Nadir Afonso no museu
O museu MACAM (Museu de Arte Contemporânea Armando Martins) introduz um conceito inovador, que combina o museu de arte contemporânea com um hotel de 5 estrelas, o primeiro deste género na Europa. Abriu a 22 de março.
A antiga capela de Nossa Senhora do Carmo, vai ser um bar utilizado só pelos clientes do hotel. Hoje, foi o último dia aberta à generalidade do público.
Situa-se na Junqueira (o melhor local de estacionamento é na FIL, depois é só atravessar a rua).
O palácio onde está instalado o museu e o hotel foi mandado construir em 1701 pelo Marquês de Nisa, mas em 1752 foi adquirido pelo Conde da Ribeira Grande, de quem adotou o nome. No frontão encontramos ainda vestígios dos antigos proprietários e a divisa: "Pela Fé, pelo Príncipe, pela Pátria". Sobreviveu ao terrível terramoto de 1755.
A partir de 1939, a família passou a viver no corpo mais pequeno do edifício e arrendou o bloco principal ao Estado, para instituições de ensino público, como o Liceu Dona Amélia, que funcionou ali de 1960 a 2002.
Em 2007, o atual proprietário Armando Martins adquiriu-o e as obras de reabilitação e expansão iniciaram-se em finais de 2018.
A exposição permanente está instalada nas Galerias 1 e 2 do piso térreo do palácio. As galerias 3 e 4 abrigam exposições temporárias e ficam na ala nova, onde se encontra o jardim, cafetaria e restaurante.
Rosa Carvalho (1952)
Quem é o colecionador Armando Martins?
Nasceu em 1949, no concelho de Penamacor e aos 14 anos veio para Lisboa estudar. Em 1968, ingressou no curso de engenharia mecânica do Técnico. Aos 18 anos um amigo propôs-lhe uma parceria de 50% para comprar 35 serigrafias de Cargaleiro. E foi assim que começou o seu interesse pelo colecionismo de arte contemporânea.
Em 1974 tinha 25 anos e adquiriu a sua primeira obra de arte original de Rogério Ribeiro, por 56 contos, o que na altura equivalia a três vezes o seu salário mensal.
Rogério Ribeiro. Sem titulo. 1970-1
Em 1978, Armando Martins partiu para o Brasil, com o convite para trabalhar numa fundição como diretor técnico comercial. Construiu uma moradia, onde não chegou a morar. Vendeu-a por bom preço e, em 1983, regressou a Portugal onde se dedicou às atividades de promotor imobiliário, hotelaria, restauração e agência de viagens.
Em 2016, expõe pela primeira vez uma seleção de obras no Palácio do Correio-Mor, propriedade sua, no âmbito da 1ª edição da ARCOLisboa.
Li recentemente numa entrevista do eng. Armando Martins, que uma das obras favoritas da sua coleção é a de Eduardo Viana, A mulher da laranja.
Eduardo Viana.
A mulher da laranja
Apesar da obra estar no museu, vai vê-la com frequência, pois não tenciona reformar-se e ainda hoje estava no museu. Disseram-me que se quisesse falar com ele, teria muito gosto, pois gosta do contacto das pessoas. Não o fiz, mas realmente tem um ar simpático e feliz. De facto, realizou um sonho e tem o prazer, felizmente para o público, de o partilhar.
Claro que gostei muito de ver a coleção de arte. Mas admirei igualmente o excelente restauro e adaptação do velho palácio a museu, assim como a criação com muito gosto dos novos espaços.
Alfred Keil
Almada Negreiros


Amadeo de Souza-Cardoso e Carlos Botelho
Eduardo Viana, Sarah Affonso
Júlio Pomar, Eduardo Batarda
Querubim Lapa
António Dacosta
Carlos Botelho
Cargaleiro, Vieira da Silva
Imagem do museu e hotel do programa Grande Entrevista


Bela manhã de sol, quente e cheia de arte, que poderá ser repetida com outra visita e também recordada pela leitura e consulta do excelente catálogo MACAM.