Nasceu a Rainha-Mãe do Reino Unido, Elizabeth Angela Marguerite Bowes-Lyon, a mãe da atual rainha, Elizabeth II. Hoje fui a uma exposição e vi esta fotografia onde está presente com o marido, o Rei Jorge VI (à direita). Ao centro estão os Reis da Roménia: Ferdinand e Marie (com um bébé ao colo). A Rainha-Mãe passou muitos anos, quando era ainda solteira, no castelo de Glamis, que visitei quando fiz uma visita a diversos castelos da Escócia.
A Rainha- Mãe morreu aos 101 anos, em 2002. Lembro-me que soube da sua morte, em férias na cidade canadiana de Montreal e como estava no hotel, adoentada, segui as noticias pela TV, quando já me sentia melhor.
Palíndromos são palavras, frases, versos ou expressões que podem ser lidas da esquerda para a direita ou da direita para a esquerda mantendo a mesma grafia e sentido. Os acentos, pontuação e espaços não são considerados ou seja, apenas contam as letras e as palavras.
O Castelo Pelișor faz parte do complexo arquitetónico criado por Carol I, o primeiro Rei da Roménia (irmão da Rainha Estefânia de Hohenzollern-Sigmaringen, casada com D. Pedro V). O Rei visitou Sinaia pela primeira vez em 1866 e encantou-se com a beleza da região.
Ficou instalado no mosteiro de Sinaia, mas logo decidiu mandar construir um palácio, onde pudesse passar as férias de verão: o Castelo Peleș.
Mosteiro de Sinaia
O castelo Pelișor (pequeno Peleș) foi construído entre 1899 e 1902 como prenda para os herdeiros do trono Ferdinand e Maria.
Ferdinand era sobrinho de Carol I e fixou-se na Roménia em 1899. Em 1893, tinha casado com a Princesa Marie de Edinburgo, neta da Rainha Victoria (por parte do pai) e do czar Alexandre II da Rússia (por parte da mãe). Tornaram-se os monarcas da Roménia em 1914, após a morte de Carol I.
A pedido da princesa Maria e à imagem dos seus gostos estéticos a decoração do interior do castelo foi concebida em Arte Nova considerado o estilo moderno, naquela época do final do século XIX e início do XX.
Foi neste castelo que morreu em 1938, aos 62 anos.
Foi enterrada no Mosteiro de Curtea de Arges, mas o seu coração, de acordo com o seu desejo foi guardado numa caixa na capela Stella Maris, da sua propriedade em Balchik.
Palácio Balchik, hoje em dia em território búlgaro.
Quando em 1940, toda essa área ficou a pertencer à Bulgária, o seu coração foi transladado para o castelo de Bran, onde a filha IIeana construiu uma capela para esse fim. O regime comunista guardou - o num depósito do Museu Nacional de História, durante 40 anos e, em 2015, a pedido do último Rei da Roménia, Mihai I, foi transferido para o Castelo Pelișor.
O Castelo de Brantem estado associado à imagem do Conde Drácula, imaginado pelo escritor irlandês Bram Stoker (1847-1912), conhecido hoje em dia sobretudo pelo seu "romance gótico de vampiros" Drácula (1897). O escritor nunca visitou a Roménia e aquela obra só foi publicada nos anos 90 do século passado na Roménia. Contudo, muitas das suas descrições têm semelhanças com o Castelo de Bran e a figura histórica, que a inspirou: Vlad Țepeș, príncipe da Valáquia.
No século XV Vlad Dracul vivia em Sighişoara. Em 1431 tornara-se membro da Ordem do Dragão fundada por Sigismund von Luxembourg (o termo “dracul” tem as suas origens na palavra em latim “draco”, significando “Dragão”) Esta era uma ordem militar católica integrando nobres e príncipes com o objectivo de lutar contra os inimigos do cristianismo, nomeadamente os Otomanos. Vlad orgulhava-se tanto do símbolo do dragão, que os seus brasões incorporaram esse animal mítico. Adotou também “Dracul” no próprio nome. Depois de vencer os inimigos tornou-se príncipe da Valáquia, uma região do sul da Roménia. Todavia, a sua fama, hoje em dia, deve-se ao facto de ser o pai de Vlad Țepeș, o Empalador. Foi negado ao seu filho o trono da Valáquia ocupado pelo pai, razão pela qual se tornou um guerreiro cruel, obcecado com vingança a todos o que se lhe opunham.
Ficou conhecido pelas formas de tortura através do empalamento (a vitima era perfurada com um pau).
Apesar de na Roménia as pessoas não gostarem muito desta associação com o Drácula, têm sabido tirar proveito da situação. Fiquei admirada com a quantidade de excursões a partir de Brașov para visitar o "castelo do Drácula" e no mapa, que nos ofereceram no hotel, tinha em diversos pontos a suposta cara do drácula, presumo os locais onde reuniam os turistas.
A Roménia tem muito mais a oferecer do que esta história, como tenho mostrado nos meus relatos de viagem pelo país, mas para quem gosta destas lendas:
A corte do Principado em Bucareste (está em restauro), a casa onde supostamente nasceu em Sighişoara e o seu túmulo em Snagov
O Castelo de Bran oferece também uma outra visão, romântica...
Sassu-Ducsoara, O Castelo de Bran (aguarela) 2015
No dia 1 de dezembro de 1920, as autoridades de Brașov doaram o castelo aos novos soberanos da Roménia. O Rei Ferdinand I (neto de D. Maria II e D. Fernando II de Portugal) e a rainha Maria. Foi a oportunidade daquela imponente fortaleza dos Cárpatos não ter ficado abandonada no alto de uma rocha, pois logo de seguida foram iniciados trabalhos de renovação para a tornar habitável, passando a ser um dos locais favoritos da rainha, como se pode ver no video (usando roupa tradicional romena).
"...I had seen it standing in solid solitude upon its projecting rock, and had imagined what an enchantment it would be to possess that stronghold and turn it into a home. What romance it would represent-a little feudal castle, verily a fairy-tale come to life"
Rainha Maria em fevereiro de 1930
Em 2009, o castelo deixou de ser propriedade do estado e foi entregue aos descententes da Princesa Ileana, filha da Rainha Maria.
Brașov foi onde dormimos depois da longa viagem a partir de Sighetu Marmației (cerca de 400 km), trajeto feito com paragens.
Parámos em Târgu Mureș para visitar o Palácio e num hotel, onde se ia realizar um casamento, tomámos uma bebida. Gostei de ver a disposição dos copos de espumante à entrada...
Desde Sighişoara andávamos à procura de um restaurante de peixe, que sabíamos existir. Só o encontrámos depois de Rupea. Já passavam das 17 horas...mas valeu a pena. A truta que comi, pescada no pequeno lago ao lado do restaurante, valeu a pena.
Quando chegámos a Brașov, ao pequeno hotel rústico, já estava esgotada. Ainda dei uma volta pelo centro histórico, que estava apinhado de gente e com dois palcos de música muito alta ao vivo.
Mostrei à minha irmã a Igreja Negra, a maior igreja gótica romena, construída entre 1384 e 1477 (o nome desta igreja luterana resultou da sua aparência, depois do Grande Incêndio de 1689) e fui para o hotel descansar.
Ela ficou numa esplanada a apreciar a sua bebida favorita destas férias...
No dia seguinte estavamos como novas para continuar viagem, de regresso a Bucareste...
Poiana Brașov foi a primeira paragem...na mais famosa estância de ski da Roménia. Recordei a viagem do ano passado com a família...
Os meus netos dormiam profundamente e fiquei no carro com eles...
Na comuna onde fica a igreja fortificada, construída no século XIV, a população é de maioria húngara. As muralhas com bastiões são semelhantes a outras da Transilvânia.
No livro sobre igrejas fortificadas, Aita Mare está mencionada... daí a minha curiosidade.
Não pertence à lista de Património da Humanidade da Unesco, mas como se encontra não muito distante do caminho, que nos levava a Brașov, a próxima paragem, resolvemos ir visitá-la...
Já estava fechada e só visitámos por fora, mas não encontrámos explicação para os pilares trabalhados em madeira...estava tudo escrito em húngaro... de qualquer maneira trata-se de mais um testemunho muito interessante da rica história da Transilvânia.
Târgu Mureș é uma cidade na parte central- norte da Roménia, nas margens do Mureș, o segundo rio mais longo da Roménia, depois do Danúbio. Târgu significa mercado, assim o nome da cidade, tanto em romeno como em húngaro (Marosvásárhely), quer dizer mercado no Mureș.
Tem uma comunidade grande de origem húngara e tem sido palco de diversas manifestações com a finalidade de alcançar maior autonomia e uma universidade nessa mesma língua.
Tínhamos programado uma paragem para visitar O Palácio da Cultura construído, entre 1911 e 1913, em Estilo Arte Nova pelos arquitetos húngaros Jakab, Dezsö (1864–1932) e Komor, Marcell (1868–1944) a pedido do presidente da Camara György Bernády (1864-1938), que beneficiou de uma lei aprovada por Francisco José, Imperador e Rei da Hungria, visando a (re)construção de edificios.
O Estilo Arte Nova ou Secessão
de Viena foi formado por um grupo de artistas: pintores, escultores e
arquitetos, que protestavam contra as normas tradicionais da época (o pintor Gustav Klimt foi um dos primeiros a romper com o tradicionalismo). O lema era: "A cada época, sua arte; à arte, a sua liberdade".
Visitei o palácio em tempo record de menos de meia hora, pois fechava, para nosso espanto, às 15 h. Mesmo assim deu para ver a beleza do edifício, no museu de arte, no último andar, admirar muitos pintores romenos, que já conhecia e comprar o último guia em língua inglesa, com explicações detalhadas das obras.
Foi uma agradável surpresa esta visita. Não esperava que o Palácio da Cultura fosse deste tamanho e tão rico. Pena não deixarem tirar fotografias no Hall dos Espelhos...uma beleza.
Uma natureza morta de Theodor Pallady (1871-1956).
Este ano, uma natureza morta do mesmo pintor tinha como base de licitação 35.000 Euros num leilão de arte em Bucareste (não sei por quanto ficou).