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quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Recordar a História



Hoje, dia 1 de dezembro, é uma data muito importante na já longa história de Portugal.

Quando aprendi a História de Portugal, na escola primária, o período que corresponde à dinastia Filipina, de 1580 a 1640, era considerada uma época de subjugação ao domínio espanhol e parece ter dado origem a alguns ditados como “de Espanha nem bons ventos nem bons casamentos”. Nos últimos anos, verifica-se algum branqueamento desse período e com Portugal e Espanha na UE, os “nuestros hermanos” são cada vez mais vistos como parte da “família”.

Filipe II de Espanha tornou-se Rei de Portugal como Filipe I, porque D. Sebastião morreu sem deixar descendência, era neto do nosso rei D. Manuel I e tinha a armada e o exército mais poderosos da Europa a apoiar as suas reivindicações. Em 1580, os portugueses estavam muito enfraquecidos devido ao desastre de Alcácer-Quibir, divididos e D. António I, conhecido como o Prior do Crato, foi incapaz de fazer frente ao exército espanhol comandado pelo experiente Duque de Alba na batalha de Alcântara.

Sabemos quem foram os reis Espanhóis Filipe II, Filipe III e Filipe IV ( Filipe I, Filipe II e Filipe III de Portugal) - publiquei o post 1 de dezembro de 1640.


Recentemente o atual Rei, Filipe VI, iniciou uma visita de Estado a Portugal.

Quem foram então os outros dois Filipes? Filipe I e Filipe V? Hoje estive a recordar…





Filipe I (1487-1506), o Belo, casou-se com a Infanta Joana de Castela (Joana, a Louca), filha dos Reis Católicos (Fernando II de Aragão e Isabel I de Castela).


Joana herdou o trono de Castela, após a morte da sua mãe. Contudo, devido à sua instabilidade mental, a regência foi entregue ao marido e dessa maneira tornou-se o primeiro membro da Casa de Habsburgo a ser rei de Castela.




Do casamento de Joana de Castela e Filipe I nasceram seis filhos:

- Leonor da Áustria foi a primogénita. Casou com o rei D. Manuel I de Portugal. Leonor fora prometida desde cedo ao príncipe herdeiro de Portugal, o futuro D. João III. Porém, o rei D. Manuel I, que enviuvara, decidiu casar com ela de forma a tentar uma segunda vez tornar-se rei de toda a Península Ibérica. Quando Leonor enviuvou foi para Xabregas, onde se situa o Mosteiro da Madre de Deus (ou Mosteiro de Xabregas), onde se dedicou a uma vida conventual: ouvia missa diariamente, vivia com austeridade e ajudava os pobres. O seu irmão, o Imperador Carlos V, decidiu casá-la com Francisco I de Valois, Rei de França. Voltou a enviuvar em 1547 e regressou depois a Espanha. 

Carlos, Imperador do Sacro Império Romano-Germânico, como Carlos V e Rei de Espanha como Carlos I. Casou com Isabel de Portugal, filha de D. Manuel I. Foi o monarca europeu mais poderoso do seu tempo com numerosas vitórias militares. Também figura na História como opositor ao protestantismo. A Companhia de Jesus foi estabelecida por Inácio de Loyola durante o seu reinado para combater o protestantismo de forma pacífica e intelectual

- Isabel da Áustria, casou com Cristiano II da Dinamarca.

- Fernando I de Habsburgo, imperador do Sacro império romano- Germânico, após a morte do seu irmão Carlos V.

- Maria da Áustria casou com Luís II da Hungria. Depois de enviuvar, foi Regente dos Países Baixos.

- Catarina da Áustria casou com D. João III de Portugal. Por morte do marido, tornou-se Regente de Portugal, já que o rei D. Sebastião, seu neto, era ainda uma criança.


Esclarecido quem foi Filipe I e recordada a importância dos seus descendentes na História europeia, fui à procura de:

Filipe V (1683-1746) nasceu no Palácio de Versalhes e era neto do rei Luís XIV de França e bisneto de Filipe IV de Espanha. Subiu ao trono (depois de mais um conflito geral europeu, conhecido como a Guerra de Sucessão de Espanha), porque Carlos II o último rei espanhol da dinastia dos Habsburgo,  morreu sem deixar filhos. Com este Filipe iniciou-se a dinastia Bourbon, a qual continua a reinar em Espanha, até hoje em dia, com Filipe VI.




Também estive a rever a cronologia dos nossos Reis....

Cronologia dos Monarcas Portugueses
Dinastia Afonsina
D. Afonso Henriques (1143-1185)
D. Sancho I (1185-1211)
D. Afonso II (1211-1223)
D.Sancho II (1223-1248)
D. Afonso III (1248-1279)
D. Dinis (1279-1325)
D. Afonso IV (1325-1357)
D. Pedro (1357-1367)
D. Fernando (1367-1383)

Dinastia de Aviz

D. João I (1385-1433)
D. Duarte (1433-1438)
D. Afonso V (1438-1481)
D. João II (1481-1495)
D. Manuel I (1495-1521)
D. João III (1521-1557)
D. Sebastião (1557-1578)
D. Henrique (1578-1580)
D. António  (1580)

Dinastia Filipina

D. Filipe I (1581-1598)
D. Filipe II (1591-1621)
D. Filipe III (1621-1640)

Dinastia de Bragança

D. João IV (1640-1656)
D. Afonso VI (1656-1683)
D. Pedro II (1683-1706)
D. João V (1706-1750)
D. José  (1750-1777)
D. Maria I (1777-1816)
D. João VI (1816-1826)
D. Pedro IV (1826)
D. Miguel (1826-1834)
D. Maria II (1834-1853)
D. Pedro V (1853-1861)
D. Luís I (1861-1889)
D. Carlos I (1889-1908)
D. Manuel II (1908-1910) 

No primeiro de dezembro, dia da Restauração da Independência de Portugal é bom recordar como a História Portuguesa está tão relacionada com a europeia...vou talvez dedicar-me mais a redescobrir o Passado.


1 comentário:

  1. Joana de Castela, dita a Louca, foi uma mulher muito inteligente para a época. Teve foi a pouca sorte de se casar com um crápula chamado Filipe, o Belo. E também teve o azar de o amar profundamente......e isso só a prejudicou.

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