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terça-feira, 8 de setembro de 2020

Morreu Vicente Jorge Silva aos 74 anos

Vicente Jorge Silva (1945-2020)
Vicente Jorge Silva nasceu no Funchal, oriundo de uma família de fotógrafos. O bisavô foi o fundador do Atelier Vicente fotógrafos, hoje em dia Museu de Fotografia da Madeira. 

Será talvez este ambiente onde morava, ao lado de máquinas e cenários, que lhe despertou o interesse pelo cinema. 
Começou por fazer crítica cinematográfica e, mais tarde, aventurou-se como realizador de cinema, porém foi através do jornalismo, que se tornou conhecido e jornalista de referência. Começou no Comércio do Funchal, o chamado "jornal cor-de-rosa", (devido à cor do papel) um dos jornais que mais criticou o regime de Salazar, que Vicente Jorge Silva deu os primeiros passos no mundo das notícias. Após o 25 de abril o jornal acabou por se extinguir, já depois de deixar a Madeira para trabalhar no O Expresso. Enquanto chefe de redação e diretor adjunto foi responsável pelo lançamento da revista daquele semanário.

Mais tarde foi co-fundador do jornal "O Público".

Foi uma das pessoas da minha terra que triunfou em Lisboa, que respeitava e admirava pelo seu desassombro e, na minha infância, convivi com as suas irmãs.

Numa entrevista que deu em 1997, Isabel Lucas perguntou-lhe como imaginava os seus últimos dias. “Numa cabana à beira-mar”, respondeu. “Imagino-me a escrever nos últimos dias e a morrer durante a noite, calmo. Imagino a minha mulher e os meus filhos. O Miguel, o Vicente e a Laura. Ouço o mar ao fundo. Como se fosse um filme.”

Morreu na última madrugada...


https://www.publico.pt/2020/09/08/sociedade/noticia/morreu-vicente-jorge-silva-19452020-jornalista-exigente-fez-historia-jornalismo-1930750

Expresso, 12 setembro 2020


Varna e Cabo Kaliakra




Antes de regressarmos a Bucareste na viagem ao Delta do Danúbio e a Balchik fomos a Varna, a terceira cidade da Bulgária e a mais cosmopolita da costa do Mar Negro.









A Catedral (século XIX) estava em obras. Demos a volta para encontrar a porta de entrada, mas estavam a celebrar missa.












O centro histórico, com uma rua só para peões e edificios recuperados fez-me lembrar Brasov, na Transilvânia.






O teatro é muito bonito.


















Passei o tempo a ler os nomes em cirílico...







" Olha! Sabes o que é?" dizia eu...

Um notário....








O Cabo Kaliakra é o mais longo da costa búlgara do Mar Negro, com 2 km de comprimento



















Foi um fim de semana muito bem passado. 


segunda-feira, 7 de setembro de 2020

Balchik


 Petar Petrov


Depois de visitar o museu Storck  em Bucareste com algumas pinturas de Balchik, onde a família Storck tinha a sua casa de verão, fiquei com vontade de conhecer essa localidade, que já foi romena, porém, hoje em dia, é búlgara.



A mansão Storck é mais antiga do que o palácio da Rainha. Está à venda, mas precisa de muitas obras.



















A rainha Maria da Roménia encantou-se com o recanto paradisiaco, onde construiu a sua casa de verão de Balchik, em 1924, entre as rochas brancas e o mar, a que chamou "Ninho de Paz", com as suas árvores centenárias, as flores silvestres, os riachos e os pássaros. 


Balchik é uma simpática estância balnear no Mar Negro, com um paredão, onde se pode caminhar a pé ao longo da costa, passando pelos hotéis, marina e pequenas praias. Não resisti a sentir a temperatura da água, que era bem agradável.

A principal atração desta vila búlgara é a casa de verão da rainha, que chamam "palácio". No entanto, o mais impressionante  não é a casa em si, apesar da sua arquitetura algo exótica com um minarete, mas sim os belos jardins e a vista sobre o Mar Negro. Quanto à pouca decoração do interior, acho que o Castelo Pelișor em estilo arte nova teria mais a ver com a  Rainha Maria. 

A visita começa pelos bonitos jardins na parte mais alta da propriedade e vamos descendo em direção à casa principal.





Viyara Vasileva






Fruta búlgara...a fama vem de longe


Assim que entrámos na Bulgária e começámos a ver publicidade à produção agrícola, lembrei-me de uma história contada pelo meu marido, quando andávamos no 2º ano da faculdade, já nos longínquos finais dos anos setenta do século passado. No intervalo, depois de assistir à apresentação de um trabalho de Economia Politica louvando a economia planificada búlgara da época, contou-me que as colegas, todas de um conhecido partido político português, mostraram imagens com umas coradas e fortes moças "bem constituídas" a segurar em ambas as mãos tomates e que não conseguiu conter o riso, assim como um colega seu... talvez esta "jovem" da direita seja uma dessas...já lá vão 40 anos... 




Independentemente dessa recordação posso confirmar, que os mesmos frutos não perderam qualidade como se pode ver por estas fotografias tiradas no último fim-de-semana.

O melhor tomate que alguma vez comi foi na Turquia, mas parece que há outros países que competem com o seu sabor. Quando temos esta conversa em família, o meu filho é um defensor do tomate do Uzbequistão...

A Roménia também produz muito tomate e as pessoas ligadas ao campo compram grandes quantidades nesta altura para fazer uma conserva que dura todo o ano, ou então para sumo...o afamado Bloody Mary, quando misturado com vodka.

Só conhecia Veliko Tarnovo e Arbanassi na Bulgária, mas gostei muito de visitar Balchik e Varna, no Mar Negro, de onde regressei ontem, depois da viagem ao delta do Danúbio.


Feliz regresso à escola


 Desde o confinamento, em março, que a minha neta não vai à escola. Feliz regresso!!



O primeiro dia de escola da minha neta (5 setembro 2019)

quinta-feira, 3 de setembro de 2020

No Delta do Danúbio







O Rio Danúbio é o segundo rio mais longo da Europa com cerca de 2 800 km de extensão, desde a nascente na Floresta Negra (Alemanha) até desaguar no Mar Negro, formando um enorme delta na Roménia.







Toda a região do delta do Danúbio é área natural protegida na Roménia, classificada como Património Mundial pela Unesco, desde 1991.


                  A mostrar o percurso que percorremos de barco.



Fizemos uma viagem de carro de cerca de 4 horas de Bucareste até Dunavatu de Jos, a última localidade da região, a que se pode chegar por estrada. Passámos por Constança, sem aí entrar, em direção a Tulcea, a maior cidade no delta e um ponto de acesso a toda a região. Aqui o rio Danúbio divide-se em três canais: Chilia (junto à fronteira com a Ucrânia), Sulina e Sfantu Gheorghe, criando uma grande área de pântanos, com vegetação muitas vezes cerrada em ilhas flutuantes e bancos de areia, onde habitam 300 espécies de pássaros e 160 espécies de peixes.
O delta é um paraíso para os amantes da natureza e pescadores.


Ficámos instalados numa pensão à beira do Danúbio, onde comemos à chegada uma típica sopa de peixe e esturjão grelhado (pena não trazer as ovas).  No dia seguinte vieram buscar-nos para uma viagem de exploração do delta até Sulina.
Eramos só três passageiros: o meu marido, eu, o Dumitru (o nosso guia por terra) e o "marinheiro", a quem alugámos o barco e se mostrou muito competente a pilotar ora no percurso natural do Danúbio, nos lagos (o maior com 5 km de diâmetro) ora nos pequenos e até micro canais, até chegarmos a Sulina, o porto fronteira com o mar Negro.







 



No inicio da viagem só pensava como o meu neto Charlie ou a minha neta Beatriz (os mais velhos) deviam adorar aquele passeio, o qual pelo estilo de barco lembrava o passeio pelo Danúbio junto à Sérvia, em 2018, ou o passeio à Laguna da Restinga na Ilha Margarita, em 2005. Todavia e devido à extensão desta viagem, pois saímos às 9h da manhã e só regressámos depois das 16h com um intervalo de 1h em Sulina, logo percebi que não era para crianças pequenas. De qualquer modo o avô já reservou uma viagem para toda a família no próximo ano, em navio "com âncora"*

Visitei em 2015 o Delta do Orinoco, na Venezuela, onde até nadei em águas que podiam ter piranhas e em 2018 o delta do Nilo, no Egito, mas são experiências diferentes.


*Infelizmente esse cruzeiro foi cancelado devido à epidemia de Covid.