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segunda-feira, 2 de março de 2026

Parabéns Carminho!

 

A minha neta Carmo faz hoje 6 anos.


2025. Na escola

2024- 4 anos. Almoço na casa dos avós


2023- Porto Santo- férias de verão


2022-Páscoa na casa dos tios


2021. Férias no Alvor com os avós, pais, tios e primos

2020. O primeiro Natal na casa dos avós. 
Com o primo Teddy

Em 1993, a minha filha tinha a mesma idade. Vivíamos em Ancara, Turquia e foi o ano da transição para Portugal, onde começou a frequentar a escola primária, porque o pai foi colocado na Guiné Bissau.

Em 6 de abril de 1993. Com as prendas na cama dos pais, uma foto que é uma tradição e a apagar o bolo na escola (International Pre-School).



No domingo de Páscoa foi assistir à opereta Pinóquio na Ópera de Ancara



Em maio, no Dia da Mãe, na escola "...I want o to be a mommy"


Despedida da nossa casa em Ancara


Na escola e em casa a fazer os TPC na nova secretária


Na Guiné com a Julieta, junto ao "ninho" /escultura das térmitas e com um crocodilo bebé perto do rio Geba





sexta-feira, 16 de abril de 2021

Senhorios e inquilinos

Todas as casas onde vivi trazem-me boas recordações.



Nascida no Funchal, vivi na mesma casa até ir para Lisboa estudar, em 1976. Todas as minhas lembranças de brincadeiras na infância são com essa casa, onde nasci.

 


2015











Quando andava no liceu tornava-se cada vez mais difícil e caro manter a casa bem apresentada com a necessidade de contratar pintores e um jardineiro para cuidar do belo jasmineiro, que cobria toda a fachada da frente da casa e a trepadeira nos muros a necessitar de ser podada. A minha mãe começou a pensar vendê-la para irmos viver para Lisboa, para onde já se tinham mudado os meus tios e primas. A venda não foi fácil. Muitas pessoas regressadas das ex-colónias foram vê-la, mas era demasiado grande para a necessidade de ter uma casa urgentemente. Uns lamentavam o chão ser de tábua corrida, em vez de parquet, outros por a cozinha ser antiga. Já farta de pessoas que batiam à porta para serem intermediárias e ganharem uma comissão, a minha mãe acabou por vender a casa por um quinto do preço que foi posta à venda menos de dois anos depois. Nunca ninguém na minha família teve jeito para os negócios...

Em Lisboa fomos viver para uma urbanização ainda a terminar e demorou algum tempo até instalarem o telefone e os passeios das ruas serem calcetados. Isso era a única desvantagem, porque a perspetiva de começar tudo de novo e decorar a casa entusiasmava-nos. Fui eu que dei a entrada para a casa com procuração da minha mãe. Conto muitas vezes essa história...

Seis anos depois casei-me e fui viver para Algés para uma casa alugada. Em 1982, era muito dificil encontrar um apartamento vago e até havia agentes imobiliários, que cobravam para mostrar as que estavam no mercado. O senhorio engraçou connosco, um casal jovem que queria uma casa para casar e disse que tinha um apartamento em Algés, pequeno mas que talvez nos servisse. Era uma casa tão pequena que até a minha irmã dizia que lhe causava claustrofobia, mas o meu marido e eu gostávamos dela. Tinha apenas dois pequenos quartos de dormir e uma salinha, mas ficou muito gira depois de a arranjarmos. Os senhorios provaram ser muito forretas e não mandavam arranjar nada do que se estragava, como os velhos estores.

1º dia de escola do meu filho em Algés


De seguida fui morar para Ancara, Turquia, para um bom e confortável apartamento (não fora as canalizações ficarem à vista nas casas de banho) com um pequeno jardim. A senhoria queria que píntassemos a casa quando saímos, mas nós recusamo-nos, porque não tinha sido pintada antes e não estava no contrato. Além disso, devido à inflação, todos os anos a renda aumentava 10%.

1º dia de escola da minha filha, em Ancara



Enquanto ainda vivíamos na Turquia comprámos a nossa casa em Lisboa. O meu marido foi trabalhar para a Guiné e tinha direito a casa. Íamos passar muitas férias com ele, mas os meus filhos e eu ficámos a morar em Lisboa, por causa das escolas.

A casa da Guiné pertencia ao estado português e tinha muitos problemas relacionados com a canalização, paredes, teto, etc, que o "senhorio" não resolvia...


Dos EUA recordo as mais bonitas árvores de Natal naturais que tive...

Em 1999, fomos viver para os EUA. A senhoria, pela primeira vez, era uma senhora muito simpática que nos pedia para a avisarmos de qualquer anomalia, mandando consertar tudo o que se estragava: estores, máquinas, armários. Ao principio, antes de receber as minhas coisas de Portugal, não gostei da casa, tipicamente americana, em madeira. O chão estava todo alcatifado e eu não gostava, porque os meus tapetes não brilhavam, mas depois e como sempre faço, comecei a valorizar o que era fantástico e menosprezar as outras coisas. O local era muito bonito: um condomínio fechado com uma vista soberba, uma lagoa que gelava no inverno, um campo de ténis e uma piscina para todos os residentes. Gostei muito de viver ali e hoje ainda escrevo à dona da casa., uma senhoria como só encontrei novamente em Bucareste...




Em 2005 fui viver para Caracas. Foi uma fase diferente das nossas vidas em que o meu marido e eu ficámos a viver sozinhos porque a minha filha foi estudar para Lisboa, onde o irmão já vivia.

Da casa recordo essencialmente a varanda com uma bela vista do Ávila. Chegámos a ter 12 pessoas a jantar na varanda, pois era muito espaçosa. As árvores do  jardim da entrada do prédio  eram tão altas, que pareciam estar ao mesmo nível do andar... O lugar ideal para o crapô de fim de tarde. O senhorio, esse nem o conheci. Parece que vivia em Miami... 




A permanência de 3 anos na Venezuela, não foi consecutiva, pois vivemos ainda alguns meses em Luanda. Aí o senhorio mandara decorar o apartamento com peças muito modernas e cochins de cabedal por cima de sofás em madeira assinados por um conhecido arquiteto português. Ao vermos TV iamos escorregando até acabarmos no chão...




Bissau 2013



Regressámos a Bissau, a outra casa. Desta vez não levámos nada nosso, só roupa.





E novamente em Caracas, em 2014, também não levámos nada para esta casa, antiga, mas bem conservada e bem mobilada. Quando o meu filho nos visitou ficou num anexo para visitas e achou que a área era maior que todo o ser apartamento em Budapeste, onde viveu algum tempo.

Foi sem dúvida a melhor casa onde vivi...

Em 2017, mudámo-nos para Bucareste. Desta vez um apartamento. Com o maior parque da cidade, Herastrau do outro lado da rua, nem sentimos a falta do jardim...


O senhorio morava no prédio e era incansável. Até o chamavam para mudar as lâmpadas do teto, pois segundo parece cabia ao proprietário. Havia uma empresa, muito competente, que depois de ser chamada, por intermédio do senhorio, demorava no máximo 2 horas a vir consertar, o que fosse necessário. Deve ser uma característica dos senhorios dos países de leste. Aqui em Bratislava também vêm calibrar o aquecimento, limpar os candeeiros de teto, mudar lâmpadas, ligar a rega automática etc. Gosto destes senhorios!!!

Esta semana perguntei ao senhorio se tinha terra que me pudesse emprestar até as lojas abrirem para eu plantar dois vasos de jarros. Disse que o jardineiro iria trazer, quando viesse cá esta semana limpar o jardim, mas depois apareceu cá em casa para deixar 2 sacos grandes de terra e dois pratos iguais aos vasos (que eu tinha encontrado na arrecadação). 







Aliás, devo confessar: a simpatia do senhorio e o bonito jardim fazem-me gostar mais da casa, que não é nada especial.







Fotografia das minhas vizinhas, em Lisboa


domingo, 12 de fevereiro de 2017

A favor da Língua Portuguesa


As palavras

São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.

Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.

Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.

Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?

                   Eugénio de Andrade



Nestas minhas andanças pelo estrangeiro tenho ouvido muitas história de segregação das crianças que falavam português na escola. Eram alvo de bullying ou gozadas. Daí os pais de alguns deles, certamente pouco instruídos, tivessem abandonado a sua própria língua materna nas conversas com os filhos para utilizarem a língua inglesa ou castelhana ou outra qualquer, conforme os países para onde emigraram. Eles próprios precisavam de praticar os idiomas desses países e muitos nunca conseguiram tornar-se fluentes, porque não quiseram ou tiveram a oportunidade de as aprender de maneira correta. 
Quando vivi nos EUA ouvi essas histórias relativamente ao inglês e lembro-me perfeitamente de estar numa loja, que fazia molduras e a senhora vir com esse mesmo conto, que oiço em todo o lado: os portugueses valorizam muito a família, são muito trabalhadores e não se metem em problemas. Isto para mim não basta. Aliás, nas minhas estadias ao longo destes anos quer na América do Norte quer na do Sul, fiquei com a ideia que  a emigração portuguesa nada ter de original em comparação com os outros povos europeus, sejam eles originais do norte ou sul da Europa. 

Às vezes vinham mais uns comentários como este: "quanto à língua é que tiveram problemas, apesar de estarem a viver no país há tantos anos, não conseguem comunicar bem ". Eu devia estar nos dias com pouca pachorra e disse-lhe, apontando para um anúncio da loja em frente: "bem parece que não são só os portugueses. Aqui escreve-se muito mal inglês. Por acaso aquela loja é de portugueses? Sabe o plural das palavras nunca é feito com um apóstrofo...". E dei-lhe uma lição breve de gramática... Não me recordo do seu comentário, contudo, suponho, percebeu que comigo aquela conversa do "coitadinho" não pegava...

As festas da comunidade para as quais era convidada aos fins de semana mostravam um Portugal, que eu felizmente não conheci, apesar de grande parte das pessoas ter a minha idade ou pouco mais velhas. Recordo-me de um teatro em que as pessoas cantavam alegremente a lavar a roupa num tanque supostamente da aldeia... Sou do tempo antes da máquina de lavar, porém estas cenas só conhecia do cinema português antigo...bem, até é possível existirem ainda algumas raridades, quando muita da gente portuguesa emigrou...

Também uma senhora de origem irlandesa, da qual fiquei muito amiga, teve uma vez o descaramento de dizer que o seu apelido português era proveniente de um antepassado do marido, cujas origens eram holandesas e não dos Açores, de onde era a maior parte dos emigrantes portugueses daquela região. Na ocasião fiz uma pequena pesquisa. Foi então uma novidade para mim constatar que no século XV, a pedido do Infante D. Henrique, a irmã D. Isabel de Portugal, Duquesa da Borgonha, incentivara a ida de alguns flamengos para os Açores (a população portuguesa era escassa para dois arquipélagos e tanta ilha). Portanto essa realidade remontava há quase quinhentos anos e tinham sido poucos os flamengos a estabelecer-se nos Açores; além do mais uma pessoa ou família com determinado apelido podia tê-lo adotado por variadíssimas razões. Também bastantes emigrantes europeus que colonizaram, sobretudo, as Américas, África e a Austrália eram degredados cumprindo penas...as autoridades portuguesas como todas as europeias seguiram esse método, até ao século XX.

Há algum tempo, recebi um grupo simpático de senhoras de origem portuguesa. Todas com estudos superiores. Fizeram os mesmos comentários de terem tido dificuldade em aprender português, pois em casa tinham de praticar o melhor que podiam o castelhano para não serem alvo de bullying na escola. Agora, querem que os netos e jovens aprendam português. A propósito, disseram-me que já tinham ido falar com o coordenador dos estudos portugueses da embaixada de Portugal, o qual tem feito um ótimo trabalho. Sente-se assim que o Português e Portugal estão na moda. Talvez porque, aparentemente, somos um país moderno e quando o visitam as pessoas sentem orgulho na sua terra de origem.

Ainda a propósito de esteriótipos tontos. Lembro-me que no ano passado no cabeleireiro ouvi uma senhora local a contar uma história qualquer à cabeleireira. Atraiu-me a atenção, quando a ouvi falar dos portugueses. Estava a referir-se a alguém que tinha umas "pernas portuguesas". Fiquei intrigada, mas não interrompi. Na primeira oportunidade perguntei a uma senhora venezuelana, que tenho confiança,  o que era aquilo das "pernas portuguesas". Fiquei então a saber que a expressão se refere a pernas mal feitas e sobretudo muito gordas. Fiquei impressionada por essa ideia...na minha família somos todas portuguesas e ninguém tem esse tipo de pernas...



Este país pode ser conhecido por ter tido muitas mulheres  a ganhar prémios de beleza; porém, quando vamos à praia, ou ao cinema, o que encontramos é uma grande maioria de gente feia e obesa...como nos outros países da América do Sul e do Norte.





Voltando à visita e à conversa com aquelas senhoras: é de louvar o objetivo de promover o ensino e a aprendizagem da Língua Portuguesa. Realmente o Português  é dos idiomas mais falados no mundo. Pode ser sempre útil. Em qualquer estatística geral aparece como a quinta  língua em termos de utilizadores.




Tal como o inglês e o castelhano, o português é das línguas mais dispersas. Trata-se de uma língua oficial em cinco continentes: Europa, África, América, Oceania e Ásia. Por isso não me surpreendeu ver nos confins da Guiné-Bissau este cartaz...








O alemão é a língua mais falada na Europa, porque a Alemanha é o país com maior número de habitantes e, vá lá a Austria, o Liechtenstein, Luxemburgo e parte da Suiça dão uma ajudazinha para aumentar a estatística. No entanto, fora daquele continente não tem expressão.

O francês, outrora considerado a língua diplomática, tem vindo a perder o estatuto e a prova disso é o seu ensino nas escolas em Portugal. No meu tempo, não havia opção, era a primeira língua estrangeira que se aprendia. Todavia, hoje em dia, está longe de ser a primeira escolha dos alunos. E reduziu-se significativamente a própria influência cultural francesa. Algo não muito positivo, porque existe, na minha opinião, uma excessiva hegemonia da cultura anglo-saxónica, na maior parte das vezes uma forma de não se dizer "americana".  

Desde a nossa entrada na CEE, hoje UE, o Português tem ganho cada vez mais proeminência, sendo uma das línguas oficiais das instituições europeias. Os emigrantes que visitam Portugal, já não vêm o seu país de origem apenas como um parente pobre, mas sim como um que rivaliza com os demais, até na organização de eventos mundiais, como foi a Expo 98 ou o Campeonato da Europa de Futebol 2004 (teria passado bem sem eles e o seu elevado custo, mas lá que foram um sucesso, foram). Ainda a propósito daquele primeiro evento lembro-me do Mayor de New Bedford ter afirmado, que esperava encontrar um país com muitas mulheres vestidas de preto e lenço na cabeça e ficou muito supreendido e entusiasmado com a realidade portuguesa que deparou em 1998...

Com o Secretário-Geral António Guterres na ONU, espero que o Português se torne língua oficial daquela organização. Já não será sem tempo.


E por tudo isto decidi que, a partir deste ano, o meu blogue será quase só em Português...