro, Ödön Lechner.





Fez-me lembrar o Palácio da Cultura em Târgu Mureș, na Roménia, também construído no ínicio do século XX no estilo em voga na altura, Arte Nova ou da Secessão.

A História da Igreja Azul

Tudo começou com a construção do Liceu, inaugurado em 1908, em estilo da Secessão Húngara ou Arte Nova, o qual dependia do Ministério húngaro, pois vivia-se os últimos anos do Império Austro-Húngaro. Para a inauguração veio um Cardeal,  que não ficou satisfeito com o que viu, sobretudo uma escola nos confins de Bratislava, onde não havia outras construções e além do mais sem uma Igreja para os alunos. Dos 700 alunos que frequentavam a escola cerca de 400 eram subsidiados pela condessa Helena Szápáryová, a qual não tinha meios para financiar também a construção de uma Igreja. O recinto dedicado ao desporto serviu como local para se edificar uma Capela nos primeiros tempos, enquanto tentavam negociar com o ministério húngaro. No entanto, os esforços foram em vão, até à tomada de posse de um novo ministro tio daquela condessa. Então disponibilizou a verba necessária para se dar inicio à construção da Igreja. O arquiteto húngaro escolhido foi o mesmo da escola e era conveniente que o estilo se harmonizasse com o da escola. 
De inicio só o telhado era azul. A igreja tinha a mesma cor da escola e só muito mais tarde foi pintada de azul. 




problema era que, não muito longe do local onde se ergueu a Igreja Azul, havia uma outra também dedicada a Santa Isabel da Hungria de modo que quando se falava da Igreja Santa Isabel, as pessoas não sabiam a qual das duas se referiam, daí a nova igreja ter passado a chamar-se azul, a cor do tellhado.





Durante a I Guerra Mundial a Igreja Azul sofreu muito e até os sinos foram derretidos para fazer balas e com a II Guerra Mundial ficou também muito destruída. Foram os comunistas que a reconstruiram no final da guerra e colocaram um padre amigo do regime. Os casamentos eram feitos à noite para não despertar a vizinhaça, pois entretanto a cidade expandiu-se e foram construídos muitos apartamentos na sua vizinhança. Em 1989, após a queda do regime comunista a Igreja foi novamente restaurada e, durante as obras por de baixo do estuque, encontraram na casa do pároco fios e microfones de escuta ligados à igreja para ouvir e certamente registar o que se passava. Nessa altura houve recordes de mais de oito casametos aos fins de semana e muitos baptismos. Apesar de muitos noivos ainda escolherem esta Igreja para casamentos, o número desceu, mas ainda se realizam muitos matrimónios e baptizados. Sem dúvida, que a Igreja Azul pela originalidade do seu estilo (nunca vimos nada parecido...) e dimensões, mantém talvez uma atmosfera de Capela de colégio ou familiar.  

O Interior da Igreja Azul


Num dos altares laterais havia um baixo-relevo em mármore com a princesa Sissi, oferta do marido.


O altar lateral atual












(foto da net)

D. Duarte Pio com o Embaixador de Portugal na Igreja Azul de Bratislava