A minha Lista de blogues

sábado, 17 de junho de 2017

O Súbdito de Sua Majestade



Hoje é o dia de aniversário oficial da Rainha Isabel II. Apesar de ter nascido a 21 de abril de 1926, a sua celebração é sempre num sábado, no mês de junho. Esta tradição remonta ao ano de 1748, no reinado do Rei Jorge II, o qual nasceu em novembro e decidiu que esse mês frio não era propício a grandes celebrações, com  participação do público e assim  a grande parada Trooping The Colour passou a marcar a celebração do aniversário dos monarcas.

Estas cerimónias atraem muito público, britânicos e estrangeiros. Agrupam-se nos passeios, onde vai passar a parada, na esperança de conseguirem ver a Rainha.




A minha filha e genro foram a Londres este fim de semana e não perderam a oportunidade de visitar um importante súbdito de Sua Majestade.







Parece que vai a Portugal no Verão, pelo que, com certeza, irá tirar uma selfie com o Senhor Presidente da República.















A celebração deste dia em Caracas foi na passada quarta-feira. A todos um excelente dia...

O caso da cigana

A onda de calor que se faz sentir no meu país está a provocar sérias perturbações em políticos portugueses.

Na minha vida não me lembro de saber de insultos tão grosseiros entre membros de um mesmo partido...

Não é que o eurodeputado Manuel dos Santos teve o descaramento de chamar cigana a uma colega, não só pelo seu aspecto, mas também pelas atitudes?.

Gostei de ler o comentário de Alberto Gonçalves: " Não se percebe se o insulto passa por comparar a sra. deputada aos ciganos ou se por comparar os ciganos à sra. deputada".








o citado eurodeputado.

 Isto há quem não se enxergue...

domingo, 11 de junho de 2017

Dia de Portugal 2017 em Caracas

Uma bela Minhota no Centro Português de Caracas

O Dia de Portugal foi comemorado em Caracas, no Centro Português, que também celebrou o seu 59º aniversário.


Houve os discursos protocolares e foi homenageada uma senhora que emigrou com os pais para Caracas em 1952. Gostei de ouvir o seu discurso de agradecimento num português impecável.

Seguiram-se dois momentos musicais: uma rapsódia de fados acompanhados com os instrumentos clássicos portugueses, guitarra elétrica e bateria e uma rapsódia de músicas tradicionais venezuelanas. Foi interessante. Gosto muito do êxito venezuelano antigo "Moendo Café".
Para mim o momento mais alto da festa foi quando apareceu no palco uma bandeira grande venezuelana e a apresentadora pediu 1 minuto de palmas por todos os jovens que já morrerem pelo seu país nas manifestações. Fiquei emocionada.

De manhã gostei de saber que o Google, na sua versão portuguesa- www.google.pt- criou um doodle dedicado ao Dia de Portugal



Já anteriormente o tinha feito.



A todos os portugueses e luso-venezuelanos residentes neste país os meus votos de um futuro melhor.


Dia de Portugal 2015

Dia de Portugal 2016

sábado, 10 de junho de 2017

Bridge: mais uma despedida 2

Hoje organizei um almoço de despedida para uma amiga e colega de bridge. No Verão passado e novembro deixaram a Venezuela três amigas, que estiveram no grupo de bridge desde a sua formação. Hoje foi a vez de nos despedimos da sua mentora e, em breve, serei eu.

Entretanto, entraram mais pessoas (a Pilar e a Joelle) e, hoje, foi a vez da Carla. É bom que o grupo se renove para as pessoas que ficam passarem um dia por semana em conjunto. Para mim, a conversa e o convívio são tão importantes como o jogo. Talvez por isso não aprecie jogar contra o computador...

Tive pena que uma amiga, que está quase desde o inicio (Kat) não tenha vindo, mas mora mais longe e actualmente é cada vez mais difícil as pessoas deslocarem-se, porque fecham muitas ruas devido aos protestos e ninguém quer ficar metido no meio das manifestações e bombas de gás lacrimogéneo, que infelizmente têm causado tanto sofrimento aqui...

Resolvi fazer uma ementa alusiva ao evento e como não podia deixar de ser um "Grand Slam" tinha de estar presente. Este foi arranjado para a fotografia e para decorar a ementa...







Espero que no futuro próximo haja muitos mais "grand slams" em ambiente calmo. Guardarei sempre com amizade a memória do bridge em Caracas.


sexta-feira, 9 de junho de 2017

Dia da Rússia


Hoje comemorou-se o Dia Nacional da Rússia, que é celebrado anualmente a 12 de junho, desde 1992. O hino russo, é para mim um dos mais bonitos.


Trocámos impressões sobre a Jamaica, pois esta "colega" já viveu lá e temos também em comum ser ambas da Peninsula Ibérica, só que eu estou de saída e ela acabadinha de chegar. Desejo-lhe muita sorte...



quarta-feira, 7 de junho de 2017

O Hotel Halcyon




The Halcyon é uma série britânica sobre um hotel Londrino durante a II Guerra Mundial. Tenho visto todos os episódios da série (seis num total de oito). Acho que os excelentes actores, o ambiente, guarda-roupa e a música completam-se na criação da atmosfera envolvente para o desenrolar da acção em tempo de guerra. No entanto, há algumas cenas que me pareceram ilógicas. Todos sabemos que a homossexualidade era ilegal e ainda temos bem presente o filme The Imitation Game, mas nesta série é um pouco descarada. Também não se sabe o que faz o herdeiro do hotel, um piloto aviador, pois em plena Batalha de Inglaterra regressa constantemente ao hotel para namorar, enquanto, presume-se, os seus colegas estão a combater...Claro, como parece ser politicamente correcto, além de um casal homossexual, há também uma personagem negra, o pianista ( a música da época também está muito bem encaixada).

No todo, trata-se de uma série dramática, cujo enredo está bem construído e narrado, que nos motiva a acompanhar o episódio seguinte. E claro está, envolve espiões, como não podia deixar de ser, atendendo à época. Fiquei desiludida ao saber que a sua popularidade baixou e apesar de já ter terminado em fevereiro deste ano, não está programada uma segunda temporada...


segunda-feira, 5 de junho de 2017

Para quem gosta de azulejos

é sempre bom recordar onde pode ver os originais.

Palácio Nacional de Sintra

Palácio Fronteira

Leia o Guia dos Azulejos de Lisboa e faça planos para visitar alguns destes belíssimos locais. Se tiver tempo vá até Azeitão e visite o Palácio da Bacalhoa, a não perder...


Quinta e Palácio da Bacalhoa
Posts antigos:

Are you a tile lover?

12 Treasures of Europe

Portuguese Tiles

Catarina de Áustria




Acabei de ler a semana passada o livro de Annemarie Jordan sobre a rainha de Portugal Catarina de Áustria. Comprei-o quando visitei a exposição A Cidade Global, no MNAA, em Lisboa. Annemarie Jordan é co-autora do livro que se tornou tema da exposição.










Filipe, o Belo


Joana de Castela






















Catarina de Áustria (1507-1578) era filha de Filipe, o Belo, arquiduque da Áustria e Duque da Borgonha e de Joana de Castela, rainha de Espanha a quem muitos começaram a chamar Louca. Nasceu órfã de pai, falecido, em 1506. Era neta dos monarcas católicos Isabel, rainha de Castela e D. Fernando II, rei de Aragão.

D. João III

Era a irmã mais nova do imperador Carlos V ( e Carlos I de Espanha) o qual, estrategicamente, a colocou no trono português, casando-a, em 1525, com o Rei de Portugal D. João III, como forma de garantir a estabilidade política na Península Ibérica, do ponto de vista espanhol. O mesmo acontecera com as suas irmãs: Leonor de Áustria, rainha de Portugal  (foi a terceira mulher de D. Manuel I) e França; Isabel de Áustria, rainha de Dinamarca; e Maria da Hungria, regente dos Países Baixos, colocadas em pontos nevrálgicos da Europa, como forma de conseguir valiosas alianças, pois mantiveram-se fieis ao irmão, o imperador Carlos V, durante todo o reinado deste último.




Até ao casamento, D. Catarina viveu completamente isolada dos irmãos. Passou a infância e a juventude em Tordesilhas, onde vivia com a mãe, cujo papel  na educação da filha foi muito mais influente do que previamente se pensava, ao ponto de levantar a questão se Joana teria ficado mesmo mentalmente incapacitada, após a morte do marido, como se pensava.

D. Catarina recebeu uma educação sólida: era fluente em latim, lia grego e sabia ler e escrever em espanhol e escrevia poesia. Aprendeu a tocar e a ser uma excelente dançarina.

Carlos V


Carlos V ordenou aos oficiais da corte  que tratassem do enxoval e dote da irmã, servindo-se para tal dos bens da mãe em Tordesilhas. A própria viagem de Catarina e da sua comitiva de Tordesilhas para Portugal foram liquidadas pelo irmão, que mandou derreter prata do tesouro da sua mãe. Mesmo assim muitas jóias pertencentes a Joana de Castela, algumas delas ofertas do marido, faziam parte do enxoval de D. Catarina, assim como uma baixela retirada do tesouro de sua mãe. Parte do seu rico guarda-roupa fora também apropriado dos bens de Joana.

Antes da sua partida para Portugal, levou consigo um conjunto de livros com iluminuras e, em 1540, comprou 230 livros em Milão encadernados a ouro. Além dos livros, D. Catarina tornou-se coleccionadora de peças de mobiliário e objectos decorativos exóticos vindos do oriente. Outra moda renascentista era a colecção de retratos de família, que desempenhavam a função das fotografias digitais de hoje em dia e podiam assim ser trocados entre familiares. A pintura e a escultura desempenharam um papel secundário nas colecções de D. Catarina, talvez à semelhança da pouca importância que a sua mãe lhes dava (com exceção para os retratos e pinturas religiosas). Um dos aspectos em que divergia da mãe era na compra de animais exóticos, aliás uma moda iniciada em Portugal pelo seu sogro, D. Manuel I. Contudo, as tapeçarias flamengas constituíram o elemento mais importante do colecionismo de D. Catarina. Algumas pertenciam à sua mãe e trouxe-as de Tordesilhas, mas em Portugal aumentou a sua coleção. Decorou os palácios, onde vivia em Portugal: o Palácio Real em Lisboa e as residências reais em Sintra e Almeirim.

"Em 1580, Filipe II estava ansioso por recuperar tanto quanto fosse possível do património da Coroa portuguesa, e foi por esse motivo que ordenou que o seu general, o duque de Alba, confirmasse o que restava do tesouro da Coroa. Muitas peças valiosas de joalharia e tapeçaria flamengas tinham sido roubadas pelo pretendente ao trono, D. António Prior do Crato..." (pag 178).
Se alguns tesouros ainda restavam em 1755, o terramoto ditou o fim destes.

Do seu casamento com o rei D. João III teve nove filhos, mas nenhum lhe sobreviveu. Conseguiu casar a sua filha Dona Maria Manuela  com o então príncipe Filipe II de Espanha. Mas a súbita morte de Maria Manuela, após  o nascimento do filho D. Carlos, pôs fim ao seu curto reinado como princesa das Astúrias.

Joana de Áustria



Esperava-se que o casamento do seu filho D. João com Joana de Áustria, a filha mais nova do imperador Carlos V e Isabel de Portugal solucionasse uma eventual crise politica, uma vez que o Infante D. João era o único herdeiro sobrevivente. A morte inesperada desse príncipe da Casa de Avis deixou o seu filho, que não tinha nascido ainda, D. Sebastião, futuro Rei de Portugal, como único herdeiro do trono. Após a morte do marido, D. João III, D. Catarina assume a regência do Reino de Portugal, em nome do neto até 1562.







D. Sebastião



D. Catarina recontruiu a capela-mor do mosteiro dos Jerónimos, que se tornou no panteão dedicado à dinastia de Avis.

Devido aos problemas com o seu neto e outros de natureza politica, decidiu ir viver para Espanha. Todavia, devido às pressões da Corte Portuguesa, viu-se obrigada a mudar a sua decisão e permaneceu em Portugal, no palácio de Xabregas, mandado construir pelo seu marido.

D. Catarina morre no ano que o seu neto, D. Sebastião, inicia a cruzada contra os mouros de Marrocos, sendo derrotado na batalha de Alcácer Quibir...



Gosto sempre de ler biografias. Quando são sobre a História de Portugal revêem-se personalidades relevantes. São nomes que, muitas vezes, constituem referências desde a infância. E dessa maneira fica-se com uma ideia mais aproximada como contribuíram para a vida portuguesa na época em que viveram e como as suas acções podem ter influenciado a própria evolução do país.
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Aqui esqueceram-se das aspas em "old"








domingo, 4 de junho de 2017

A história absurda de um café na Venezuela


Ontem pedi à empregada, que normalmente faz as compras de casa, para procurar um frasco de Nescafé. Quando regressou disse-me que tinha encontrado, mas que decidira primeiro vir dizer-me o preço, para eu confirmar a compra. A verdade é que custava o mesmo daquilo que paga mensalmente pela renda do seu apartamento (42.000 BL). Quando fiz as contas cheguei à conclusão que 4 frascos de Nescafé correspondem a um salário mensal mínimo...

Já o ano passado lembro-me de ter feito um post No hay, quando ainda ia ao mercado. Nessa altura escrevi que um frasco de Nescafé grande custava cerca de 20 euros...

Com a inflação galopante deste país, um frasco pequeno pode custar hoje em dia cerca de 50 euros, de acordo com o câmbio oficial..

Um absurdo!!!

sábado, 3 de junho de 2017

Real Madrid é bicampeão europeu



...com a imprescindível contribuição de Cristiano Ronaldo, que marcou dois dos quatro golos da vitória contra o Juventus.

Hoje, com o meu filho a caminho de uma conferencia no estrangeiro, e sem os habituais comentários futebolísticos via whatsapp, cumpriu-me o dever de apoiar o meu marido, nos golos muito aplaudidos. E que interessante ouvir a vizinhança a vibrar com os golos, em casa...

Muitos Parabéns, Ronaldo!!!


sexta-feira, 2 de junho de 2017

Dia de Itália


 Por ocasião do 71º aniversário da República Italiana realizou-se hoje uma recepção na embaixada de Itália.

Feliz Dia para todos os italianos residentes neste país!!!

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Trump mais isolado


A temperatura da Terra vai aumentar.

Trump rejeitou o Tratado de Paris

 Ao ouvir o presidente americano dizer que representa Pittsburgh e não Paris, parece que o acordo era sobre esta cidade...

FELIZ DIA DA CRIANÇA


Gosto muito desta fotografia tirada em 1987, há 30 anos.
Espero um dia ver um neto/a vestido com este fato com uma girafa, que guardei para a próxima geração...

sábado, 27 de maio de 2017

Ora agora cozinhas tu...

Ora agora cozinho eu...




Hoje recebi da minha amiga Margarida o texto publicado na Folha de S. Paulo, de autoria de João Pereira Coutinho: Restaurantes não são santuários   e logo uma série de imagens me passaram pela frente. 





O artigo tem muito humor, mas concordo com muito do que lá se diz.





Exceção feita no final onde o autor parece que lamenta a falta de garrafas por cima da mesa, onde está a ser servida a refeição. Isso não. Garrafas na mesa, nunca. Nem no restaurante nem em casa. Não tenho nada contra o vinho, bem pelo contrário... só sou contra as garrafas.




Realmente a importância dada hoje em dia aos restaurantes e aos chefs, subiu a um patamar irritante. Não há canal de TV, que se preze, que não apresente diversos programas e concursos de culinária.
Eu, por mim, a utilização em excesso do termo chef, perdoem-me os cozinheiros, transporta-me às reuniões de Conselho de Turma, em que havia sempre uma psicóloga a sugerir um programa de cozinha para os alunos com dificuldades de aprendizagem. Só precisavam de não chumbar a mais uma disciplina, pelo que os professores da turma, habitualmente, concordavam... Um bom professor quer sempre o bem dos seus alunos e, já agora, avisem para onde vão trabalhar... (e lembro-me daquele  6ºC, ou anos antes o 7ºB  e também C, que apanhei no regresso ao ensino, em 2008..).

O ano passado ficámos hospedados num hotel na Jamaica...Enquanto nos arrumavam as malas,  explicaram o funcionamento dos restaurantes, a maior parte deles tão especiais, que requeriam uma reserva. E lá o empregado nomeou o diferente tipo das comidas servidas. Lembro-me de uma "fusão". Como depois disse o meu marido: "Até aqui?". Com medo do que nos pudesse ser servido, pois o nome apela a laboratório, jantámos descansados no quarto...  uma daquelas ementas "caseiras" do "room service"...
Perante esta reflexão aconselho a leitura do artigo enviado pela minha amiga, que traduz bem o que eu e o marido pensamos acerca desta nova moda, a qual, como todas, passou a ser excessiva e ridícula, como o autor bem sublinha:

"Restaurantes não são santuários


Estou cansado da religião dos chefs: restaurantes não são santuários



O melhor restaurante do mundo? Ora, ora: é o Eleven Madison Park, em Nova York. Parabéns, gente. A sério. Espero nunca vos visitar. Entendam: não é nada de pessoal. Acredito na vossa excelência. Acredito, como dizem os críticos, que a vossa mistura de "cozinha francesa moderna" com "um toque nova-iorquino" é perfeitamente comparável às 72 virgens que existem no paraíso corânico.

Mas eu estou cansado da religião dos chefs. Vocês sabem: a elevação da culinária a um reino metafísico, transcendental, celestial. Todas as semanas, lá aparece mais um chef, com a sua igreja, apresentando o cardápio como se fossem as sagradas escrituras.

Os ingredientes não são ingredientes. São "elementos". Uma refeição não é uma refeição. É uma "experiência". E a comida, em rigor, não é comida. É uma "composição".

Já estive em vários desses santuários. Quando a comida chegava, eu nunca sabia se deveria provar ou rezar. Os meus receios sacrílegos eram acentuados pelo próprio garçom, que depositava o prato na mesa e, em voz baixa, confidenciava o milagre que eu tinha à minha frente:

– Pato defumado com pétalas de tomate e essências de jasmim.

Escutava tudo com reverência, dizia um "obrigado" que soava a "amém" e depois aproximava o garfo trêmulo, com mil receios, para não perturbar o frágil equilíbrio entre as "pétalas" e as "essências".

Em raros casos, sua santidade, o chef, aparecia no final. Para abençoar os comensais. No dia em que beijei a mão de um deles, entendi que deveria apostatar.

E, quando não são santos, são artistas. Um pedaço de carne não é um pedaço de carne. É um "desafio". É o teto da Capela Sistina aguardando pelo seu Michelangelo.

Nem de propósito: espreitei o site do Eleven Madison Park. Tenho uma novidade para dar ao leitor: a partir de 11 de abril, o Eleven vai fazer uma "retrospectiva" (juro, juro) com os 11 melhores pratos dos últimos 11 anos.

"Retrospectiva." Eis a evolução da história da arte ocidental: a pintura rupestre de Lascaux; as esculturas gregas de Fídias; os vitrais da catedral gótica de Chartres; os quadros barrocos de Caravaggio; a tortinha de quiche de ovo do chef Daniel Humm.

Gosto de comer. Gosto de comida. Essas duas frases são ridículas porque, afinal de contas, sou português. E é precisamente por ser português que me tornei um ateu dos "elementos", das "composições" e das "essências". A religião dos chefs, com seu charme diabólico, tem arrasado os restaurantes da minha cidade.

Um deles, que fica aqui no bairro, servia uns "filetes de polvo com arroz do mesmo" que chegou a ser o barómetro das minhas relações amorosas: sempre que estava com uma namorada e começava a pensar no polvo, isso significava que a paixão tinha chegado ao fim.

Duas semanas atrás, voltei ao espaço que reabriu depois das obras. Estranhei: havia música ambiente e a iluminação reduzida imitava as casas de massagens da Tailândia (aviso: querida, se estiveres a ler esta crónica, juro que nunca estive na Tailândia).

Sentei-me. Quando o polvo chegou, olhei para o prato e perguntei ao dono se ele não tinha esquecido alguma coisa. "O quê?", respondeu o insolente. "O microscópio", respondi eu.

Ele soltou uma gargalhada e explicou: "São coisas do chef, doutor." "Qual chef?", insisti. Ele, encolhendo os ombros, respondeu com vergonha: "O Agostinho". O cozinheiro virou chef e o meu polvo virou calamares.

Infelizmente, essa corrupção disseminou-se pela pátria amada. Já escrevi sobre o crime na imprensa lusa. Ninguém acompanhou o meu pranto.

É a música ambiente que substituiu o natural rumor das conversas. É a iluminação de bordel que impede a distinção entre uma azeitona e uma barata. É o hábito chique de nunca deixar as garrafas na mesa, o que significa que o garçom só se apercebe da nossa sede "in extremis" quando existem tremores alcoólicos e outros sinais de abstinência. Meu Deus, onde vamos parar?

Não sei. Mas sei que já tomei providências: no próximo outono, tenciono aprender a caçar. Tudo serve: perdiz, lebre, javali. Depois, com uma fogueira e um espeto, cozinho o bicho como um homem pré-histórico.

O pináculo da civilização é tortinha de quiche de ovo do chef Daniel Humm? Então chegou a hora de regressar às cavernas de Lascaux."


João Pereira Coutinho* in Folha de S. Paulo, 11/4/ 2017
* Escritor Português. È doutor em Ciência Politica. Escreve às terças e às sextas



sexta-feira, 26 de maio de 2017

Befern


Befern é uma marca de moda venezuelana, a abreviatura do nome da estilista Belén Fernández. Tem origens europeias, pois o pai é português e a mãe espanhola. A Belén dá muito boas sugestões e consegue interpretar o gosto das clientes. Comigo sabe que dou primazia à qualidade dos tecidos e não gosto muito de modelos muito elaborados, como se usa aqui.




A primeira vez que fui ao seu atelier foi para fazer-me a cópia de um vestido antigo, de uma familiar, que eu gostava muito e fiquei muito satisfeita com o resultado, pois era num material, que julgo ser difícil de trabalhar.

De seguida fez-me o vestido que usei no Dia Nacional de Portugal, em 2015.

 






                  Eu com a estilista Belén Fernández



De toda a roupa que me fez, vou sempre recordar o vestido para o casamento da minha filha, feito em shantung de seda, um modelo muito simples, mas que me fez sentir muito bem.




A última prova do vestido no atelier da Belén

(Devo dizer que para uma pessoa venezuelana, este vestido deve ser de uma demasiada simplicidade, pois aqui o habitual são casamentos à noite e as convidadas usam todas vestido comprido)




...ou este vestido de flores, que veio da Madeira em 1976 e finalmente terminado o ano passado.
A minha mãe, que também era vaidosa, falava sempre de um vestido de linho que teve, que foi alterado diversas vezes e acabou num pano de tabuleiro bordado..




Um toque venezuelano... para a passagem de ano na Madeira, em 2015.

Desejo à Belén muito sucesso na sua carreira internacional. Em novembro próximo está prevista uma passagem de modelos sua em Madrid.  Esta estilista estudou moda na Venezuela e passou pelo atelier, onde Carolina Herrera, também venezuelana, se formou no inicio da sua carreira.




A visita de Trump à Europa


Tem sido desastrosa, mas para mim o ponto alto foi a troca de presentes no Vaticano, onde o Papa ofereceu ao presidente americano a carta encíclica "Laudato Si" , uma reflexão sobre as questões ecológicas:

«Que los seres humanos destruyan la diversidad biológica en la creación divina; que los seres humanos degraden la integridad de la tierra y contribuyan al cambio climático, desnudando la tierra de sus bosques naturales o destruyendo sus zonas húmedas; que los seres humanos contaminen las aguas, el suelo, el aire. Todos estos son pecados». 

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Cerimónia de Condecoração

 na embaixada de França

A embaixadora da União Europeia foi hoje condecorada pelo governo francês na Embaixada de França. De nacionalidade francesa, desempenha funções diplomáticas há 16 anos e foi colocada neste país pela segunda vez, em 2013. Está agora de partida para a Argentina.
O primeiro país da América do Sul a ter uma representação diplomática da UE foi a Venezuela, devido à importância de cidadãos venezuelanos com passaporte da UE. São cerca de 600 mil de origem espanhola, portuguesa e italiana.

O Embaixador de França, F. Desagneaux a condecorar
A embaixadora da UE, Aude Maio-Coliche

Com a Encarregada de Negócios da Polónia

Com a minha amiga,  a embaixatriz de França, que regressará definitivamente ao seu país no próximo mês.

terça-feira, 23 de maio de 2017

Morreu Roger Moore, um dos 007




The New Yorker Cartoons



O actor Roger Moore, conhecido especialmente por ter interpretado o papel de James Bond, o agente 007, baseado nos romances de espionagem de Ian Fleming e de Simon Templar na série O Santo, morreu hoje na Suiça aos 89 anos vitima de cancro.