Quando Marrocos se tornou independente, em 1956, Mohammed V, o avô de Mohammed VI, o rei atual, optou por permanecer na capital escolhida pelo protetorado francês em 1912, mas ao longo da sua história Marrocos teve três outras capitais: Fez, Marraquexe e Meknes. geralmente chamadas de “Cidades Imperiais”.
Nós entrámos em Rabat por Salé, a cidade vizinha, separada da capital por um rio.
Passámos por uma enorme propriedade privada em Salé, com guarda marroquina nas suas diversas portas e o guia informou-nos que é o local onde habitualmente vive o monarca. Da camioneta só se vê arvoredo.
Rabat, a segunda maior cidade de Marrocos, depois de Casablanca é o centro governamental e administrativo e uma mistura entre tradição e modernidade.
A Torre Mohammed VI, com 250 metros de altura e 55 andares é o prédio mais alto de Marrocos e o terceiro mais alto de África, destacando-se na linha do horizonte tanto de Rabat como da sua cidade irmã, Salé. O projeto conta com a assinatura do arquiteto espanhol Rafael de La-Hoz, em colaboração com o arquiteto marroquino Hakim Benjelloun, depois de quase oito anos de construção. Enquadra-se no desenvolvimento estratégico do vale do rio Bouregreg, entre Rabat e Salé, numa zona próxima da sua foz no Atlântico.
Inaugurada em abril deste ano tornou-se o novo ícone da modernidade marroquina. Inclui apartamentos de luxo, os mais caros por metro quadrado de Marrocos, escritórios, restaurantes e um hotel da luxuosa cadeia Waldorf Astoria.
Outro edifício moderno é o Teatro Real de Rabat, um dos últimos projetos da arquiteta Zaha Hadid, antes da sua morte em 2016. Foi inaugurado em 2024, mas só abriu ao público em abril de 2026.
Interessante...um foguetão e uma nave espacial a animar a contemporânea arquitetura de Rabat.
No entanto a primeira visita que fizemos foi ao Palácio Real. O guia não parava de dizer que ia rezar para que estivesse aberto e tanto falou no assunto, que pensei até, ironicamente, que o rei nos ia oferecer um chá;. e o meu marido comentou para mim o melhor é fazer-se um telefonema para se saber se haveria de facto a possibilidade de se visitar aquela residência principal do monarca marroquino.
Construído no século XIX o palácio está rodeado de uma muralha defensiva e revela-se um complexo urbano, incluindo uma cidade do governo, com ruas amplas, jardins, edifícios ministeriais e uma mesquita. Não se sente em nada a azáfama da capital. Possui uma grande entrada principal, que dá acesso ao pátio central, de onde podemos apreciar de longe o tal Palácio, que nunca está aberto ao público. Foi uma deceção, ou seja, a montanha pariu um rato e eu disse isso mesmo ao guia, quando ele me perguntou o que achava. Na Europa os palácios reais na maioria dos dias estão abertos ao público, mediante a compra de um ingresso.
O anexo onde o Rei recebe os Embaixadores para apresentação de credenciais
Curioso, ao chegarmos ao hotel o meu marido ligou a televisão e estavam a dar imagens da apresentação de credenciais ao Rei. Foram muitos Embaixadores em conjunto, entre eles o Embaixador de Portugal.
Os funcionários do Palácio estão todos vestidos de fatos tradicionais brancos e babuchas amarelas. Em Portugal usa-se fraque.
Foi da Torre de Hassan que Mohammed V conduziu as primeiras orações de sexta-feira, após a declaração da independência.
Mausoléu de Mohammed V
Este majestoso edifício construído em mármore italiano em memória do pai da independência foi erguido pelo seu filho, Hassan II, pai do atual rei, Mohammed VI.
Junto encontra-se uma mesquita, que só pode ser visitada por muçulmanos e um museu dedicado à história da dinastia alauita, que reina em Marrocos desde o século XVII.
Foi em Rabat que recebi a triste notícia do falecimento da minha amiga Sada. Quando me despedi dela em Caracas, em 2017, sabia que não a ia ver mais, pois já tinha 95 anos. Ela e a minha amiga japonesa Hiroko fizeram o seu melhor para me ensinar a jogar bridge.
A Sada era uma americana de origem arménia, que vivia em Nova Iorque e era jornalista da Time. Conheceu o seu marido, um homem de negócios de origem arménia a viver na Venezuela e numa semana resolveram casar. Era o ano do final da II Guerra Mundial. Na Venezuela, para onde foi viver criou uma Associação de ajuda a mulheres de fracos rendimentos para prosseguirem os seus estudos. Na residência da Embaixada teve lugar uma passagem de modelos organizada pela sua Associação.
A Sada era vaidosa e foi comigo algumas vezes à estilista, que me fez uns poucos vestidos, alguns com tecidos que a Sada insistiu em oferecer-me. Foi uma noticia triste, mas ela já tinha 104 anos e desde o ano passado o seu estado de saúde agravara-se. Escrevi-lhe a 31 de maio, pelo seu aniversário, mas já não me respondeu.
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