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quinta-feira, 23 de outubro de 2025

O nosso Shirvan

 



Este é o nosso único tapete azeri. Durante anos pensei ser persa, mas quando o levámos para lavar, o dono da loja de tapetes disse-nos ser Shirvan no Azerbaijão, de muito boa qualidade. Gosto muito das conversas de tapetes que temos, pois é um grande conhecedor e tem muitos livros, que nos mostra sempre a justificar a origem dos tapetes (este é o segundo que me engano na proveniência - os tapetes turcos sei bem de onde são).
Agora terminei a limpeza dos tapetes, que começou na passada primavera.

Comprámo-lo na Turquia, quando lá vivemos, entre 1989 e 1993 e acompanhou-nos por outros lugares bem longe do seu país original....Não é um tapete voador, mas quase...

sábado, 20 de setembro de 2025

O meu Döşemealtı

 Döşemealtı, a norte de Antalia, na Turquia, é um importante centro de manufatura de tapetes. O nosso primeiro tapete comprado em Ancara em 1989 é desta região.



Hoje fomos buscá-lo à loja de tapetes, onde foi lavado. Estava muito sujo e há algum tempo que estava guardado.
A lavagem à mão é com produtos naturais, que o dono da loja, do Médio Oriente, traz do seu país. 

O tapete é todo feito com lã, tingida com produtos naturais. 

Gosto sempre de ver as fotos da lavagem, que me enviam.




Ancara, Turquia, 1991



terça-feira, 19 de novembro de 2024

O meu tapete turcomano

 


Este tapete persa turcomano foi tradicionalmente feito à mão e impressiona pelo elevado nível de fabrico e pela lã de ovelha de qualidade, segundo me disseram há muito pouco tempo, pois não sabia. Quanto mais fino e apertado for o nó de um tapete, mais pormenorizados podem ser os ornamentos e os padrões.

Os tapetes persas têm geralmente o nome da sua região de origem, este foi feito no Irão na região turcomana, junto ao Mar Cáspio e foi comprado no Iraque em 1991, pouco antes da I Guerra do Golfo.

Nos EUA ficou encharcado devido a uma inundação que tivemos em casa. No entanto resistiu, até porque as águas eram limpas.

Recomendaram-me não o deixar enrolado muito tempo, por isso agora vai ficar no chão por uns tempos.

As franjas foram restauradas recentemente.

sábado, 27 de julho de 2024

O meu Shiraz

Shiraz ou Syrah é uma casta de uva muito utilizada na produção de vinhos tintos. O seu nome pode estar relacionado com a cidade do sudoeste do Irão, capital da província de Fars, chamada Shiraz.
O poeta britânico Edward FitzGerald, que traduziu Rubaiyat de Omar Khayyam da língua persa fez muitos elogios aos vinhos Shiraz desta região da Pérsia. Também Marco Polo os mencionou. Antes da revolução islâmica havia em Shiraz cerca de 300 produtores de vinhos, mas hoje em dia não existe nenhum, devido à proibição de álcool.


Contudo, quando me refiro ao "meu Shiraz" quero dizer o meu tapete iraniano (comprado na Turquia há 30 anos). Foram recentemente restauradas as franjas de um lado e os dois bordos, que estavam muito gastos. Foi lavado de maneira tradicional e hoje fui buscá-lo. Fiquei muito satisfeita com os resultados, como aconteceu com o Milas e o Kars (tapetes turcos). O restaurador até me enviou uma foto da lavagem e dos bordos antes e depois...


E quando falamos de tapetes orientais estamos sempre a aprender... No meu tapete há a representação de Ciro o Grande, o primeiro rei persa, no seu cavalo branco e também o rouxinol estilizado, que simboliza felicidade. Os tapetes Shiraz são os únicos que os representam. A capital do  Império Aqueménida, Pasárgada, onde Ciro está sepultado, ficava na provincia de Fars. Depois da sua morte, a capital mudou para Persépolis (a 60km de Shiraz)... 



sábado, 26 de setembro de 2020

Último ponto

Acabei de dar o último ponto no segundo tapete para a casa em Lisboa. Os trabalhos manuais têm este poder de nos dar uma sensação de realização pessoal. Agora tenho de terminar o terceiro, que já está adiantado. No Natal mostro...
  

terça-feira, 4 de agosto de 2020

Bordar Arraiolos: um vício


Durante o confinamento pensava muitas vezes que tinha sido uma pena não ter em casa material para bordar um tapete de Arraiolos. Por isso, logo que as lojas abriram fui com a minha filha e netas, primeiro comprar sapatos para a mais velha, pois nos dois meses passados em casa os pés tinham crescido e nada lhe servia (só os ténis da escola) e, no dia seguinte (19 de maio), comprar telas e lãs para fazer novos tapetes para o meu quarto em Lisboa. Isto porque com a vinda dos netos, os "arraiolos" foram todos para eles, nos últimos tempos. Acabei hoje o segundo tapete, que comecei em maio. Agora têm de ir a uma loja especializada fazer as bainhas (prefiro à franja, que se estraga mais), pois os acabamentos não sei fazer. No entanto, tenho mais dois começados para estrear no Natal. No final de outubro devem ficar prontos.  O meu quarto de estar parece uma oficina de trabalhos manuais.
Gosto que as prendas que ofereço sejam apreciadas e vejo que os tapetes que fiz e ofereci, são do agrado dos pais dos meus netos. São prendas especiais, que dão muito trabalho, mas também muita cor e brilho aos quartos. São aspirados, como o resto da casa e, de vez em quando, deve passar-se água com vinagre para realçar as cores e limpar mais profundamente. Aprendi isso na Turquia. Limpavam e ponham a secar ao sol para não dar traça- isto para os tapetes orientais. Achei que para os Arraiolos também devia resultar. 
Para a Turquia comprei um tapete de Arraiolos e coloquei-o na entrada. Tem viajado comigo e agora está um pouco estragado. Tenho a ideia de fazer um igual, melhorando as cores e também fazer outro, clássico Seteais, para o hall interior do apartamento em Lisboa. Isto porque na sala gosto mais dos tapetes orientais. Além de mais resistentes combinam melhor com qualquer decoração. Não posso entrar numa loja de tapetes, porque apetece-me logo comprar um. Adquirimos a maior parte na Turquia.  E, confesso, sou uma snob, pois tapetes à máquina, nem os considero tapetes...
Na Roménia e Moldávia os tapetes são muito alegres. Comprámos três e já não tenho lugar para mais em Lisboa ... 

Ainda me falta um tapete Beiriz....








quinta-feira, 11 de abril de 2019

Incentivo à criação...

 2017 (1)

2018 (2)

Hoje, terminei um tapete de Arraiolos, que comecei há menos de 2 meses. Foi o meu recorde de tempo. Agora, tem de ir a uma loja especializada, em Lisboa, para fazerem os acabamentos como deve ser. Fico muito orgulhosa, quando me mandam fotografias, como aconteceu recentemente com estas duas, em que noto a utilização do meu trabalho.

É o quarto tapete que faço na Roménia. Há algo aqui (ou será lá?) incentivando a minha produtividade...espero continuar...

Os meus tapetes de Arraiolos

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

Um dia calmo


Hoje comecei o dia com uma massagem, que me faz bem por causa da minha coluna. De seguida, continuei a leitura do livro D. Beatriz de Portugal, a Infanta Esquecida de Ana Isabel Buescu (Editorial Presença, 2019). Estou a gostar muito e a aprender bastante. Achei interessante a referência ao colar da Rainha Santa Isabel, exposto no Museu Machado Castro, em Coimbra ser venerado com especial devoção por grávidas e parturientes (pág. 30)


"...há um pequeno colar formado por oito placas polilobadas, guarnecidas de gemas e unidas por cadeias, igualmente de ouro, por sua vez ornadas de pérolas barrocas. Segundo a tradição, isto é a parte sobrante de um colar de Santa Isabel que, por ter dotes milagreiros, foi sendo danificado e diminuído por doentes – sobretudo parturientes – ansiosos por um fragmento que os protegesse como uma relíquia santificada." Tesouro da Rainha Santa 

Já percebi que o livro é uma biografia a sério e não um daqueles romances históricos, que estão na moda, com diálogos muito duvidosos.

Depois de um almoço leve, à tarde, tive a minha aula com o PT, que hoje não parava de falar e fazer perguntas.



Por fim, comecei um novo tapete de Arraiolos para o meu neto, que vai nascer em maio.

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

O tapete da minha neta





Comecei o tapete nas férias que fiz ao norte de Portugal, à região do Douro, na casa em Trevões.

Levei-o para Bucareste. Quando cheguei à Roménia ainda não tinha feito metade das riscas da barra. Teve um grande avanço lá devido à minha disponibilidade, porém só o terminei em Portugal, em dezembro. Deu muito trabalho, mas fiquei muito satisfeita com o resultado.










O modelo é original. Queria que ficasse a condizer com os cortinados, que a minha filha escolheu. Como têm muita cor optei por fazer uma barra com as mesmas cores da cortina e das costas das almofadas.




È claro, o B não podia faltar...





De início era para ter só a barra com riscas e as folhas, mas resolvi acrescentar flores. Estas adaptei-as de uma revista de ponto-cruz da minha sogra, publicada em 1955.




O ano passado, por esta altura acabei um tapete para o meu neto que ficou também muito bonito. Será que no próximo ano vou fazer outro?




sábado, 15 de julho de 2017

3 anos fora de Portugal

Estou a viver permanentemente fora do meu país, desde julho 2014. Durante  estes anos, a nível pessoal, houve o casamento do meu filho em 2014, em Inglaterra;




















e o casamento da minha filha em Portugal, em 2016.















Em 2015, a família aumentou com o nascimento de duas primas gémeas


Em 2017, nasceu o meu neto na Escócia.

Faz 5 meses hoje. Só o vi durante duas semanas quando só tinha 1 mês...





  o tapete que bordei para ele em ponto de Arraiolos...




Fiz algumas viagens durante estes três anos: Bogotá e Cartagena (primeiras férias para descansar logo que cheguei), CuraçaoLondres, Budapeste, Viena, Equador, México, Panamá, Cuba, Escócia, Amsterdão, Singapura, Vietname, Camboja, Tailândia, Edimburgo

As visitas à Jamaica, Guiana, Trinidad e Tobago, São Vicente e as Grenadinas, Barbados tiveram também outros objetivos, mas fiquei a conhecer estes países nas Caraíbas.

Inolvidáveis foram mesmo as férias em família à Madeira para a passagem de ano e a Canaima.




A minha ilha da Madeira continua belíssima



Chegada a Canaima










No delta do Orinoco. Tentativa falhada de fazer de Tarzan na selva








Durante este tempo fiz algumas amizades e espero manter os contactos.  Hoje em dia com emails, skype e whatsapp, é muito diferente de 1989, quando deixei Portugal para ir viver na Turquia...

Politicamente assisti no meu país à eleição de um novo presidente da república e à formação de um governo minoritário com apoios parlamentares, a quem chamam de gerigonça, enquanto aqui assisto diariamente ao desmoronamento de um regime.

A minha nora e genro foram os únicos que me acompanharam na súbida ao Ávila de teleférico. Os outros subiram de jeep, o que não é menos assustador, garanto.


Apesar da preocupação dos familiares em Portugal sobre o meu bem estar aqui devido às noticias, gostei de viver estes últimos três anos em Caracas. Aliás, quando olho para trás a minha vida desde os 19 anos, que saí da Madeira para ir estudar e viver em Lisboa tem sido um acumular de vivências em diferentes locais. Os meus filhos, por exemplo, fizeram os 12 anos de escolaridade obrigatória metade em Portugal e metade no estrangeiro. Daí nunca terem tido vontade de concorrer ao programa Erasmus. Salvo comissões de serviço curtas ou  indefinidas como foram as de Bruxelas, Cabo Verde e Guiné-Bissau, acompanhei sempre o meu marido. Talvez seja por isso, que nos nossos carros há sempre na matricula um "CD": "Ciganos Distintos"...

Caracas e as montanhas do Ávila . Vista dos belissimos jardins de Topotepuy


As belas montanhas do Ávila, que rodeiam a cidade e amenizam o clima, são de uma grande beleza.



Não regressámos, por opção, ao belo arquipélago de Los Roques, com medo de apanhar uma deceção, dada a degradação de algumas instalações hoteleiras neste país devido à falta de produtos. Mandámos fazer uma aguarela de uma fotografia, que tirámos durante a nossa primeira estada na Venezuela, de 2005 a 2008 ( com uma interrupção de 6 meses em Luanda)


Um país com grandes potencialidades para desenvolver o turismo junto à costa com areia fina e macia, tem de começar com limpezas profundas.



                                                              antes e depois


Desde a minha chegada, empenhei-me, com ajuda, é claro, a manter a casa, que é já muito antiga, bem cuidada e, no jardim, tentei melhorar o seu aspecto, vendo-me livre da maioria das ervas e plantas invasivas.

As pessoas são simpáticas e têm um espírito alegre (se assim não fosse não sei como aguentariam). Contudo, nos últimos tempos sinto uma tristeza com as noticias de mortes de tantos jovens. Além das habituais devido à violência, que é grande no país, juntam-se agora as de estudantes que se manifestam, porque querem ter um futuro melhor.
A inflação é outro problema ( quando cheguei um euro equivalia a 90 bolivares no mercado paralelo. Este mês vale mais que 9000...). O que gastamos no mercado numa semana, nunca é igual ao da semana seguinte. Já nem compro alguns produtos, como salmão, pois acho ultrajante que um quilo seja igual ao ordenado mínimo, aumentado há duas semanas.

Desejo a todos os meus sinceros votos de um futuro melhor e estou pronta a enfrentar novos desafios, nesta opção de vida de acompanhar o meu marido no estrangeiro, o que apesar de muitas vantagens, traz também muitas saudades.

Caracas 2008




Já fiz tantas mudanças... esta será apenas mais uma, com muito menos coisas do que em 2008, quando regressámos a Lisboa...