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sábado, 31 de julho de 2021

Tartaruga Esterházy de Fertőd (Hungria)

 Para a CASA DA TARTARUGA


Saudades das férias antes dos confinamentos...

O palácio Esterházy em Fertőd, Hungria




O Palácio Esterházy em Fertöd na Hungria, chamado por vezes de "Versailles húngaro", é um grandioso palácio, o maior monumento rocócó daquele país, construído pelo príncipe Nikolaus Esterházy (1714-1790).
Na semana passada visitámos outro palácio daquela família em Eisenstadt, Áustria. É interessante que pelo caminho que seguimos ao sairmos da Eslováquia, em direção à Hungria, entrámos na Áustria e voltámos novamente à Hungria. Constata-se, com frequência, o aparecimento de sinalização na estrada com a direção de Viena e Budapeste, dando-nos conta que vivemos neste país bem central com fronteira com aqueles dois países e tão próximo das suas capitais - dessa forma o passado e o antigo Império Habsburgo vem sempre à memória. ( A República Checa, a Ucrânia e a Polónia também têm fronteiras com a Eslováquia).



O príncípe Nicolau estava habituado a passar muito tempo livre num pavilhão de caça  no mesmo local, o qual seria o núcleo em volta do qual o palácio foi construído. Em 1766, começou a ser habitado, mas os trabalhos continuaram por mais alguns anos.





A fonte situada em frente do palácio só foi terminada em 1784, simbolizando o momento em que a construção do palácio foi terminada.



 









O palácio tem 126 salas, mas só podemos visitar 6, quase todas na ala central, devido aos trabalhos de renovação em curso. 









A época de ouro do palácio terminou com a morte do príncipe Nicolau em 1790. A família abandonou-o para ir viver em Eisenstadt e Viena. Só um século mais tarde é que um herdeiro voltou a mostrar interesse pelo Versailles húngaro, voltando a habitá-lo com a família e essa decisão obrigou-o a muitos trabalhos de renovação.


E de Esterházy pintado no tecto da casa de jantar de verão



O chão é em bonito mármore de Carrara. Por baixo havia aquecimento instalado no século XIX, quando o palácio sofreu uma grande renovação.


Sala de Concertos no primeiro andar. No tempo do príncipe Nicolau este palácio era o maior centro cultural do país. A orquestra era dirigida pelo próprio Haydn, que estreou aqui muitas das suas obras. As janelas são em forma de violinos.







A primitiva capela era dedicada a Santo António












A última sala que visitamos é uma pequena exposição de mobiliário, alguns retratos de membros da família Esterházy e uma amostra de porcelana oriental, da Áustria (Augarten), Alemanha (Meissen) e Hungria (Herend). É proibido tirar fotografias.
 


À conversa com Joseph Haydn nos jardins do palácio


As circunstâncias em que foi composta a Sinfonia n.º 45 dita “do Adeus” de Haydn são bem conhecidas, uma vez que foram relatadas pelo próprio compositor aos seus biógrafos, ainda que muitos anos depois do sucedido. Em 1772, o Príncipe Nikolaus Esterházy, patrono do compositor, decidiu prolongar a estadia no seu palácio favorito de veraneio, Esterházy, na Hungria rural. Esta situação não agradou aos músicos que haviam deixado as suas famílias em Eisenstadt, a residência mais perto da corte, tendo pedido a Haydn que intercedesse por eles junto do príncipe.



O Mestre de Capela terá então composto o célebre final em que os músicos gradualmente apagam a vela da sua estante e se retiram, até só restarem dois violinos em palco, que terminam o andamento em surdina. A mensagem terá sido tão perceptível, que no dia seguinte toda a corte do príncipe regressou a Eisenstadt.





Depois da II Guerra Mundial o exército soviético estabeleceu um hospital militar no palácio e muitas decorações ficaram destruídas.




Este graffiti numa parede feito por um soldado russo é dessa época.

Mais tarde o palácio foi nacionalizado. Presentemente pertence a uma fundação dos monumentos nacionais húngaros.








É de lamentar que não haja explicação nas salas sobre o que está exposto. A visita tem de ser feita em grupo e a guia só fala em húngaro para os visitantes (felizmente, foi simpática e deu-nos breves explicações em inglês, nos intervalos das suas exposições, depois  de perguntar se eu tinha dúvidas, que ela respondia, retorqui como poderia ter dúvidas se não tinha percebido nada do que dissera...tratou-se de um curso intensivo e compulsivo de húngaro - não se percebe, é um país da UE, mas pelos vistos não gosta ou não faz por receber turistas estrangeiros, pois a obrigatoriedade de ao visitar-se um monumento ter que seguir um guia, que só dá explicações na língua nacional recordam outros tempos e regimes...até parecia que a guia estava proibida de falar "estrangeiro"). 
Outra coisa que me espantou foi não haver uma loja, nem catálogo, apenas duas folhas plastificadas em língua inglesa, que no final temos que devolver. Não se pode comprar um livro que seja, nada. Parece os museus em Portugal há 20 anos... Têm um palácio daquela grandeza e não sabem aproveitar... O da Áustria não é assim. Apesar dos melhores livros só serem em alemão, comprámos umas pequenas brochuras em inglês.


Encontrei este video, onde é possível ver algumas salas fechadas agora ao público:



Admirei-me por não se ver ninguém com máscara nem fora nem dentro do palácio. "Tudo ao molho e fé em Deus".


Há coincidências... 
Diz-se que o palácio em Fertőd, é o Versailles húngaro...
O meu marido ao chegar a casa arrumou a mochila, tirou tudo o que lá estava e encontrou a planta de Versailles de 2019 (em português) e do Trianon (em inglês) da nossa última viagem ao estrangeiro, antes da pandemia (estas viagens aqui à volta não contam)...


Curiosidade: O pavilhão Bagatela



A Imperatriz Maria Theresa visitou o palácio de  Fertőd em 1773, para assistir à opera. O novo palácio brilhou: os jardins estavam iluminados com 24 000 lanternas chinesas fixadas nas árvores, houve um baile de máscaras no Salão Oriental e até os músicos tinham traje chinês, mas parece ter sido o espetáculo de fogo de artificio o ponto alto: a rainha tocou num botão e surgiram  lá no alto as letras V M T (Vivat Maria Theresa).
Foi construído um pavilhão chinês de diversão e diz-se que quando a rainha o visitou, perguntou quanto teria custado tudo aquilo, ao que lhe responderam : "Ah, uma bagatela", nome pelo qual ficou conhecido o tal pavilhão (Bagatelle, em alemão)

Nota: Este post tem 2 vídeos. Para os ver no telemóvel tem de usar a opção "VER VERSÃO da WEB"

sexta-feira, 30 de julho de 2021

O Carocha

 

Foi num carro como este, um Carocha vermelho escuro, que tive algumas lições de condução e fiz o exame para tirar a carta de condução, quando vivia na Madeira (no Fiat da minha irmã tive muitas aulas com ela). Era um carro antigo, sem direção assistida e era necessário um grande esforço com o volante para fazer uma curva apertada e ainda pior para estacionar.

Museu do Vaticano. Janeiro 2022
Dresden. Julho 2022

Nunca tive um Carocha ou Beetle, como se chamava, mas todos os meus carros têm sido vermelhos, desde o primeiro Mini, depois um Renault, VW Golf, Honda Civic, um Jeep da Chrysler e um Honda Jazz.

Foi o meu cunhado que me arranjou o Mini, o qual apesar de ser em segunda mão estava em boas condições. Como não havia cartões para pagamentos, lembro-me de ter levado o dinheiro numa bolsinha para pagar ao proprietário. Histórias que os meus netos dificilmente compreenderão daqui a uns anos... Grandes aventuras para o trabalho com ele. Um dia não pegava e vim a casa pedir ao meu marido que fosse ajudar a empurrá-lo. Com a ajuda de alguns padeiros, parti, ainda noite cerrada para a viagem diária de 2h até o Bombarral...

Tive o Renault pouco tempo, porque entretanto fui viver para a Turquia. A minha vizinha arranjou-me logo compradora, uma professora com pouco dinheiro e por isso fui baixando o preço...(nunca tive aptidão para os negócios).

O meu único VW, um Golf, muito bonito foi uma má compra. O vendedor era simpático e quando veio entregar-me o carro a casa viu uma fotografia do meu marido e perguntou-me se não frequentara o colégio S. João de Brito, pois lembrava-se daquele guarda-redes...Ainda novo o carro começou a ter problemas elétricos: na garagem não acreditavam no que eu dizia e só quando autorizei o mecânico a levar o carro para casa e ele ficou a meio caminho, é que percebeu o que era, mas entretanto as contas eram insustentáveis, porque iam mudando peças para descobrirem qual era a avaria...

Quando vinha a Portugal de férias conduzia um carro suplente da minha irmã e cunhado, uma "banheira"  Vauxhall com um só banco corrido à frente e mudanças no volante (esse era branco).

O Honda Civic foi um grande carro (apesar de não ser muito bonito). Tencionavamos comprar um Ford, mas fomos tão mal atendidos no stand, que saímos da loja e fomos procurar o  da Honda, do qual também tinhamos boas referências. Esse carro ficou para o meu filho, que fez toda a Faculdade com ele e até deixou o motor gripar, porque pensava que não era necessário pôr água, só gasolina... Tive pena em vendê-lo, mas cada vez é mais dificil estacionar onde moro: as garagens foram feitas para um só carro e numa família há quase sempre dois ou três...


Entreguei-o por uma bagatela na compra do SUV da Honda (também vermelho), quando o meu neto Charlie veio viver para Portugal e precisava de um carro para os pais o transportarem...


A conduzir em Boston (MA)

Nos EUA tive um Jeep. Apesar de ter  sido o meu único carro automático, gostava de conduzi-lo no dia  a dia. Tive de vendê-lo, porque era impossível mantê-lo em Portugal devido ao  grande consumo de gasolina (nos EUA, a gasolina é das mais baratas que conheci, sem falar da Venezuela). Confesso que tive pena em entregá-lo... Os carros desvalorizam muito nos EUA e ficou combinado que deixaria a chave na receção do hotel onde me instalei, quando a casa onde vivia foi esvaziada. O dinheiro que recebi por ele nem deu para pagar os 10 dias de hotel... Nem olhei para trás quando parti para o aeroporto...

Toda esta conversa sobre carros vem a propósito de quê?

No dia 30 de julho de 2003 o Carocha foi descontinuado (no México), 65 anos após o seu lançamento. Pena, era um carro bonito e robusto

PS: O comentário do meu cunhado para o WA - ""Gostei" daquela do mini estar em bom estado. 😀 Rapariga, aquele foi o pior carro que alguma vez tiveste... O Vauxhall tinha 2 bancos à frente e bem separados, deves ter feito confusão com o Opel do tio Luís. Beijinhos"

quinta-feira, 29 de julho de 2021

Aos 35 anos...

O meu genro faz hoje 35 anos e está todo orgulhoso com a prenda da filha mais velha.

Lembro-me, quando festejei o meu aniversário com a mesma idade, vivia em Ancara  na Turquia,  e resolvi fazer algo para mim muito radical: experimentar patinagem no gelo, mas não gostei. Mais tarde foi a tentativa de fazer ski, em Vermont (USA), outra experiência mal sucedida. Não sou dada a desporto e aos de inverno ainda menos...



Parabéns e descansem nesse ar saudável do Minho

 

quarta-feira, 28 de julho de 2021

Milan Zverka- pintor eslovaco


 Natureza morta 1930-40

Sou muito picuinhas com naturezas mortas, mas gostei desta.

28 julho: Dia da Conservação da Natureza


E que tal, se em vez de muitas conferências, projetos para plantar árvores, etc, começássemos a tratar melhor o ambiente à nossa volta, não deixando lixo ou reciclagem fora do recipiente e quem vai passear o cão se lembrasse que as ruas são de todos e não o WC dos seus animais?



E já agora, que os jardins públicos, não fossem só tratados no ano de eleições.
Sou munícipe de Oeiras e embora reconheça que muita coisa está a ser feita, ainda falta muito para fazer.


A New Yorker cartoon


 

segunda-feira, 26 de julho de 2021

27 julho- S. Francisco Xavier chega ao Japão

Peter Paul Rubens (1577-1640)  Os milagres de S. Francisco de Xavier (c. 1617)

Peter Paul Rubens (1577-1640)  Os milagres de S. Inácio de Loyola (c. 1617)


Estas duas pinturas monumentais de Rubens eram expostas alternadamente no altar da Igreja dos Jesuítas em Antuérpia, onde o próprio pintor fora responsável pela decoração interior.

São Francisco Xavier (1506-1552) foi um missionário católico, cofundador da Companhia de Jesus. Exerceu a sua atividade missionária no Oriente, especialmente na Índia e no Japão, seguindo a rota dos portugueses. Foi beatificado, com o nome Francisco de Xavier pelo Papa Paulo V, em 25 de outubro de 1619 e canonizado pelo Papa Gregório XV, em 12 de março de 1622, em simultâneo com Santo Inácio de Loyola.

Alcançou o Japão em 27 de julho de 1549, mas só a 15 de agosto conseguiu a autorização para aportar, na ilha de Kiushu. Teve ali forte impacto, tendo sido o primeiro jesuíta a chegar ao arquipélago nipónico.


O simbolismo das flores dos atletas premiados

 


Todos os atletas premiados nos Jogos Olímpicos de Tóquio recebem um ramo de flores carregado de simbolismo: eustomas verdes de Fukushima, girassóis de Miyagi e gentianas de Iwate. Representam o erguer do Japão, depois do tsunami e dos terramotos devastadores de 2011, que fizeram mais de 20.000 vitimas mortais.

Os organizadores dos Jogos Olímpicos referiram que Fukuyama recuperou através  da plantação de eustomas; em Miyagi, os pais das crianças mortas plantaram muitos girassóis em memória dos filhos nas suas encostas, que ficam todos os anos cobertas de amarelo. Quanto às flores azuis de Iwate, ao contrário das verdes e amarelas, as gentianas crescem naquela localidade, desde os anos 60.

Os bouquets de flores também têm uma pequena figura da mascote dos Jogos. Chama-se Miraitowa, a combinação de duas palavras japonesas: mirai, que significa futuro e towa, eternidade.


Feliz Dia dos Avós: 26 julho








Trabalho do meu neto Charlie
 


sábado, 24 de julho de 2021

O palácio Esterházy em Eisenstadt, Áustria

 

A visita ao palácio dá acesso aos apartamentos dos príncipes, a uma exposição sobre a última herdeira Estérházy, Melinda Ottrubay, "Haydn Explosive" e a cave de vinhos. Só as visitas guiadas permitem ir à capela.



Árvore da família Esterházy



Alguns príncipes da Casa Esterházy

A família nobre húngara Esterházy tem as suas origens na Idade Média, mas foi a sua lealdade à dinastia de Habsburgo desde o século XVII, com laços de proximidade mantidos ao longo dos séculos, que explica o seu poder e consequente influência. Desde a distinção como paladinos do Rei da Hungria até à honra do título de "príncipes", muitos membros desta família distinguiram-se nas guerras contra os Otomanos e perderam a vida em batalhas, sendo depois reconhecidos pelos seus serviços à coroa imperial.
A última herdeira, Melinda (1920-2014), uma bailarina de sucesso na ópera de Budapeste casou em 1946 com Paul Esterházy V e não teve filhos. Na exposição a ela dedicada percorremos os diferentes passos  da  vida desta mulher extraordinária, como se estivesse num palco, com diferentes actos, alguns bem dramáticos, quando o marido foi preso pelo regime comunista, a fuga para a Suiça e a sua luta para manter viva a herança cultural e as propriedades da família, através da criação de fundações sustentadas por diversas atividades.

Algumas jóias da sua coleção

Salão Haydn



A família Esterházy foi uma importante patrocinadora das artes e, em especial, música. Haydn trabalhou durante 40 anos para a família, dirigindo cerca de 1000 atuações, compôs óperas, sinfonias e missas e é reconhecido como o exímio compositor do quarteto de cordas.  

Retrato de Haydn na exposição a ele dedicada






A Imperatriz Maria Teresa mesmo com uma idade avançada, em que se tornava cansativo viajar, continuava a assistir à ópera em Eisenstadt.









O rei Jorge IV de Inglaterra conheceu Haydn, quando ainda era Príncipe de Gales e admirava-o muito. Um dia sentou-se ao lado de Haydn e tocou violoncelo com ele. O compositor deixou registado no seu diário, que o futuro rei tocara muito bem.
 















O príncipe Nicolau Esterházy (1714-1790) chamado o Magnânimo foi quem empregou Joseph Haydn (1732-1809) como mestre de capela (diretor de música). O príncipe gostava muito de tocar baryton, um instrumento que caiu em desuso e Haydn compôs 126 baryton trios e outras músicas para aquele instrumento.









CD:  Maddalena (del Gobbo) and the Prince (Deusche Grammaphon)


Pintura, porcelana, prata, mobiliário e instrumentos musicais expostos dão a ideia de como era a vida faustosa no palácio e as suas lendárias festas, frequentadas pela corte.



Mesa veneziana com vidro incrustado séc XVIII


A antiga sala de jantar está transformada numa sala de concertos.  Regressámos a Bratislava para almoçar e os vinhos, que comprámos na loja, já estavam frescos para o jantar.


                                                                               Saúde!
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