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domingo, 24 de julho de 2022

Em Herend



A pequena cidade de Herend, na Hungria, é sobretudo conhecida pela sua excelente porcelana, iniciada em 1826. No século XIX, a Manufatura de Herend era a principal fornecedora da dinastia Habsburgo e de famílias aristocráticas em todo o mundo.

 Museu da Manufatura de Herend, Herend-Hungria

Este enorme prato com uma cena em que os nobres húngaros juram lealdade a Maria Teresa durante a sua coroação em Bratislava, em 1741, foi feito para a Segunda Exposição Internacional de Londres em 1862. Demorou três meses a ser elaborado e só foram feitos seis exemplares. Este, que está na Manufatura de Herend, outro no Museu do Parlamento em Budapeste e os restantes foram vendidos para o estrangeiro. Uma peça destas se fosse feita hoje em dia custaria alguns milhões de florins (a moeda húngara).

Museu do Parlamento, Budapeste, Hungria

Maria Teresa com um filho ao colo, como se de uma Madona se tratasse foi uma ideia posta a circular por Voltaire, pois na altura da sua coroação a Imperatriz já tinha filhos, mas a cena, segundo algumas fontes históricas, não corresponde à realidade.

A família real britânica tem uma longa tradição de ser um dos clientes de Herend, desde que a Rainha Vitória encomendou um serviço, que depois ficou batizado com o seu nome, quando se realizou a Grande Exposição de Londres, em 1851 e a marca Herend ganhou reconhecimento internacional. Muitos dos seus padrões clássicos ainda são produzidos.


O padrão Rainha Vitória com peças de 1860 a 1940


Serviços de casamento oferecidos aos Príncipes William e Harry
 inspirados no serviço Victoria.



Serviço oferecido pelo Imperador Francisco José à Imperatriz para o palácio Gödöllő.

Apesar de ter existido uma importante manufatura de porcelana em Viena, a segunda na Europa, depois de Meissen, na Alemanha, esta não conseguiu sobreviver à competitividade de outros países, como Herend na Hungria, abriu faléncia e fechou em 1864. Herend passou a ser a manufatura da corte do Império austro-húngaro. Além de fornecer os palácios, começou a receber pedidos para os presentes diplomáticos a outros países.


Serviço encomendado pelo Imperador para o castelo de Buda 

A primeira grande encomenda foi do conde Estérhazy para Herend criar um serviço para substituir um outro de Meissen, do século XVIII, com muitas peças partidas e o resultado foi aprovado após muitas experiências. Alguns motivos originais foram sendo utilizados em Herend.


Serviços Esterházy (museu) e Rotschild (loja)

Uma visita completa à Manufatura de Herend compreende uma ida ao museu, situado num edificio separado e uma visita guiada à manufatura, que demora 40m, percorrendo as diversas fases da elaboração da porcelana, sendo em Herend 50% caulino e 25% de quartzo e feldspato, respetivamente. No final somos convidados a tomar chá ou café na cafeteria, muito bem arranjada e utilizando serviços da marca Herend. Uma ida à loja com uma vasta escolha de produtos também deve fazer parte do conhecimento desta importante e muito bonita marca húngara.

Adoro estes aquecimentos em porcelana (museu) 
Na Roménia também vi muitos

Bandeja (1860) com pintura do lago Balaton, 
o qual fica a 30m de carro de Herend

A enorme coleção de pratos no museu e loja é de perder a cabeça

E esta tartaruga com diversos motivos? Incluindo o da rosa,
 que em Herend chamam Rosa Vienense




Como é que os desenhos são estampados para depois serem pintados à mão? Através de um processo semelhante ao bordado Madeira. O desenho é passado para papel vegetal, picotado e com um produto (que não é anil) fica estampado...










Na loja

Na cafetaria


As principais marcas de porcelana da Europa: Meissen (1710), Sèvres (1756), Limoges (1797), Herend (1826), Augarten (1923) devem o seu nome à localidade, onde são produzidas, enquanto que a portuguesa Vista Alegre (1824) optou pelo nome da quinta  junto à capela da Ermida do século XVII- a chamada  Quinta da Vista-Alegre da Ermida, onde começou a produção, perto de Ílhavo no distrito de Aveiro.

Os meus parabéns à Meissen e a Herend por terem ultrapassado períodos difíceis durante o comunismo, conseguindo manter a tradição,  a qualidade e a beleza, permanecendo as suas manufaturas, hoje em dia,  referências e sucessos mundiais.

Serviço de jantar oferecido pelo Presidente da Hungria ao Presidente Ramalho Eanes. 
Visita de Estado em 1979. Museu da Presidência da República. Lisboa



sábado, 23 de julho de 2022

Almoço no lago Balaton

 



Na península  Tihany

O lago Balaton fica  na Hungria e é o maior lago da Europa Central e Oriental. Como a Hungria não tem costa marítima, o lago Balaton é às vezes chamado de "Mar Húngaro".




Foi um almoço muito agradável, com uma bela vista. Teria sido melhor se não estivesse tanto calor.







Local muito bem arranjado com pequenas lojas para turistas, onde o souvenir mais procurado é a lavanda. Têm uma boa colónia chamada Eau de Tihany.






Achei que há um certo exagero com esse aroma, pois aparece em bebidas. Não gostei da limonada com lavanda...









Não fomos visitar o mosteiro fundado no século XI, pois pareceu que estava em obras.



sexta-feira, 22 de julho de 2022

Augusta Vitória no dia do casamento


D. Manuel II, o último rei de Portugal casou a 4 de Setembro de 1913 com Augusta Vitória, princesa de Hohenzollern-Sigmaringen

Encontrámos esta fotografia antiga com uma moldura que devia ser original num antiquário nos EUA em 2004 e não podiamos deixar ficar lá o nosso D. Manuel II...

A fotografia veio a propósito de um artigo interessante que li ontem: 

quarta-feira, 20 de julho de 2022

Dia internacional da Lua



Esta quarta-feira, 20 de julho, é a primeira celebração do Dia Internacional da Lua, declarado pela Assembleia Geral das Nações Unidas. É uma forma de chamar a atenção para a exploração espacial sustentável e pacífica.

A 20 de julho de 1969, Neil Armstrong tornou-se a primeira pessoa a pisar a lua e disse a famosa frase: «É um pequeno passo para [um] homem, um salto gigante para a humanidade”.

Flores e Arte: Abraham Mignon

 

Abraham Mignon (1640-1679) é conhecido pelas suas naturezas-mortas com flores, frutas, cenas de caça e pesca. As suas obras foram muito procuradas pelos colecionadores dos séculos XVII e XVIII, incluindo o rei Luís XIV da França e o Eleitor da Saxónia. Como Mignon morreu relativamente jovem, podemos supor que as cerca de 400 pinturas de naturezas-mortas a si atribuídas foram executadas com a ajuda da sua oficina.

terça-feira, 19 de julho de 2022

RIP, Maria de Lurdes Modesto




Maria de Lurdes Modesto morreu esta terça-feira aos 92 anos.


 

Robert Harris: V2

A ciência e a história dos foguetes V2 servem de base ao livro de suspense de Robert Harris: V2, o qual mistura factos históricos da II Guerra Mundial com ficção. Os foguetes V2 foram o último recurso dos nazis. O V significa Vergeltungswaffe, arma de vingança (pelos bombardeamentos dos aliados contra cidades alemães).

Perto do fim da guerra, o Dr Rudi Graf (personagem fícticia), amigo e colaborador do verdadeiro Von Braun do programa de foguetes alemão pensa que toda a sua vida ambicionou fabricar foguetes,  que pudessem atingir o espaço. No entanto, quer ele quer os seus colegas investigadores precisavam de financiamento, que só poderiam encontrar no regime de Hitler. Graf faz desde o inicio uma série de concessões. Assim, o objeto da sua investigação torna-se uma arma de destruição em massa.

A heroína, Kay, depois de um romance falhado com um oficial britânico voluntaria-se para ir para a Bélgica, recentemente libertada do jugo nazi pelos Aliados. No entanto, do vizinho Países Baixos, ainda em parte controlado pelos nazis, eram lançados os foguetes balísticos. A Royal Air Force pensava que, empregando o sistema de radar mais próximo,  conseguiria determinar rapidamente o local dos lançamentos. São um grupo de mulheres já experientes na guerra aérea, que vão para ali destacadas e fazem os cálculos matemáticos... 

Acabei de ler o livro a semana passada e gostei muito. Li-o durante a viagem de comboio na Alemanha. À minha frente um senhor alemão já velhinho, com um ar muito simpático olhava para mim e sorria. Parecia querer falar comigo, mas as únicas palavras que proferiu foi quando se levantou e pediu a um jovem que lhe ajudasse com a mala. Depois, voltou-se para mim e disse «Ich bin alt...Neunzig Jahre alt» e partiu. 

O livro dá ao leitor muito mais do que a história e as batalhas relacionadas com o foguete V2. Explora um dos mais perigosos aspetos da natureza e ambição humanas de só vermos o que queremos ver, esquecendo o resultado das nossas ações.

« Se eu consegui convencer Adolf Hitler a gastar cinco mil milhões de marcos na construção de um foguete, achas que não conseguiria convencer um Presidente americano a ir à lua?» (pag 272) Diz Von Braun antes de partir para a América...




segunda-feira, 18 de julho de 2022

O Museu do Mobiliário em Viena


Pouco conhecia do mobiliário austríaco, além do estilo Biedermeier, das cadeiras Thonet (curiosamente a primeira compra que fizemos nos EUA, num antiquário em Newport) e de umas outras que a minha avó paterna tinha e eram chamadas austriacas (ninguém se atrevia a sentar-se nelas, devido ao seu aspeto tão frágil). Encontrei tudo isso neste museu e muito mais...

O Museu do Mobiliário de Viena tem as suas 61.000 peças espalhadas por quatro andares. Há um grande foco dado ao período do século XIX, incluindo a maior coleção do mundo de mobília Biedermeier.

Tudo começou com a Imperatriz Maria Teresa (1717-1780), a qual fundou, em 1747, o Armazém do Mobiliário da Corte, onde eram guardadas as mobílias, que já não eram necessárias. Os seus inspetores eram responsáveis pelo inventário, armazenamento, manutenção e transporte de todos os materiais, que incluíam além do mobiliário, tapetes, tapeçarias, cortinados, candelabros, louças...

A família imperial mudava muito entre os seus diversos palácios usados para estadias de verão ou de inverno. Só o palácio Hofburg em Viena estava permanentemente mobilado. Os outros eram mobilados, segundo as necessidades, algumas semanas antes da chegada da Corte (lembro-me das memórias de Vital Fontes, mordomo real em Portugal e as peripécias que conta para a mudança da Família Real da Ajuda para Mafra...).

Em 1918, depois da abdicação do Imperador, o armazenamento de mobiliário passou para a tutela da recém formada República da Áustria e serviu para mobilar Embaixadas e departamentos governamentais.
Entre 1993 e 1998 foram compradas propriedades vizinhas para aumentar o espaço, que foi remodelado transformando-o do anterior Armazém de Mobiliário da Corte Imperial no moderno Museu do Mobiliário.
Hoje, a coleção do museu inclui não só peças da Corte, cujos exemplares mais antigos são do século XVI, mas também objetos do século XXI do movimento moderno de Viena. 


Nunca vi tantas cadeiras juntas....


das mais convencionais às mais estapafúrdias...


Cadeira de rodas da mãe da imperatriz Maria Teresa. A vida da mulher de Carlos VI ficou marcada pela necessidade de ter um filho para suceder ao trono. Ao seguir as normas médicas da época, que uma mulher «bem nutrida» teria mais facilidade em engravidar, submeteu-se a tratamentos, que a deixaram dependente desta cadeira de rodas para se mover...


Cadeira do Palácio Belvedere. Visita do Imperador Francisco José ao sobrinho e herdeiro do trono Francisco Fernando (assassinado em Serajevo).


Cadeira e sombrero utilizados pelo Imperador Maximiliano no México.




Cadeira da arquiduquesa Sofia, mãe do Imperador Francisco José. Cadeira de cabedal de José II, filho e sucessor de Maria Teresa

Trono e brasão de armas dos Habsburgos século XIX




Trono com a esfinge e patas de leão. Oratórios

 Mesa de jogo do século XVIII. Prenda de casamento dos pais de Maria Teresa. Trabalho do ebanista André-Charles Boulle, que deu o nome à técnica utilizada: incrustação de metais (liga de prata, estanho, latão)  com madre-pérola e marfim neste caso.

Esta peça é considerada uma das obras-primas da exposição
A secretária foi encomendada por Maria Antonieta e Luis XVI ao famoso artesão Adam Weisweiler

A história do seu aparecimento no museu é interessante. Quando a Revolução Francesa acabou com as encomendas da monarquia, Weisweiler continou a trabalhar para a família de Napoleão Bonaparte. Napoleão III ofereceu esta luxuosa peça a Charlotte da Bélgica, casada com Maximiliano do México. Ornamentava o palácio de Miramare, decorado ao gosto do casal que passou para o estado italiano no final da I Guerra Mundial. Através de uma troca de documentos foi autorizada a regressar à Áustria, onde nasceu Maria Antonieta.
Esta peça de um criador alemão é verdadeiramente europeia com Viena, Paris e Trieste no seu historial.


Oferta do Papa Pio VI ao imperador José II por ocasião da sua visita a Viena em 1782
O tampo da mesa mostra vistas de Roma e ao centro a catedral de S. Pedro.


Estas duas mesas estavam no Palácio Belvedere, que foi remodelado ao gosto do sucessor do trono Francisco Fernando



Trabalhos riquissimos dos finais do século XVI. Estavam no castelo Franzenburg


Amostras de chintz e biombo do Palácio Hof do príncipe Eugénio de Sabóia, um dos mais famosos generais do século XVIII aliado de John Churchill, 1.º Duque de Marlborough, nas grandes vitórias anglo-austríacas contra as tropas francesas de Luís XIV.

Secretária da Imperatriz Maria Teresa. Milão século XVIII.
Supostamente foram utilizadas mais de 80 diferentes qualidades de madeira

Camas do Palácio Laxenburg 

Cena de caça em Gödöllő

Cama da Sissi em Gödöllő


Cama onde o príncipe herdeiro Rudoldo foi encontrado morto
em Mayerling e postal de Mayerling

Secretária do Príncipe Rudolfo

Atravessamos partes do armazém, que não tem mobilia exposta

Podemos fazer uma viagem pelos filmes de Sissi realizados nos anos 50 e que tiveram grande sucesso com a atriz austriaca Romy Schneider, que representava a Imperatriz Elizabeth, chamada Sisi (só com um S). Como não podiam filmar dentro dos palácios, as cenas de interior eram feitas em estúdio com mobiliário original da época cedido pelo museu.



O armazém ainda fornece loiças e serviços de prata para banquetes de estado


Logo à entrada fiquei algo surpreendida por ver tantos cuspidores. Desde que Erasmo de Roterdão declarou que engolir a própria saliva era um hábito deplorável (apesar de no seu tempo os conterrâneos cuspirem para o chão) surgiram vários utensílios para onde as pessoas pudessem cuspir, sobretudo com o hábito de mastigar tabaco. Só a epidemia da gripe de 1918-20 acabou com esse hábito.



Gostei muito de visitar este museu muito bem organizado repleto de informações sobre as peças. A parte do século XXI foi vista a correr, pois já estava muito cansada.