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sábado, 15 de julho de 2017

3 anos fora de Portugal

Estou a viver permanentemente fora do meu país, desde julho 2014. Durante  estes anos, a nível pessoal, houve o casamento do meu filho em 2014, em Inglaterra;




















e o casamento da minha filha em Portugal, em 2016.















Em 2015, a família aumentou com o nascimento de duas primas gémeas


Em 2017, nasceu o meu neto na Escócia.

Faz 5 meses hoje. Só o vi durante duas semanas quando só tinha 1 mês...





  o tapete que bordei para ele em ponto de Arraiolos...




Fiz algumas viagens durante estes três anos: Bogotá e Cartagena (primeiras férias para descansar logo que cheguei), Curaçao, Londres, Budapeste, Viena, Equador, México, Panamá, Cuba, Escócia, Amsterdão, Singapura, Vietname, Camboja, Tailândia, Edimburgo. 

As visitas à Jamaica, Guiana, Trinidad e Tobago, São Vicente e as Grenadinas, Barbados tiveram também outros objetivos, mas fiquei a conhecer estes países nas Caraíbas.

Inolvidáveis foram mesmo as férias em família à Madeira para a passagem de ano e a Canaima.




A minha ilha da Madeira continua belíssima



Chegada a Canaima










No delta do Orinoco. Tentativa falhada de fazer de Tarzan na selva








Durante este tempo fiz algumas amizades e espero manter os contactos.  Hoje em dia com emails, skype e whatsapp, é muito diferente de 1989, quando deixei Portugal para ir viver na Turquia...

Politicamente assisti no meu país à eleição de um novo presidente da república e à formação de um governo minoritário com apoios parlamentares, a quem chamam de gerigonça, enquanto aqui assisto diariamente ao desmoronamento de um regime.

A minha nora e genro foram os únicos que me acompanharam na súbida ao Ávila de teleférico. Os outros subiram de jeep, o que não é menos assustador, garanto.


Apesar da preocupação dos familiares em Portugal sobre o meu bem estar aqui devido às noticias, gostei de viver estes últimos três anos em Caracas. Aliás, quando olho para trás a minha vida desde os 19 anos, que saí da Madeira para ir estudar e viver em Lisboa tem sido um acumular de vivências em diferentes locais. Os meus filhos, por exemplo, fizeram os 12 anos de escolaridade obrigatória metade em Portugal e metade no estrangeiro. Daí nunca terem tido vontade de concorrer ao programa Erasmus. Salvo comissões de serviço curtas ou  indefinidas como foram as de Bruxelas, Cabo Verde e Guiné-Bissau, acompanhei sempre o meu marido. Talvez seja por isso, que nos nossos carros há sempre na matricula um "CD": "Ciganos Distintos"...

Caracas e as montanhas do Ávila . Vista dos belissimos jardins de Topotepuy


As belas montanhas do Ávila, que rodeiam a cidade e amenizam o clima, são de uma grande beleza.



Não regressámos, por opção, ao belo arquipélago de Los Roques, com medo de apanhar uma deceção, dada a degradação de algumas instalações hoteleiras neste país devido à falta de produtos. Mandámos fazer uma aguarela de uma fotografia, que tirámos durante a nossa primeira estada na Venezuela, de 2005 a 2008 ( com uma interrupção de 6 meses em Luanda)


Um país com grandes potencialidades para desenvolver o turismo junto à costa com areia fina e macia, tem de começar com limpezas profundas.



                                                              antes e depois


Desde a minha chegada, empenhei-me, com ajuda, é claro, a manter a casa, que é já muito antiga, bem cuidada e, no jardim, tentei melhorar o seu aspecto, vendo-me livre da maioria das ervas e plantas invasivas.

As pessoas são simpáticas e têm um espírito alegre (se assim não fosse não sei como aguentariam). Contudo, nos últimos tempos sinto uma tristeza com as noticias de mortes de tantos jovens. Além das habituais devido à violência, que é grande no país, juntam-se agora as de estudantes que se manifestam, porque querem ter um futuro melhor.
A inflação é outro problema ( quando cheguei um euro equivalia a 90 bolivares no mercado paralelo. Este mês vale mais que 9000...). O que gastamos no mercado numa semana, nunca é igual ao da semana seguinte. Já nem compro alguns produtos, como salmão, pois acho ultrajante que um quilo seja igual ao ordenado mínimo, aumentado há duas semanas.

Desejo a todos os meus sinceros votos de um futuro melhor e estou pronta a enfrentar novos desafios, nesta opção de vida de acompanhar o meu marido no estrangeiro, o que apesar de muitas vantagens, traz também muitas saudades.

Caracas 2008




Já fiz tantas mudanças... esta será apenas mais uma, com muito menos coisas do que em 2008, quando regressámos a Lisboa...







sexta-feira, 14 de julho de 2017

Dia Nacional de França





A parada anual comemorou o 100º aniversário da entrada da França na I Grande Guerra.





Este ano, o aniversário da tomada da Bastilha, em Paris, teve como convidado de honra o presidente americano Donald Trump.











O episódio de ontem, à entrada do Palácio dos Inválidos, tem feito correr muita tinta.








O presidente americano dirigiu-se à mulher do presidente francês e em conversa gravada em video disse-lhe: "You´re in such good shape" e, pior ainda, voltou-se para o próprio Presidente Emmanuel Macron e repetiu:" She´s in such good physical shape". Trump não aprende...como sabe que Brigitte Macron tem 64 anos e o marido 39, uma diferença de idades semelhante à sua (71) e à da sua mulher, que tem 47, achou que devia fazer um suposto "elogio"... E isto para ser suave nas criticas nem falo do aperto de mão...
Porque não deixam a senhora em paz? Se a diferença de idades fosse ao contrário, ou seja, ela mais nova 25 anos em relação ao marido já ninguém se referia ao assunto....

Aqui não houve destes incidentes. O Embaixador chegou há menos de um mês sózinho e convidados houve muitos... e como sempre a receção do dia nacional de França foi um sucesso em Caracas.




Com o embaixador romeno e a mulher










Com algumas amigas que ainda ficam cá.


Cerimónia de condecoração na embaixada de França

The 14th July 1789

Gibraltar e os Madeirenses



Por ocasião da II Guerra Mundial, entre 1940/45, a Madeira acolheu 2.500 pessoas provenientes de Gibraltar, uma pequena região peninsular, no extremo sul da península ibérica, com uma estreita fronteira terrestre a norte com a Espanha e à entrada do Mediterrâneo. O objetivo foi evacuar aquele "Rochedo" para que pudesse ser fortificado contra um ataque alemão. Muita população emigrou também para a Grã Bretanha e Jamaica (em 1942, havia mais de 30000 militares britânicos em Gibraltar).
No Parque de Santa Catarina, no Funchal, encontra-se, desde 2008, um monumento em homenagem aos gibraltinos. Ali constam os nomes de todos os refugiados, que morreram na Madeira, a maior parte vítima de uma epidemia de tifo. Este monumento foi oferecido pela Comunidade de Gibraltar e simboliza, também, a gratidão do Povo de Gibraltar pelo carinho com que foram recebidos pelos madeirenses naquele momento difícil.

Os gibraltinos, sobretudo mulheres e crianças, chegaram ao Funchal, entre 21 de Julho e 13 de Agosto de 1940  e foram acomodados em hotéis, pensões e casas particulares. Permaneceram na Madeira, até ao fim da II Guerra Mundial. Integraram-se bem e criaram laços de amizade com os madeirenses em geral. Durante a permanência destes na Ilha realizaram-se alguns casamentos entre gibraltinos e madeirenses, nasceram crianças e alguns  permaneceram lá até aos nossos dias.

Café Kit Kat no Funchal
A cidade encheu-se de uma nova dinâmica, de um maior movimento nas ruas, nos cafés e nos estabelecimentos comerciais, depois da chegada dos gibraltinos. As mulheres frequentavam os cafés sózinhas, o que não era comum naquela época no ambiente fechado da Madeira.
Outra coisa que causava controvérsia era o facto de muitas gibraltinas usarem calças, coisa que naquela altura pouquíssimas mulheres tinham a ousadia de vestir.
Ainda me recordo da minha mãe dizer que as mulheres usavam sandálias de salto alto, soltas no tornozelo e que ouvia-se o "chinelar" e o falar tipico e alto a alguma distância. Talvez a introdução desta moda num meio pacato, tenha feito que a minha mãe "abominasse" chinelos e achasse um sapato fechado sempre muito mais chique... e parece também que provocou choque na Madeira daquela época as cores garridas da roupa das gibraltinas, as quais, diga-se, foram no fundo uma lufada de ar fresco na rotina madeirense.

O paquete João Belo da CCN
A Aunt A contava que durante a guerra, numa viagem do Funchal a Lisboa, o paquete João Belo, onde viajava, foi desviado para Gibraltar. No romance biográfico "Os Ibis Vermelhos da Guiana" a escritora Helena Marques dá conta desse facto. Ancorado por uns dias em Gibraltar, sem poder enviar notícias aos familiares, sentiram o lançamento de bombas de profundidade, durante o dia, a  fim de evitar a aproximação de submarinos alemães e, à noite, viam aviões militares a sobrevoar Gibraltar (o facto de os navios serem interceptados por unidades navais aliadas ou inimigas era normal em situação de guerra. Este mesmo navio já tinha sido interceptado por um cruzador inglês, que aprisionou passageiros alemães a bordo)

"Horas depois do João Belo zarpar do Funchal, foi abordado por um contratorpedeiro britânico, que enviou a bordo um escaler com diversos oficiais...o mais recente boato que corria no salão era o de que o navio seria desviado para Gibraltar..." (Os Ibis Vermelhos da Guiana)



Ao longo dos anos o rochedo de Gibraltar tem mostrado o seu poderio a todos os que se aproximam por terra, mar ou ar, dada a sua importância estratégica. Já foi habitado por cartagineses, romanos, vândalos, muçulmanos e espanhóis. O brazão de Gibraltar consiste num triplo castelo com uma chave dourada, concedido em 1502 pelos Reis católicos "à mais leal cidade de Gibraltar". É também parte da sua bandeira.



O território foi cedido à Grã Bretanha pela Espanha no Tratado de Utrecht em 1713, como parte do pagamento da Guerra da Sucessão Espanhola.

A Espanha mantém a reivindicação sobre o Rochedo, o que foi totalmente rejeitado pela população gibraltina, no Referendo de 1967.

Em 1969, o General Franco fechou a fronteira, a qual foi reaberta em 1982 (só para peões) e, em 1985, também à circulação de veículos.


O Rei Felipe VI de Espanha está em visita oficial ao Reino Unido. No seu discurso em Westminster apelou a um novo acordo sobre o futuro de Gibraltar e pediu mais garantias para os direitos de cidadãos espanhóis a viver no Reino Unido, após o Brexit. Note-se que a única monarca inglesa a visitar Espanha foi a Rainha Isabel II, em 1988.

Recordo-me que o Rei Juan Carlos não foi ao casamento do Príncipe Carlos com Diana Spencer, em 1981, exatamente porque os noivos anunciaram uma passagem, durante a lua de mel, pelo disputado território de Gibraltar...

Referências:

http://www.cm-funchal.pt/index.php?option=com_content&view=article&id=210%3Agibraltar&catid=79%3Aacordos-de-geminacao&Itemid=247

https://www.gibraltar.gov.gi/new/

http://restosdecoleccao.blogspot.com/2011/04/paquete-joao-belo-e-ccn.html

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Arranjos florais venezuelanos


Os arranjos florais venezuelanos, pela sua exuberância, fazem lembrar-me os da Turquia. Este foi enviado por um casal amigo, que conhecemos desde a nossa primeira estadia em Caracas e vieram ontem a um almoço de despedida. Pode ser visto por dois lados. 







Estes arranjos caracterizam-se pela diversidade de flores e o seu grande tamanho.
Felizmente a entrada é ampla e a mesa grande. 


Aliás, a mesa é das peças de mobilia que mais gosto da casa. Chamo-a "mesa do Eça" pois faz-me lembrar a mesa da "casa de Tormes". Mesmo sem flores é muito bonita.


Recordando o passado, lembrei-me do arranjo, que me ofereceram em 2008, antes de partir para Portugal e que foi o local escolhido por uma jornalista para me fotografar.





O meu marido, a quem não escapa um pormenor, disse-me logo, (depois de ver as fotos no blog) que por coincidência ontem, na despedida, estava usando o mesmo colar...

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Cafés emblemáticos do mundo




No Funchal, o café mais emblemático é sem dúvida o Golden Gate.

O estabelecimento, situado no centro histórico do Funchal, perto da Sé, sofreu várias alterações ao longo do tempo e recebeu diferentes tipos de clientes, desde a abertura das portas em 1841. No início do século XX, quando o Funchal era um ponto de paragem para os navios, que cruzavam o Atlântico, era ali que paravam os turistas e uma elite de madeirenses também fazia ali o seu "escritório". “Aquele ângulo do Funchal era, entre as esquinas do Mundo, dos mais dobrados pelo espírito cosmopolita do século”, escreveu Ferreira de Castro. Daí o café ter passado a ser designado por "A Esquina do Mundo". Esse ambiente manteve-se durante anos na esplanada. Porém, o ambiente mudou nos anos 70 e 80 do século passado, quando o café perdeu a esplanada e se transformou no local de encontro dos estudantes do liceu, um sítio da moda, para ir estudar, tomar café e namorar, que eu frequentava e onde se discutia tudo e mais alguma coisa... Mais tarde, em meados dos anos 90, o Golden Gate voltou a fechar para reabrir com nova gestão e nova decoração, que tentava ser mais parecida à inicial.

Em 2014, voltou a fechar devido à insolvência da sociedade que o explorava. Foi assim que o encontrei lamentavelmente em 2015, com um ar abandonado. Contudo, em novembro de 2016, foi vendido, em hasta pública, por um valor de 4.748,056 euros a uma sociedade denominada ‘Gold Medal’, pertencente a um emigrante da Venezuela.



A semana passada reabriu ao público e segundo as fotografias, esmeraram-se na decoração.

Quando fui viver para Lisboa, em 1976, o café que frequentava e onde se encontravam muitos estudantes universitários era o Roma, agora transformado num McDonald´s...












No Porto temos um dos mais bonitos cafés que conheço, o Majestic. Contudo, a cidade que talvez tenha os mais bonitos cafés do mundo e onde é possível fazer um roteiro de cafés é, sem dúvida, Budapeste. Até fiz, há dois anos, um post especial Comer em Budapeste.





Lembro-me também que, há uns anos, fui ao café Tortoni na bela cidade de Buenos Aires e gostei muito.





O café de Tacuba no México, fundado em 1912, tem uma decoração típica, mas demasiado turístico não me impressionou tanto...




Falando com uma amiga sobre este meu post, disse-me que o café mais bonito que conhece é o café Cordina em La Valetta.






Mas será difícil bater o charme do Florian em Veneza, até pela sua situação geográfica. Foi o café mais caro que tomei na minha vida, mas valeu a pena...
E é claro, sempre temos Paris...


Em Viena não fui ao conhecido Café Central porque preferi ir provar a torta Sacher. Arrependi-me...





Não posso esquecer a simpatia como fomos recebidos no café do hotel Adlon em Berlim, apesar da decoração não ser nada de especial, o serviço é muito simpático.





Agora estou à procura de cafés em Bucareste. A Casa Capsa Restaurant é dos mais antigos, onde finalmente comi um Joffre...


sábado, 8 de julho de 2017

Quando é que nos tornamos velhas?

 A atriz Olivia de Havilland fez 101 anos a 1 de julho de 2017 


Olivia de Havilland ficou conhecida pelo seu desempenho no filme As Aventuras de Robin Hood, de 1938, em parceria com Errol Flynn e E Tudo o Vento Levou de 1939. Foi uma atriz muito premiada e recebeu 2 Óscares - melhor atriz. Vive em França desde 1950. Apesar da sua sua última atuação ter sido em 1988, continua ativa: em 30 de junho de 2017, entrou com uma ação judicial contra a série Feud, pelo uso indevido da sua imagem, invasão de privacidade, enriquecimento ilícito e danos morais. (Olivia de Havilland é interpretada por Catherine Zeta-Jones). Apesar da sua idade continua linda.


A minha amiga S. fez 95 anos em maio e continua muito jovem de espírito. Anda sempre impecavelmente vestida, ainda assiste a reuniões de negócios e joga bridge. Só tem algumas dificuldades motoras. Fiquei muito sensibilizada com o almoço que deu em sua casa para se despedir de mim, pois sei que não gosta de cozinhar e só muito raramente o faz.

Acho que se tivermos um objectivo na vida, seja ele brincar com os netos, viajar, estar com os amigos, ter um trabalho empolgante e não sofrermos de nenhuma dooença podemos manter um espirito jovem por muito mais tempo. Quando era criança as pessoas da minha idade actual vestiam-se de maneira mais pesada e a partir de certa idade já não se divertiam, porque, diziam, já não tinham idade para isso e se por azar eram viúvas usavam cores escuras por muito tempo ou até para sempre.
Uma das coisas que gostei de ver nos Estados Unidos foi o facto das pessoas não pararem de viver após a reforma; ao contrário, como que recomeçavam a vida, quando se reformavam. Tinha uma vizinha que começou a ter aulas de piano e a andar de bicicleta, porque antes não tinha tempo e lembro-me ainda de uma senhora de 80 anos andar no dentista a fazer um implante total ...

Não posso dizer que me sinto igual a 10 anos atrás. As quedas que dei aqui deixaram algumas sequelas e às vezes à noite ainda me dói um pouco o braço, quando estou deitada. Também ando muito mais devagar, pois não quero que aquele episódio da queda se repita.

 No entanto, passaram-se certas situações que me levaram a pensar já não ser jovem.



A primeira, foi ao pagar um presente e o homem da caixa perguntou se o cartão era para pagar só a minha compra ou também a do meu filho. È claro que não era filho nenhum a pessoa que estava ao meu lado. Tem uns bonitos cabelos brancos e 51 anos...

A segunda vez foi no dia da Madeira - um homem perguntou -me, ingenuamente, se quando eu era nova já existia fogo de artificio na Madeira, na passagem do ano. Fartei-me de rir e perguntei se me estava a chamar velha. Ficou muito embaraçado e então respondi lembrar-me sempre de haver fogo de artificio, desde criança.

A terceira vez foi há pouco tempo, quando veio a Caracas um político. Logo que me viu disse que eu parecia muito mais nova (tinha-o conhecido no ano anterior). Agradeci, o que supus ser um elogio, mas cá com os meus botôes pensei: ninguém fala da idade com aquele tipo de conversa, se não mostrarmos sinais da passagem do tempo...e depois, tratou-se de um comentário tonto de alguém que mal conhecemos...





Estes "elogios" fazem-me sempre lembrar um advogado americano, cujo escritório era no mesmo prédio, onde trabalhava o meu marido, pois um dia ao ver-me com a minha filha disse que parecíamos irmãs. Eu até achei graça, mas a minha filha mostrou depois um ar antipático e ao perguntar-lhe o que se passava, disse-me: "olha, ele não vê que está a ser indelicado comigo, pareço uma mulher com quase 50 anos?"









E julgo que a minha sogra tem toda a razão, ao dizer que culpamos o tempo, mais frio ou mais calor, quando nos queixamos de alguma maleita, para não nos referirmos à verdadeira razão de uma qualquer dor: a idade.








No fundo, no fundo o que importa é desfrutar seja qual for a etapa da vida em que nos encontramos, até porque mais velhos quer dizer que aprendemos mais e portanto devemos saber aproveitar melhor todos os momentos, não é?  




terça-feira, 4 de julho de 2017

Dia do Vinho 2017


O dia do Vinho é uma parceria entre a Associação de Municípios Portugueses do Vinho (AMPV) e a ViniPortugal. A comemoração serve para promover o vinho e o território vitivinícola português.

domingo, 2 de julho de 2017

O Futebol e a superstição do arroz doce



Antes de mais devo dizer que apesar de gostar muito de arroz doce, não tenho o "dom" para que acerte.
Os melhores arrozes que comi são os da D. Veva, uma ex-vizinha. Atualmente com mais de 90 anos, é perita em receitas tradicionais (como a sua receita de rissóis) e o arroz doce feito pela mãe do meu genro.

Bem, e  o futebol, o que tem a ver com isto?


No campeonato europeu de 2004, que decorreu em Portugal, eu estava com a minha  filha nos EUA, onde aliás vivíamos nessa altura. O meu marido tinha ido de visita a Portugal para fazer companhia ao meu filho, que estudava em Lisboa e eu fiquei a com a minha filha.




Ela pertencia à selecção de soccer da escola e o pai avisava que a melhor maneira de aprender futebol era vendo os jogos na televisão. E assim fazíamos... Acontece que nessa altura comprei um livro de cozinha com receitas, que os jogadores gostavam e decidimos começar com o arroz doce. Vimos os primeiros jogos que Portugal ganhou a comer arroz doce. Ainda me lembro do jogo, que ganhámos a Inglaterra e a cara do Beckam depois da derrota ou então aquela defesa do Ricardo, que até tirou as luvas. Daí o termos associado as vitórias de Portugal com o arroz doce...

Não sou uma pessoa supersticiosa (por exemplo nunca abro o chapéu de chuva 3 vezes de seguida para afastar o azar se por acaso se abre dentro de casa) e, no último jogo, contra a Grécia resolvemos não fazer arroz doce (também já estávamos um pouco fartas). No entanto, como ao intervalo estávamos a perder, fomos à pressa à cozinha fazer um arroz doce que ficou meio cru, mas não fomos a tempo e o resultado foi o que se sabe.

Neste campeonato na Rússia, quando perdemos contra o Chile ainda pensei "e se tivéssemos comido arroz doce? "

Achei incrível falhar 3 penaltis. Não se admite naquele nível de futebol. Para mim é como ver uma composição de inglês no ensino secundário e encontrar erros tontos como "I have 15 years old" ...imperdoável.

Contudo, não convém falar muito disso, porque no meu país somos um pouco bipolares ou somos os melhores do mundo, como se verificou recentemente com a vitória num festival de música ( que afinal terminou num "pum") ou então nunca fazemos nada certo...

Ultimamente tenho assistido na TV a muitos jogos de futebol. É divertido e já percebo um pouco mais. No passado só gostava de ver os golos do Fernando Couto, sobretudo pelo salto mortal que dava de seguida.

Depois passei por uma fase que detestava futebol (nesta época em que vivia nos EUA, o Mourinho era o treinador do Porto e os telejornais da RTPI começavam sempre com declarações suas muito arrogantes).

Agora sou uma fã incondicional do Real Madrid, onde joga o Ronaldo, como já fui do Manchester United. Mas hoje, que ele não jogou e ganhámos ao Mexico por 2-1 tenho de felicitar o homem do jogo, Rui Patricio.

Creio que este gosto veio depois de termos ganho à França no europeu de 2016, tinha eu acabado de chegar a Amsterdão, onde assisti à segunda parte do jogo pela TV... e não houve arroz doce..


Aqui vai a receita do livro...












sábado, 1 de julho de 2017

150 Anos da Abolição da Pena de Morte em Portugal



A Pena de Morte em Portugal foi abolida há 150 anos: a 1 de julho de 1867, pela Carta de Lei de D. Luís I, documento da Torre do Tombo com a Marca Europeia do Património, atribuída em 15 de abril de 2015.

Portugal foi o primeiro Estado soberano da Europa a abolir a pena de morte para os crimes civis.



A pena de morte foi abolida no nosso país sucessivamente para os crimes políticos, em 1852, para os crimes civis em 1867 e para todos os crimes, incluindo os militares, a 16 de março de 1911. Foi reposta para os crimes militares em 1917, devido à entrada de Portugal na Primeira Guerra Mundial. Só foi abolida para todos os crimes pela Constituição de 1976.


Esta data será assinalada pelas 16h, na Avenida D. Carlos I, defronte ao número 37, com a inauguração de uma lápide evocativa do final das execuções das penas capitais no antigo Cais do Tojo onde, em Lisboa, foi erguido o último patíbulo no ano de 1842.


O escritor francês Victor Hugo escreveu  em 1867:

 "J’aime et je glorifie votre beau et cher Portugal. Il est libre, donc il est grand.
Le Portugal vient d’abolir la peine de mort.
Accomplir ce progrès, c’est faire le grand pas de la civilisation.
Dès aujourd’hui le Portugal est à la tête de l’Europe.
Vous n’avez pas cessez d’être, vous Portugais, des navigateurs intrépides. Vous allez en avant, autrefois dans l’océan, aujourd’hui dans la vérité. Proclamer des principes, c’est plus beau encore que de découvrir des mondes
Je crie : Gloire au Portugal, et à vous : Bonheur !"


Realmente Portugal foi pioneiro no que respeita à abolição da pena de morte, A pena capital viola o direito à vida, consagrado na Declaração Universal dos Direitos Humanos, não sendo compatível com a dignidade humana, apesar de ainda estar vigente em muitos países.

Referências:
https://www.ancara.embaixadaportugal.mne.pt/pt/a-embaixada/noticias/502-150-aniversario-da-abolicao-da-pena-de-morte-em-portugal

https://www.facebook.com/camaradelisboa/?hc_ref=PAGES_TIMELINE&fref=nf