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terça-feira, 31 de maio de 2022

Dia da Criança 2022


 












A Aranha


Essa peluda menina

escondida à esquina do tecto

só desce alta noite quando

todo quarto está quieto.

Suspensa da sua teia

fica ao espelho balouçando.

repisando a mesma ideia:

“Meu Deus, serei linda ou feia?”

                                    Violeta Figueiredo

FELIZ DIA DA CRIANÇA!!!

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sexta-feira, 29 de abril de 2022

Ponte romana de Góis: poema

 

 

Os meus netos estiveram em Góis e enviaram-me fotografias. Lembrei-me do poema da minha amiga Violeta Figueiredo.


Ponte romana de Góis


Ponte velha da Cabreira
onde as cabras velhas vão
na Páscoa por devoção
marchar em fila indiana
(e há sempre uma que lá fica
reservada para chanfana).
Ponte velha da Cabreira,
sobre o rio Ceira, em Góis,
passam os bois dois a dois
e os borregos seis a seis,
a caminho de Coimbra
para serem doutores em Leis.
Vão pisando as lajes gastas,
uma a uma até ao fim,
e quando alcançam a estrada
já sabem falar Latim!

                                                 Violeta Figueiredo









quarta-feira, 9 de junho de 2021

Tigre Triste

 

Alexandre-François Desportes (1661-1743). Louvre

Bonito poema de Violeta Figueiredo:

Tigre Triste


Tigre preso na moldura

e com o rabo entalado

só olha em frente à procura

da saída para o passado.

Finge estar em movimento

mas cola as patas ao chão.

Vê pincéis em pensamento

pintar imagens num traço

ora brusco ora lento.

Estranhas imagens são:

vêm e vão pelo espaço

de nenhures para nenhum lado

como o tempo emoldurado.


"Ao procurar uma ilustração para o poema Na Terra dos Tigres, deparei-me com este tigre emoldurado. Lembrou-me de imediato a minha mãe, que uns dias antes tinha sofrido de alucinações visuais causadas pela perda de visão (síndrome de Charles Bonnet). 
Este poema é pois dedicado à minha mãe, mas eu nunca lho lerei. A mim ele trouxe-me alívio, a ela só traria desassossego".Violeta Figueiredo.


domingo, 14 de março de 2021

"História das Portas" de Violeta Figueiredo


 


Boas Leituras!








Nota: Este post tem um vìdeo. Tem de escolher a opção "Ver a Versão da Web" no telemóvel, para o poder visualizar.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

Portas e Portões de Violeta Figueiredo




PORTÃO DO JARDIM ZOOLÓGICO

Têm escamas, chifres, penas,

penugem, vibrissas, baba,

pêlo às cores que nunca acaba…

Largam um certo pivete…

Quem os quiser conhecer

terá de pagar bilhete!
                                                                              Violeta Figueiredo


sábado, 19 de setembro de 2020

Nada de Nadinha no duche

 


Tremem canalizações,

fogem ribeiros pelos bueiros,

saltam as tampas de esgoto,

o lixo navega louco !

Uma pulga, um gafanhoto

e uma mosca extraviada,

arrastados pela enxurrada,

arriscam-se a cruel morte

mas ainda assim têm sorte,

salvam-se por uma unhinha negra

quando o Nada de Nadinha

fecha a torneira do duche

e a terra inteira sossega.


Violeta Figueiredo

terça-feira, 16 de junho de 2020

Nada de Nadinha Explica-se






Eu, às vezes, quando não falo
calo-me.
Calo-me, calo-me, calo-me,
cubro-me de calos
até me doer a vista
e ter de ir ao calista
e ser forçado a falar:
“– O quê, cinco euros cada calo?!”
“– São preços tabelados”,
responde o calista
e fala logo de mercados internacionais
e de capitais de risco.
Um calista economista jamais se cala,
fala, fala, fala,
badala como um sino,
deixa entupidos os ouvidos
dum pobre cliente inocente.
Eu, é fatal como o destino,
depois de ir a um desses calistas
economistas,
tenho de ir ao otorrino.
– Ao otorrino?
– Ao otorrinolaringologista.
– Para quê, Nadinha?
– Para limpar os ouvidos entupidos
pelo calista economista.
Saio tão arreliado
que me torno a calar um bom bocado,
aí um ano ou dois,
mas depois assim que reparo,
paro,
e vou logo ao oftalmologista
porque ir logo ao oftalmologista
me fica mais barato
do que ir primeiro ao calista
e depois ao otorrinolaringologista.
– Estás a brincar comigo?
– Estou.

sábado, 18 de abril de 2020

O Gato das Botas de Violeta Figueiredo (texto e audio)














O GATO DAS BOTAS E O MARQUÊS DE CARABÁS

-Sape, gato lambareiro,
tira a mão do açucareiro!
O açúcar tem torrões,
cada torrão dez tostões!

-Ó meu amo, dez tostões
é muitíssimo dinheiro!
Se eu tivesse dez tostões
bem que podia comprar
rojões, toucinho e galinha.
Convidava para cear
as gatinhas da Rainha:
a do pêlo de enrolar,
a branca e a siamesa,
três prodígios de beleza,
todas três à minha mesa...

- E a mim, não me convidavas?

- Ó meu amo, eis a questão:
convidava mas primeiro
havia de pôr a mão
nos torrões do açucareiro!

Violeta Figueiredo. O Gato do Pêlo em Pé. Caminho, pag 22

Foi com muito prazer que li a História do Gato das Botas escrita pela Violeta Figueiredo nestes dias de confinamento. Chama-se:

ORELHA E MEIA, o Gato das Botas (texto e audio) 15 abril



sábado, 20 de junho de 2015

Passeio à Floresta de Perrault


Lá para trás houve um momento
em que o bosque ensurdeceu
e se fez lento.
Mas nós não demos por nada.
Enganámo-nos na estrada,
estamos na cova dum dente
e o céu quente que nos cobre
é o da boca do Ogre.


in Poemas inéditos de Violeta Figueiredo


Sobre Violeta Figueiredo:

Violeta Figueiredo Visita a Escola Paula Vicente

Violeta Figueiredo na biblioteca da escola Paula Vicente


domingo, 7 de agosto de 2011

Violeta Figueiredo na biblioteca da escola Paula Vicente



No dia 25 de maio de 2011, a escritora Violeta Figueiredo esteve na biblioteca da escola Paula Vicente para se encontrar com os alunos do 7ºC. Começou por tecer elogios ao espaço aberto e claro em que se tornou a nossa biblioteca, após as obras de remodelação. 
 Viu a amostra de livros expostos de que é a autora e mostrou-se muito interessada nos artigos escritos por alguns alunos da turma, a propósito da sua obra Eram Férias e Havia Sol, lida nas aulas de FC.
 Às 12.30h os alunos chegaram à biblioteca e foram recebidos pela professora Eduarda Cardoso, coordenadora da BECRE e pela diretora de turma.
De maneira muito cordial, a escritora começou por agradecer a oportunidade do encontro, pois considerou que estar com os seus leitores é a melhor maneira de ouvir sugestões. Vários alunos afirmaram que o livro tem um vocabulário por vezes difícil com muitas palavras novas, retratando uma época passada em ambiente beirão. O tempo era curto para responder a todas as perguntas relacionadas com a obra. No entanto, foi curioso verificar que muitos, entre a assistência, pareceram ficar satisfeitos por saber que a figura do avô é autobiográfica, mesmo reconhecendo que os escritores têm a capacidade de mudar a realidade.
O Bruno fez uma pergunta muito pertinente: gostava de saber quem tinha influenciado a Violeta Figueiredo para ser escritora e ficámos a saber que, primeiro, foi a avó, através das histórias maravilhosas que lhe contava e, mais tarde, a professora primária (1ºciclo) também teve um papel muito importante.
A sessão poderia ter continuado, durante mais tempo só com perguntas dos alunos. No entanto, a Violeta decidiu pedir-lhes, que decorassem um pequeno poema seu inserido na antologia de poesia Primeiro Livro de Poesia, organizada pela escritora Sophia de Mello Breyner. A propósito, sublinhou que deveriam estar muito atentos às primeiras palavras, regra essencial para se decorar um texto. O Hélio ofereceu-se para repetir o poema e foi muito bem sucedido.
Pobre de mim, tão Faneca,
Alforreca me fascina.
Sigo atrás da sua coroa,
dos seus terríveis cabelos
de gelatina e de prata:
só o vê-los me atordoa,
só o tocá-los me mata.

 Uma ex-aluna de Violeta Figueiredo, a professora Paula Shirley da direção da escola, assistiu ao interesse revelado pelos alunos. A diretora da escola, dra. Mafalda Manita, também esteve presente.
Atendendo ao entusiasmo demonstrado no jogo da memorização, a escritora, através do gesto e palavra, motivou a visualização de um outro poema, ajudando assim a assistência a participar e, de novo, a decorá-lo:
 Essa peluda menina
escondida à esquina do tecto
só desce alta noite quando
todo o quarto está quieto.
Suspenso da sua teia

fica ao espelho balouçando,
repisando a mesma ideia:
«Meus Deus, serei linda ou feia?»
A sessão terminou com um apelo aos alunos para que frequentem mais o agradável espaço da biblioteca e para decorarem alguns poemas, começando pelos da Sophia de Mello Breyner, pois constitui um ótimo exercício.

Violeta Figueiredo Visita a Escola Paula Vicente



No dia 25 de Maio de 2011 a escritora Violeta Figueiredo visita a EB 2,3 Paula Vicente. O encontro com os alunos é na biblioteca da escola, às 12.30h.
Violeta Figueiredo nasceu na Figueira da Foz, em 1947. Licenciada em Filologia Românica, foi professora do Ensino Secundário. Publicou uma dezena de livros infantis. Foi guionista das séries “Rua Sésamo”, 1ª e 3ª série, e “Terra Instável”. Tem-se dedicado igualmente à investigação histórica.
Na área da literatura para a infância e a juventude, ganhou, em 1990, o Prémio Verbo/Semanário e, em 1991, o Prémio Inapa/Centro Nacional de Cultura. Várias das suas obras integram as listas do PNL (Plano Nacional de Leitura). Dos títulos que publicou, destacam-se Marilu micifu (s.d.), Eram Férias e Havia Sol (1990), Mistérios em Tempo de Aulas (1991), Fala Bicho (1992), A Casa da Floresta (1994), Os Donos da Praia (1996), O Gato do Pêlo em Pé (1997), A Excursão dos Gambozinos (2001), A Verdadeira Vida da Formiga Rabiga (2001), Gambozinos Marinheiros (2002), Tempo Maluco (2003), Portas (2008) e Portões (2008).

Nota biográfica extraída do livro Portas
Fotografia: M. Teresa Relva