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sexta-feira, 16 de abril de 2021

Senhorios e inquilinos

Todas as casas onde vivi trazem-me boas recordações.



Nascida no Funchal, vivi na mesma casa até ir para Lisboa estudar, em 1976. Todas as minhas lembranças de brincadeiras na infância são com essa casa, onde nasci.

 


2015











Quando andava no liceu tornava-se cada vez mais difícil e caro manter a casa bem apresentada com a necessidade de contratar pintores e um jardineiro para cuidar do belo jasmineiro, que cobria toda a fachada da frente da casa e a trepadeira nos muros a necessitar de ser podada. A minha mãe começou a pensar vendê-la para irmos viver para Lisboa, para onde já se tinham mudado os meus tios e primas. A venda não foi fácil. Muitas pessoas regressadas das ex-colónias foram vê-la, mas era demasiado grande para a necessidade de ter uma casa urgentemente. Uns lamentavam o chão ser de tábua corrida, em vez de parquet, outros por a cozinha ser antiga. Já farta de pessoas que batiam à porta para serem intermediárias e ganharem uma comissão, a minha mãe acabou por vender a casa por um quinto do preço que foi posta à venda menos de dois anos depois. Nunca ninguém na minha família teve jeito para os negócios...

Em Lisboa fomos viver para uma urbanização ainda a terminar e demorou algum tempo até instalarem o telefone e os passeios das ruas serem calcetados. Isso era a única desvantagem, porque a perspetiva de começar tudo de novo e decorar a casa entusiasmava-nos. Fui eu que dei a entrada para a casa com procuração da minha mãe. Conto muitas vezes essa história...

Seis anos depois casei-me e fui viver para Algés para uma casa alugada. Em 1982, era muito dificil encontrar um apartamento vago e até havia agentes imobiliários, que cobravam para mostrar as que estavam no mercado. O senhorio engraçou connosco, um casal jovem que queria uma casa para casar e disse que tinha um apartamento em Algés, pequeno mas que talvez nos servisse. Era uma casa tão pequena que até a minha irmã dizia que lhe causava claustrofobia, mas o meu marido e eu gostávamos dela. Tinha apenas dois pequenos quartos de dormir e uma salinha, mas ficou muito gira depois de a arranjarmos. Os senhorios provaram ser muito forretas e não mandavam arranjar nada do que se estragava, como os velhos estores.

1º dia de escola do meu filho em Algés


De seguida fui morar para Ancara, Turquia, para um bom e confortável apartamento (não fora as canalizações ficarem à vista nas casas de banho) com um pequeno jardim. A senhoria queria que píntassemos a casa quando saímos, mas nós recusamo-nos, porque não tinha sido pintada antes e não estava no contrato. Além disso, devido à inflação, todos os anos a renda aumentava 10%.

1º dia de escola da minha filha, em Ancara



Enquanto ainda vivíamos na Turquia comprámos a nossa casa em Lisboa. O meu marido foi trabalhar para a Guiné e tinha direito a casa. Íamos passar muitas férias com ele, mas os meus filhos e eu ficámos a morar em Lisboa, por causa das escolas.

A casa da Guiné pertencia ao estado português e tinha muitos problemas relacionados com a canalização, paredes, teto, etc, que o "senhorio" não resolvia...


Dos EUA recordo as mais bonitas árvores de Natal naturais que tive...

Em 1999, fomos viver para os EUA. A senhoria, pela primeira vez, era uma senhora muito simpática que nos pedia para a avisarmos de qualquer anomalia, mandando consertar tudo o que se estragava: estores, máquinas, armários. Ao principio, antes de receber as minhas coisas de Portugal, não gostei da casa, tipicamente americana, em madeira. O chão estava todo alcatifado e eu não gostava, porque os meus tapetes não brilhavam, mas depois e como sempre faço, comecei a valorizar o que era fantástico e menosprezar as outras coisas. O local era muito bonito: um condomínio fechado com uma vista soberba, uma lagoa que gelava no inverno, um campo de ténis e uma piscina para todos os residentes. Gostei muito de viver ali e hoje ainda escrevo à dona da casa., uma senhoria como só encontrei novamente em Bucareste...




Em 2005 fui viver para Caracas. Foi uma fase diferente das nossas vidas em que o meu marido e eu ficámos a viver sozinhos porque a minha filha foi estudar para Lisboa, onde o irmão já vivia.

Da casa recordo essencialmente a varanda com uma bela vista do Ávila. Chegámos a ter 12 pessoas a jantar na varanda, pois era muito espaçosa. As árvores do  jardim da entrada do prédio  eram tão altas, que pareciam estar ao mesmo nível do andar... O lugar ideal para o crapô de fim de tarde. O senhorio, esse nem o conheci. Parece que vivia em Miami... 




A permanência de 3 anos na Venezuela, não foi consecutiva, pois vivemos ainda alguns meses em Luanda. Aí o senhorio mandara decorar o apartamento com peças muito modernas e cochins de cabedal por cima de sofás em madeira assinados por um conhecido arquiteto português. Ao vermos TV iamos escorregando até acabarmos no chão...




Bissau 2013



Regressámos a Bissau, a outra casa. Desta vez não levámos nada nosso, só roupa.





E novamente em Caracas, em 2014, também não levámos nada para esta casa, antiga, mas bem conservada e bem mobilada. Quando o meu filho nos visitou ficou num anexo para visitas e achou que a área era maior que todo o ser apartamento em Budapeste, onde viveu algum tempo.

Foi sem dúvida a melhor casa onde vivi...

Em 2017, mudámo-nos para Bucareste. Desta vez um apartamento. Com o maior parque da cidade, Herastrau do outro lado da rua, nem sentimos a falta do jardim...


O senhorio morava no prédio e era incansável. Até o chamavam para mudar as lâmpadas do teto, pois segundo parece cabia ao proprietário. Havia uma empresa, muito competente, que depois de ser chamada, por intermédio do senhorio, demorava no máximo 2 horas a vir consertar, o que fosse necessário. Deve ser uma característica dos senhorios dos países de leste. Aqui em Bratislava também vêm calibrar o aquecimento, limpar os candeeiros de teto, mudar lâmpadas, ligar a rega automática etc. Gosto destes senhorios!!!

Esta semana perguntei ao senhorio se tinha terra que me pudesse emprestar até as lojas abrirem para eu plantar dois vasos de jarros. Disse que o jardineiro iria trazer, quando viesse cá esta semana limpar o jardim, mas depois apareceu cá em casa para deixar 2 sacos grandes de terra e dois pratos iguais aos vasos (que eu tinha encontrado na arrecadação). 







Aliás, devo confessar: a simpatia do senhorio e o bonito jardim fazem-me gostar mais da casa, que não é nada especial.







Fotografia das minhas vizinhas, em Lisboa


O meu amigo Oskar

 













Hoje foi a primeira vez que me deixou fotografá-lo...






Em Caracas também havia um esquilo muito colorido lá em casa, que se alimentava de mangas...


domingo, 4 de outubro de 2020

Émile Gallé


 


Émile Gallé (1846 - 1904), famoso artista francês que trabalhou em vidro, foi um extraordinário inovador e figura proeminente do movimento art nouveau. Utilizava  na sua arte vidros opacos e semitransparentes, ganhando fama internacional pelos motivos florais, numa técnica por ele desenvolvida, sobrepondo camadas de vidro. Foi ainda um notável filantropo e pedagogo.   

O trabalho de Émile Gallé revelou-se um sucesso na Exposição de Paris de 1878 e a admiração pelo público amante desta arte durou até hoje em dia. Na Roménia há uma oficina que cria, devidamente autorizada pelos franceses, produtos Gallé, utilizando a mesma técnica e porque tem todos os direitos legais exporta 80%  das suas obras. No centro histórico de Bucareste existe uma loja de exposição e venda ligada aquele ateliê. 
Gostei muito desta jarra que as minhas colegas Spohom me ofereceram. 


E desta...uma prenda de natal em 2017.


A cor azul era das mais utilizadas




terça-feira, 1 de setembro de 2020

A Embaixada de Portugal em Bucareste






Fui recentemente à Embaixada de Portugal em Bucareste renovar o meu Cartão de Cidadã. Tive sorte porque não havia ninguém à minha frente e o processo foi muito rápido, tanto para fazer (como em Portugal), como para receber, pois só demorou uma semana. Ir à Embaixada, foi como estar em Portugal.

  

Desta vez não fui ao jardim, que visitei por duas vezes quando a seleção jovem de rugby esteve a jogar em Bucareste e o Embaixador ofereceu uma receção - almoço e na Semana da Língua Portuguesa.




A Embaixada fica situada na Strada Paris, numa zona nobre da cidade, onde se encontram outras Embaixadas. No tempo da ditadura ficava noutro local, mais afastado.

Habitualmente, as Chancelarias ficam em prédios de escritórios e a residência do Embaixador numa casa, mas aqui é ao contrário. 

























O edifício não pertence ao estado português, mas está muito bem cuidado. Foi pintado recentemente no exterior e no interior e feitas mais algumas pequenas renovações. Gostei muito. Está a condizer com o estilo da moradia antiga, muito bonita.

Gostei muito de uma das lareiras com azulejos antigos artesanais como encontrei em Viscri, uma aldeia na Transilvânia. 

segunda-feira, 20 de julho de 2020

Dia da Aviação em Bucareste

O Dia da Aviação na Roménia celebra-se a 20 de julho.

A Roménia tem três importantes figuras pioneiras da aviação: Traian Vuia ( 1872-1950), inventor, que influenciou os monoplanos de Louis Blériot e mais tarde projetou hélicopteros; Aurel Vlaicu (1882- 1913) engenheiro, inventor e projetista de aviões, cujo nome foi atribuído ao primeiro aeroporto de Bucareste, que fica no caminho do atual.; e Henri Coandă (1886-1982), o qual, na história mundial da aviação, construiu o primeiro avião movido por motor a jacto, o Coandă-1910 e deu o nome ao actual aeroporto internacional da capital.

Em Bucareste existe um monumento dedicado aos heróis da aviação, construído entre 1930 e 1935. Numa placa estão escritos os nomes dos aviadores mortos, até a construção da estátua. Os habitantes da cidade não gostam muito da escultura e chamam-lhe batman.

Hoje, fui assistir à cermónia de deposição de flores e ao espetáculo aéreo, pela primeira vez.





























Na sexta-feira passada soube que por decreto governamental foram proibidos os voos da Roménia para Portugal, por causa do coranavírus/covid. Espero que seja por pouco tempo, pois na semana passada comprei o bilhete para ir a Portugal aos anos da minha irmã e não quero colecionar mais vouchers...




Tristes tempos...